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Esporte/ Brasil abaixo de zero

Lucas Pinheiro Braathen conquista o primeiro ouro do País nas Olimpíadas de Inverno

Esporte/ Brasil abaixo de zero
Esporte/ Brasil abaixo de zero
O esquiador reencontrou o prazer de competir com sua segunda pátria – Imagem: Dimitar Dilkoff/AFP
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Lucas Pinheiro Braathen, de 25 anos, conquistou a primeira me­dal­ha de ouro do Brasil – e da América do Sul – na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, disputados desde 1924. O esquiador venceu a prova do slalom gigante com a impressionante marca de 2min25s nas duas descidas, 58 centésimos à frente do suíço Marco Odermatt, que levou a prata.

Não foi obra do acaso nem um roteiro à Jamaica Abaixo de Zero, filme inspirado na equipe jamaicana que estreou nas Olimpíadas de Calgary em 1988. Braathen não improvisou treinos no calor tropical nem era azarão. Nascido em Oslo, filho de pai norueguês e mãe brasileira, começou a esquiar aos 9 anos e conquistou a Copa do Mundo de Slalom 2022/2023 pela Noruega. Ao fim da temporada, rompeu com a confederação local por questões comerciais e anunciou aposentadoria precoce, aos 23 anos.

Em outubro de 2024, o atleta passou a defender o Brasil e virou a principal esperança do País nos Jogos. Com mais autonomia, reencontrou o prazer de competir e, em Milão-Cortina, alcançou a façanha inédita para ele e sua segunda pátria. “O ski pode ser um esporte individual, mas foi preciso um exército para escrever esta história. A minha família, amigos, ídolos, adversários, equipe, parceiros e ao Brasil. Este ouro é nosso.”

Urnas desacreditadas

As fake news disseminadas pela extrema-direita produziram efeito devastador no eleitorado. Hoje, pouco mais da metade dos brasileiros (53%) diz confiar nas urnas eletrônicas, enquanto 43% afirmam ter dúvidas sobre sua integridade, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada no domingo 15. A desconfiança é maior entre evangélicos (52%) e eleitores de Jair Bolsonaro (69%), que foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral, em 2023, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão refere-se ao episódio em que o então presidente reuniu embaixadores no Palácio da Alvorada para desacreditar o sistema de votação, sem apresentar provas ou indícios de fraude. À época, a Corte o declarou inelegível por oito anos.

Violência vicária/ Covardia até o fim

Para punir a esposa, secretário de Itumbiara mata os dois filhos

Thales Machado cometeu suicídio após atirar contra os garotos – Imagem: Redes Sociais

Na quinta-feira 12, Thales Machado, secretário de Governo de Itumbiara, no interior de Goiás­, matou a tiros os dois filhos, de 12 e 8 anos, e em seguida tirou a própria vida. O caçula chegou a ser socorrido na UTI de um hospital estadual, mas morreu no dia seguinte. A tragédia é apontada como caso de violência vicária, quando o agressor atinge terceiros, inclusive os próprios filhos, para punir a companheira. Em crise conjugal, Machado suspeitava de uma traição da esposa, que passou a ser atacada nas redes sociais após o crime – como se a responsabilidade fosse da mãe enlutada.

“O mais grave dessa situação é a manipulação. O assassino e também suicida construiu uma narrativa para culpabilizar a vítima, que, neste caso, é a mulher. Ela teve os filhos assassinados, teve a imagem dela e a história dela expostas e a responsabilidade, na tragédia, pela narrativa social e pelo machismo, recai nela”, lamentou a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, Estela Bezerra. “Esse tipo de violência tenta punir a mulher e responsabilizá-la pelo crime cometido. Quem mata escolheu matar. Não é responsabilidade da mulher.”

Memória/ Mestre da emoção contida

Robert Duvall soube como poucos explorar a força do silêncio nas atuações

O ator tem um Oscar e 175 produções no currículo – Imagem: Mark Ralston/AFP

Robert Duvall foi uma presença marcante na Nova Hollywood – aquele momento, na década de 1970, no qual o cinema norte-americano misturou força e ousadia. ­Duvall, morto na segunda-feira 16, aos 95 anos, em sua casa, na Virgínia, trabalhou com alguns dos maiores diretores da história.

Com Robert Altman fez M.A.S.H. (1970); com Sidney Lumet, Rede de Intrigas (1976); e com Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefão (1972) e Apocalypse Now (1979). Nesses filmes, seu sutil equilíbrio entre a contenção e a intensidade chamou atenção do mundo.

Por O Poderoso Chefão Duvall foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Uma década depois ganharia a estatueta como Melhor Ator pelo papel de um cantor de música country com a carreira em declínio e entregue ao alcoolismo no longa A Força do Carinho (1983). Os personagens ambíguos seriam uma marca em sua carreira.

Seu nome aparece em nada menos que 175 produções para cinema e televisão. Sua última participação em um longa-metragem foi com uma ponta em O Pálido Olho Azul (2022).

Enfim, um acerto do ICE

Os agentes do ICE finalmente prenderam um bad guy, como Donald Trump costuma chamar os imigrantes em situação irregular no país. Trata-se de Armando Fernández Larios, ex-agente da Direção de Inteligência Nacional do Chile (Dina), responsável por sequestros, torturas e execuções durante a ditadura de Augusto Pinochet. Segundo a Human Rights Watch, Larios fugiu para os EUA, em 1987, após confessar o assassinato do ex-ministro chileno Orlando Letelier e de sua assistente norte-americana Ronni Moffitt, mortos em um atentado a bomba, em Washington, em 1976. O acordo judicial permitia que cumprisse cinco meses de prisão e depois permanecesse nos EUA sem extradição. Ele está na lista de 42 chilenos detidos divulgada pelo Departamento de Segurança Interna em 27 de janeiro.

Peru/ Instabilidade permanente

Congresso destitui presidente José Jerí após quatro meses no cargo

Jerí é o sétimo chefe de Estado a cair em um período de dez anos – Imagem: Lino Chipana/Presidência do Peru

Em um julgamento político relâmpago, o Congresso do Peru destituiu, na terça-feira 17, o presidente interino José ­Jerí, que estava no cargo há apenas quatro meses. Ele foi acusado de suposto tráfico de influência, após a revelação de encontro fora da agenda oficial com um empresário chinês que possui contratos com o governo. A moção de censura foi aprovada com 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções, encerrando o mandato-tampão iniciado após a queda de Dina Boluarte, em outubro do ano passado.

Jerí é o sétimo presidente a cair em dez anos, em um país onde se tornou corriqueira a deposição de chefes de Estado pelo Legislativo, bastando maioria simples para aprovar uma moção de censura. Desde 2016, o Peru vive um conflito permanente entre um Parlamento fortalecido e um Executivo enfraquecido, em meio à fragmentação partidária e à falta de consenso político. A decisão ocorre a apenas dois meses da eleição geral marcada para 12 de abril, com um recorde de 30 candidatos presidenciais.

Publicado na edição n° 1401 de CartaCapital, em 25 de fevereiro de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’

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