CartaCapital

assine e leia

Briga de foice

Em meio ao caso Master, aos desvios de emendas e à disputa eleitoral antecipada, os poderes se engalfinham

Briga  de foice
Briga  de foice
Vorcaro voltou para a cadeia. Toffoli e Moraes foram arrastados e arrastaram o Supremo para o centro do escândalo. A história abalou a unidade que o colegiado vinha demonstrando – Imagem: Polícia Federal/Polícia Penal e Sergio Lima/AFP
Apoie Siga-nos no

Três deputados do PL de Jair Bolsonaro estão no corredor da morte política por causa de falcatruas com emendas parlamentares, verbas inseridas no orçamento público por congressistas. O trio começou a ser julgado no Supremo Tribunal Federal na terça-feira 10 e, se condenados, podem ir para a cadeia, perder o mandato e ficar inelegíveis. A Procuradoria-Geral da República acusa os parlamentares de montar uma quadrilha de comércio de emendas. O deputado Josimar Maranhãozinho seria o chefe e o Pastor Gil, do Maranhão, e Bosco Costa, de Sergipe, os comparsas. No episódio que os levou ao banco dos réus, a trinca tentou arrancar 1,6 milhão de reais de um prefeito maranhense em troca de 6,6 milhões destinados à cidade em 2019 e 2020. Detalhe: o cobrador da comissão em nome dos acusados, um agiota conhecido como Pacovan, foi assassinado em 2024.

A eventual condenação dos três tem tudo para ampliar o curto-circuito em Brasília provocado pelo escândalo do finado Banco Master. Quanto mais claro ficar ao País que as emendas se prestam à corrupção generalizada e ao desarranjo do presidencialismo, maior a chance de o Supremo acabar com a obrigação de o governo liberar dinheiro de forma automática. E isso o Congresso não aceita. O STF está em maus lençóis perante a opinião pública e precisa limpar a barra. A ofensiva contra os penduricalhos salariais da magistratura encaixa-se aí. Idem a cruzada de Edson Fachin, presidente da Corte, por um Código de Ética, tema que racha os ministros do tribunal. Dois deles foram tragados pelo caso Master: Alexandre de Moraes e José Dias Toffoli. A Polícia Federal encontrou mensagens de celular aparentemente trocadas pela dupla com Daniel Vorcaro, o dono do ex-banco, enquanto a mídia noticiou elos financeiros de ambos com o banqueiro, levado de volta à prisão preventiva. A banca advocatícia da esposa de Moraes foi contratada a peso de ouro por Vorcaro. E este injetou dinheiro em uma empresa da família de Toffoli por meio da compra de parte de um resort por um fundo de investimento.

Enquanto o STF julga deputados por desvios do orçamento, o Congresso quer uma CPI contra a corte

Os bolsonaristas do Senado querem uma CPI contra os dois togados e há as assinaturas mínimas necessárias. Colocar o Supremo na berlinda é o sonho da oposição, desde que ficou claro que o tribunal não deixaria Bolsonaro escapar da cadeia por tentativa de golpe. A encrenca de Moraes e Toffoli quebrou a unidade no STF e deixou seus integrantes na bronca com a PF. Na reunião que decidiu pelo afastamento de Toffoli dos inquéritos do Master em fevereiro, sobraram críticas à polícia. O que significa, de quebra, insatisfação com Lula, pois a PF está na seara do governo. O presidente jogou o ministro e ex-advogado-geral da União aos leões, ao permitir que auxiliares soprassem à mídia sua sugestão de aposentadoria do magistrado. A postura do petista lembra Dilma Rousseff, na Operação Lava Jato, de não gastar capital político na defesa de ninguém. Nem mesmo do filho Fábio Luís da Silva, chamado de Lulinha, atingido pelas apurações sobre fraudes no INSS (ver quadro à página 12). Motivo: Lula não tem ibope para queimar.

“O clima está muito ruim, é de imprevisibilidade. Pode até haver uma crise institucional. Precisamos de uma solução política”, afirma o senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco. A solução exige a participação de Lula. Para um parlamentar lulista, o presidente precisa ouvir outros conselheiros, não só os atuai­s, que basicamente são os ministros do Palácio do Planalto, os líderes congressuais do governo e a cúpula da legenda.

