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Jornalismo/ Ano novo, cara nova

Ao completar 32 anos, CartaCapital rejuvenesce no visual e no conteúdo

Jornalismo/ Ano novo, cara nova
Jornalismo/ Ano novo, cara nova
Com visual renovado, a revista mantém ereta a coluna do projeto editoral, enquanto avança na integração das plataformas
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Eleições 2026

Projetos editoriais também amadurecem. O segredo da longevidade está em manter a coerência das ideias e a firmeza dos princípios, mas, de vez em quando, sacudir­ a ­poeira e tomar um pouco de sol. É o propósito da sutil atualização gráfica operada com a costumeira elegância por Pilar ­Velloso, diretora de arte responsável pela reformulação anterior da revista. As adaptações, que passam a valer na edição da próxima semana, recuperam uma certa leveza desgastada pelo tempo e visam tornar mais agradável a leitura de temas frequentemente espinhosos.

As mudanças se dão em um momento simbólico. Este é o primeiro ano de CartaCapital sem a liderança de Mino Carta. Neste período de aprendizado e saudade, a equipe da editora, sob a batuta de Manuela Carta e Mara Lúcia da Silva, apoiadas por Luiz Gonzaga ­Belluzzo, tem se esforçado para manter intactos os preceitos que deram origem a esta publicação, delineados por um pequeno grupo de jornalistas em uma mesa na sala de estar do apartamento de Mino, poucos meses antes de a revista chegar às bancas, com periodicidade mensal, em agosto de 1994. Não sem solavancos, chegamos até aqui e esta é, antes de tudo, a prova de um projeto de sucesso. Sobrevivemos ao terremoto tecnológico, às transformações nos hábitos de consumo de notícias, à radicalização política e aos descaminhos do País. Ficar de pé tornou-se um ato de bravura e de compromisso com o Brasil. E, claro, resultado do apoio incondicional de nossos fiéis leitores, sem os quais teríamos soçobrado pelo caminho.

Atualizamos o vestuário, mas nossa essência continua intacta. Estão firmes os alicerces que sustentam esta editora, em todas as suas plataformas, e que formam a base do pensamento de Mino: fidelidade canina à verdade factual, exercício constante do espírito crítico e fiscalização implacável do poder onde quer que ele se manifeste.

Ao entrar no trigésimo segundo ano de vida, CartaCapital avança na integração multiplataforma. O objetivo é imprimir o DNA da revista em todos os canais, do site aos vídeos. A partir da segunda-feira 17, o Direto da Redação abordará diariamente, às 17 horas, no nosso canal do YouTube, os principais assuntos do dia, ao estilo desta publicação. Jornalistas e especialistas reconhecidos em suas áreas de atuação vão analisar os acontecimentos nacionais e internacionais de forma ágil, mas sem abrir mão da profundidade. Outras novidades estão a caminho. Quem estará à frente do processo de integração será o jornalista Rodrigo Martins, profissional com 20 anos de casa, alçado ao posto de diretor de conteúdo do site.

Apesar das ameaças internas e externas, CartaCapital está otimista e redobra a aposta no futuro. No nosso e no do Brasil.

Eleições/ Modelo ultrapassado

Os debates televisivos envelheceram, avalia Leonardo Avritzer

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad se enfrentaram na Band – Imagem: Renato Pizzutto/Band

O rebaixamento do debate programático e o modelo envelhecido proposto pelas tevês estão no cerne do desinteresse crescente do eleitorado pelos debates, afirma o cientista político Leonardo Avritzer, coordenador do Observatório das Eleições

CartaCapital: Por que os candidatos têm se recusado a participar de debates?
Leonardo Avritzer:
Esta é uma eleição muito rebaixada em termos de discussão de propostas. A tendência é de que estas eleições se centrem em questões fiscais, em alguns temas morais e nos assuntos internacionais, principalmente no caso do desrespeito do governo Trump.

CC: Os debates, no formato atual, ainda fazem sentido?
LA:
É um formato envelhecido em um sentido muito específico. Aliás, tudo que diz respeito à televisão, em relação à política, está um pouco velho. Há uma reclamação a respeito do debate em São Paulo entre o governador Tarcísio de Freitas e o ex-ministro Fernando Haddad. Ele teria sido muito ideológico e com dados demais e isso não foi capaz de satisfazer o eleitor. Por outro lado, não há como não discutir dados e propostas. Talvez seja o caso de pensar em debates focados em temas mais específicos, em um formato com o qual os eleitores estão acostumados nas plataformas digitais.

