Memória
Adeus a Mino
Sem deixar de ser italiano, esse genovês que a guerra nos presenteou é um dos mais notáveis brasileiros que conheci
“Mino foi um dos construtores de um Brasil moderno e democrático” – Celso Amorim
O fruir da vida, aos borbotões como na mocidade, ou gota a gota na velhice, é sempre um prazer, até porque, lembrou-nos o sábio Barbosa Lima Sobrinho, a alternativa é indesejável. Mas há ônus, e não são apenas os achaques da idade. O que mais me incomoda é a despedida dos amigos que viajam, uns muito de surpresa, dispensados das despedidas, outros que, cansados, caminham mais lentamente e assim sofrem mais e nos fazem sofrer mais. E quanto mais envelheço, e quero envelhecer infinitamente, a mais amigos digo Adeus, quando mais gostaria de tê-los ao meu lado, egoisticamente aspirando suas lições de vida.
Chega a notícia da morte de Mino Carta. Esperada, aguardada, no entanto fere como uma punhalada.
De sua vida-batalha, quase tudo foi dito, e muito ainda será escrito. Em sete dezenas de anos de vida profissional, como jornalista, foi tudo: foca, repórter, redator, colunista, editor, correspondente internacional, desbravador de horizontes, criador de jornais e revistas, reformador da imprensa brasileira, por cuja independência lutou até o fim com determinação, mas, calejado, sem ilusões.
E foi mais: pintor e romancista. Sua última invenção, desconfio que a mais querida, pois deixou nas mãos da filha, é esta CartaCapital, que dirigiu e logrou manter de pé por 40 anos – e onde fui encontrá-lo, para dele tornar-me amigo e seu admirador.
Sem deixar de ser italiano, esse genovês que a guerra nos presenteou é um dos mais notáveis brasileiros que conheci. E isto me cativou.
Manuela e seus bravos companheiros de CartaCapital manterão de pé sua obra, sua luta. Porque é preciso.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Cubra-se de glória, Mino
Por Sergio Lirio
Sobre ser filha do Mino
Por Manuela Carta
O editorial que Mino Carta não escreveu
Por Adalberto Viviani
As memórias do paladar de Mino Carta
Por Roberto Rockmann
‘O Brasil perde hoje seu melhor jornalista’, diz Lula sobre Mino Carta
Por CartaCapital