O ministro Dino é o relator do inquérito dos desvios de emendas parlamentares – Imagem: Luis Silveira/STF

O ambiente político e midiático carregado contribuiu para produzir algo que espanta Costa. Desde dezembro, cresce o número de brasileiros que acreditam na piora da economia. Eram 38% no fim de 2025, agora são 48%, conforme recente pesquisa Quaest. No ano passado, houve avanço do PIB, embora menor do que em 2024, o desemprego era o mais baixo e o salário médio, o mais alto. No levantamento Quaest, o tema “corrupção” pulou para o segundo lugar nas preocupações nacionais, com 20%, atrás apenas de “violência”, com 27%. Ex-presidente do PT e do comitê eleitoral de Lula em 2022, o deputad­o Rui Falcão, de São Paulo, costuma dizer que quando a “corrupção” se torna assunto dominante, quando há um clima “lavajatista”, quem paga o pato é o governo.

É o que acontece no embalo do escândalo do Master. Outra pesquisa recente, do Canal Meio, mostrou: 35% ligam o caso ao Supremo, 21% ao governo, 18% ao Congresso e 26% a todo mundo. Surge aos poucos um ambiente similar àquele da eleição de 2018, vencida por Bolsonaro: ninguém presta na política, o caminho é um outsider, papel que o filho presidenciável do capitão quer para si. O senador Flávio representa um risco golpista como o pai, sobretudo ao Supremo. No ano passado, deu uma entrevista na qual declarou abertamente que um indulto ao patriarca exigiria “o uso da força” contra o STF. “A gente está falando da possibilidade de interferência direta entre os Poderes.” Flávio, aliás, assinou o pedido de comissão de inquérito contra Toffoli e Moraes, mas o considera “ilegal”. “Não pode instalar CPIs para investigar crimes comuns de pessoas”, declarou em público.

Os deputados Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa estão no banco dos réus – Imagem: Wesley Amaral/Agência Câmara e Redes Sociais

No Senado, o caso Master motiva outra proposta de CPI, esta com foco nas bandalheiras originais, as irregularidades financeiras do ex-banco e os personagens que tomaram decisões pró-Vorcaro. “Os fatos estavam a favor do governo no debate. As ‘narrativas’ viraram o jogo. Temos que desvirar”, afirma o proponente da CPI, Rogério Carvalho, do PT sergipano. Por “narrativas”, entenda-se a ação oposicionista nas redes sociais, terreno dominado pelo bolsonarismo. Com a colaboração do noticiário convencional, a oposição iguala episódios de significado e importância distintos. Por exemplo, Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça em 2024 e 2025, foi contratado como consultor do Master antes de entrar no governo. Ao que se sabe, não tomou qualquer decisão favorável a Vorcaro. Ao contrário, com ele no ministério, a PF prendeu o agora ex-banqueiro pela primeira vez.

Outro caso: Guido Mantega, ministro da Fazenda de Lula no passado, também era consultor do Master. Levou Vorcaro ao presidente em dezembro de 2024. O banqueiro queria proteção contra o que considerava perseguição e campanha difamatória dos rivais. Não adiantou. Sob a batuta de Gabriel Galípolo, nomeado por Lula, o Banco Central fechou o Master em novembro de 2025. Quando Vorcaro­ foi a Lula, o BC era chefiado por um indicado de Bolsonaro, Roberto Campos Neto. A gestão de Campos Neto autorizou o Master a operar, depois de Vorcaro ter comprado o que restava de uma instituição prestes a ser fechada por causa de umas safadezas, o Máxima. Incentivar fintechs para enfrentar os grandes bancos era uma política do então presidente da instituição.

Segundo pesquisas, mais eleitores ligam os desvios do Master ao Palácio do Planalto do que ao Congresso

Em 2021, Campos Neto renovou a permanência na Diretoria de Fiscalização de um servidor que ocupava o posto desde 2018. Era Paulo Sérgio Novaes de Souza, diretor até 2023. Souza estaria no bolso do Master, conforme a PF. Seria informante e prestador de serviços de Vorcaro, fazia vista grossa às irregularidades. Em troca, receberia propina, como uma viagem à Disney. O chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, seria outro subornado. Após deixar a diretoria, Souza foi para a repartição de Santana, era seu adjunto. Por ordem do STF, ambos estão com tornozeleira eletrônica desde 4 de março e foram afastados das funções no BC. Adendo: apesar das evidências, há uma campanha na mídia para eximir Campos Neto de responsabilidade.