A boquinha do PCO

Rui Costa Pimenta, presidente do PCO e candidato à Presidência da República, tornou-se alvo da Operação Causa Própria da Polícia Federal. Ele é investigado por suspeitas de desvio de recursos do Fundo Partidário e Eleitoral e foi alvo de mandados de busca e apreensão motivados por inconsistências na prestação de contas ao tribunal eleitoral e repasses a gráficas e nomes ligados ao partido. Pimenta nega as acusações. Em nota, a legenda classificou a ação como “ilegal, antidemocrática, uma óbvia perseguição política e eleitoral e uma tática de intimidação”.

Terrorismo/ O golpismo segue vivo

Grupo extremista planejava atacar o Palácio do Planalto

O plano era explodir a sede do governo, com o presidente dentro – Imagem: Agência Senado

Um grupo que se comunicava pelo aplicativo Telegram tinha como objetivo invadir e explodir prédios públicos em Brasília. O principal alvo seria o Palácio do Planalto. A organização extremista foi descoberta pelo Cyberlab, laboratório de repressão a crimes cibernéticos do Ministério da Justiça. Os integrantes tinham mapas dos ministérios, do Congresso e do STF. De posse da planta baixa do Planalto, chegaram a planejar formas de entrar e sair do palácio. A intenção não seria apenas destruir, mas enviar ao País uma mensagem violenta e antidemocrática de “revolução” e “abolição do Estado”. O grupo, considerado pelo ­Cyberlab como de alto grau de periculosidade, recruta novos integrantes em conversas no Telegram por meio de ideias neonazistas e de incentivo à violência. Participantes mais radicalizados são convidados para um grupo restrito, com cerca de 600 seguidores.

Síria/ Ditador sentenciado

Bashar al-Assad é condenado à pena de morte à revelia

Assad se esconde em Moscou desde 2024 – Imagem: Ministério do Exterior dos Emirados Árabes

O ex-ditador sírio Bashar al-Assad foi condenado à pena de morte por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante 14 anos de guerra civil no país. O julgamento em Damasco foi realizado à revelia, pois Assad está asilado em Moscou, para onde fugiu em dezembro de 2024, após ser derrubado. A sentença cita “assassinatos premeditados e intencionais de mais de uma pessoa e de crianças”, além de “tortura e prisões arbitrárias”. Também foram condenados à morte, à revelia, seis ex-comandantes militares, entre eles Maher al-Assad, irmão do ditador. Atif Najib, primo de Assad, foi levado ao tribunal em uma gaiola para ouvir sua sentença por crimes em Daraa, berço da revolta de 2011. O estopim para os conflitos que culminaram em 500 mil mortos pelo regime foram os protestos da Primavera Árabe, que pediam reformas políticas, liberdade e democracia na Síria. O fim da ditadura de Al-Assad acabou com uma era de mais de 50 anos da família no poder.

O ebola avança

A epidemia de ebola na República Democrática do Congo provocou até o momento 2.011 mortes entre os 4.381 casos confirmados, segundo o balanço oficial divulgado na terça-feira 11. A doença está concentrada em províncias do nordeste e do leste do país, onde a presença do Estado é limitada e as instalações de saúde não possuem recursos suficientes. A taxa de mortalidade chega a 45,9%. A tragédia aproxima-se dos números da epidemia mais letal que o país enfrentou, em 2020, quando morreram 2,3 mil pacientes.

Negacionismo/ Os antivacina em ação

Trump retira seis imunizantes do calendário dos EUA

O republicano volta a espalhar mentiras e a atacar a ciência – Imagem: Anna Moneymaker/Getty Images/AFP

Donald Trump segue sua cruzada contra a vida. Desta vez, o republicano retirou seis de 17 vacinas do calendário infantil norte-americano com base em alegações infundadas – e profundamente rejeitadas pela ciência – de que vacinas estariam ligadas ao aumento de casos de autismo e de mortes. A ordem executiva suspende a obrigação de as famílias imunizarem os filhos contra hepatites A e B, meningococo, vírus sincicial respiratório, rotavírus e gripe. A Organização Mundial da Saúde criticou a medida e afirmou que as orientações se apoiam em mais de 60 anos de pesquisa e em evidências científicas. Trump avança contra os imunizantes em meio ao maior surto de sarampo do país em 35 anos. Mesmo obrigatória, a procura pela tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) está abaixo do nível que garante a proteção coletiva. E o surto não respeita fronteiras. Toda a chamada “Região das Américas” perdeu, em 10 de novembro passado, a certificação de zona livre de transmissão endêmica da doença. No Brasil, São Paulo corre para reforçar a vacinação da população de 6 meses a 59 anos e evitar que se alastre o surto ativo que acometeu 23 cidadãos.

Publicado na edição n° 1426 de CartaCapital, em 19 de agosto de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’

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