Dado o empurrão do presidente do Banco Central à época, não surpreende Vorcaro ter se engajado financeiramente na reeleição de Bolsonaro. Em 10 de outubro de 2022, início do segundo turno, o capitão recebeu no Palácio da Alvorada líderes e influencers religiosos. O objetivo era montar uma guerra santa contra Lula. Naquele dia, o cunhado de Vorcaro doou 3 milhões de reais à campanha do capitão. Fabiano Zettel, o mecenas, é pastor da Igreja Batista da Lagoinha, em cujo canal de tevê Vorcaro foi apresentador e cantor gospel. A denominação fica em Minas Gerais. Seu líder é o pastor André Valadão. Este voou a Brasília no dia da trama evangélica no Alvorada. Estava em um jatinho pertencente a uma empresa que tinha Vorcaro como sócio, a Prime You. Levava de carona um vereador mineiro que havia acabado de se eleger o deputado mais votado do País: Nikolas Ferreira, do PL. Na semana seguinte, Ferreira decolaria em um jatinho ligado a Vorcaro para uma caravana no Nordeste em prol de Bolsonaro.

Campos Neto , protegido pela mídia, e os comparsas de Vorcaro no BC: Souza e Santana – Imagem: Beto Nociti/BC, Pedro França/Agência Senado e Redes Sociais

A menos que essa turma tenha uma boa explicação, as viagens nas asas de Vorcaro configuram gastos de campanha de Bolsonaro e não foram declaradas à Justiça Eleitoral. Seus protagonistas podem ser processados por crime eleitoral. Uma das punições possíveis seria a expulsão da vida pública por oito anos. PT e PSOL foram a duas jurisdições diferentes com pedidos de abertura de processo.

Além dos dois servidores do BC suspeitos de corrupção, quem meteu a mão na massa pelo Master foi o governo do Distrito Federal. Na Câmara dos Deputados, há desde fevereiro um pedido de CPI semelhante àquele de Rogério Carvalho, com foco na atuação do banco estatal de Brasília. O BRB comprou 12 bilhões de reais em carteira de crédito fajuta do Master em 2024 e 2025, depois tentou adquirir metade da instituição, a fim de encobrir o trambique, segundo investigadores. Os negócios entre o BRB e o Master garantem ao escândalo a condição de maior fraude bancária da história nacional. A situação do governador do Distrito Federal, o bolsonarista Ibaneis Rocha, do MDB, é delicada. Não à toa, Rocha contratou um dos advogados mais experientes e caros de Brasília, Antônio­ Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

O governador Ibaneis Rocha tem batom na cueca, mas anda relegado a segundo plano – Imagem: Kiko Paes/Agência Brasília

Em 2024, quando a situação do Master ficou crítica, o fundo Reag, que, diz a PF, era usado por Vorcaro em negócios escusos, aportou 38 milhões de reais no escritório de advocacia do governador, embora Rocha diga que quem toma conta da banca é o filho. Ao depor à PF em dezembro, o banqueiro contou ter se reunido com o emedebista para tratar da aquisição de parte do Master pelo BRB, anunciada nove meses antes. No celular de Vorcaro, a PF encontrou mensagens de agosto nas quais ele dizia à namorada que estava com “o governador” a traçar uma “estratégia de guerra”. Por aqueles dias, uma ala do Congresso, liderada pelo PP da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, ameaçava aprovar uma lei para acabar com a autonomia do BC, caso a autoridade monetária barrasse a transação entre BRB e Master. Em vão: no início de setembro, o BC proibiu. Agora, a instituição financeira distrital busca formas de tapar o rombo bilionário deixado pelos negócios com o Master. Rocha topa sacrificar bens públicos de Brasília, conforme lei proposta por ele e recém-sancionada. Em sua defesa, tem dito que agiu por recomendação do antigo presidente do banco estatal, Paulo Henrique Costa.

“O Ibaneis está metido até o pescoço no escândalo”, afirma o deputado Rodrigo Rollemberg, do PSB, ex-governador do Distrito Federal. É ele o proponente da CPI protocolada em fevereiro na Câmara. Embora não haja comissão de inquérito a funcionar entre os deputados, o presidente da Casa, Hugo Motta, até hoje não decidiu sobre o requerimento. Pelas regras internas, podem coexistir até cinco CPIs ao mesmo tempo. Rollemberg recorreu ao Supremo com um mandado de segurança para obrigar Motta a se pronunciar. Em 2021, o tribunal mandou o Senado instalar uma CPI da Covid, mesmo diante do silêncio do então presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, sob o argumento de que as cúpulas da Câmara e do Senado não podem filtrar a criação de comissões de inquérito. Se um pedido cumprir os requisitos formais, que haja a CPI. Nem Motta, na Câmara, nem Davi Alcolumbre, no Senado, querem mexer no vespeiro do Master.

Sóstenes Cavalcante comentou com interlocutores de um acordo com Mendonça para mirar em Lula

Num sinal de que o algoritmo dos sorteios eletrônicos de processos no Supremo é um debochado, o mandado de Rollemberg foi parar no gabinete de Toffoli. E este abriu mão de cuidar do caso. Alegou suspeição por razões de foro íntimo. Graças ao Código de Processo Civil, juízes podem declarar-se suspeitos por foro íntimo sem dar explicações. Quando Toffoli deixou os inquéritos do Master, ele e os colegas de STF assinaram uma nota pública. O texto dizia que os integrantes da Corte rejeitavam a suspeição de Toffoli invocada pela PF. E ressaltava: “Reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli” à frente dos processos. Era uma vacina contra a eventual tentativa dos advogados de Vorcaro de anular provas com base na alegação de suspeição do relator. E agora? Esses advogados usarão o episódio do mandado em uma tentativa dessas? Seria curioso: desconfia-se de que Toffoli seria parcial justamente a favor do ex-banco. Cristiano Zanin, sortea­do como novo relator, negou na quinta-feira 12 o mandado de segurança impetrado por Rollemberg.

Os inquéritos sobre o Master correm no STF aos cuidados de André Mendonça, um juiz que também pode ser visto com desconfiança. Indicado à Corte por Bolsonaro, ele é “terrivelmente evangélico”, como dizia o capitão, um magistrado “ideológico”, na definição de um colega. Vorcaro é evangélico, seu cunhado Zettel também (era, inclusive, pastor da Igreja da Lagoinha até estourar o escândalo, em novembro). Um dos melhores amigos de Mendonça em Brasília é o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, outro evangélico do enredo. Dias antes do estouro do escândalo, Cavalcante comentou com um interlocutor que a CPI do INSS iria para cima da família de Lula e que estava tudo combinado com Mendonça, igualmente relator do inquérito sobre as fraudes previdenciárias. Coincidência o juiz ter determinado a quebra dos sigilos de Lulinha?

O presidente da Câmara, Hugo Motta, tem segurado a instalação de CPIs – Imagem: Kayo Magalhães/Agência Senado

Em outubro, Mendonça nomeou como assessor um delegado federal de sua confiança. Thiago Marcantonio Ferreira havia exercido o mesmo papel quando Mendonça era ministro da Justiça de Bolsonaro. Segundo um colega de PF, Marcantonio é conservador, como a maioria dos policiais, embora não chegue a ser bolsonarista. Por ter ocupado altos cargos no tempo do capitão, possuía informações valiosas no início do governo Lula. O atual­ chefe da PF, Andrei Rodrigues, teria tentado fazer um acordo com ele: um bom posto na corporação em troca de informações sobre a era Bolsonaro. Marcantonio não topou e foi escanteado. Resultado: enxerga Rodrigues como desafeto.

As digitais bolsonaristas estão por toda parte no escândalo do banco master

Marcantonio é experiente, está na polícia há duas décadas. É capaz de levantar informações para Mendonça a respeito dos rumos das investigações do caso Master e do INSS, dar dicas ao juiz sobre o que há ou não nos inquéritos, quem está encrencado ou não. Na primeira decisão como relator, Mendonça enviou dois recados à PF e a Rodrigues. Nenhum inquérito novo decorrente das apurações em curso deve ser aberto sem autorização prévia do Supremo. E nada que for descoberto pode ser levado ao conhecimento de ninguém que não seja participante das investigações, nem mesmo “superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”. Recorde-se: Rodrigues entregou um relatório de 200 páginas a Fachin com achados do inquérito do Master sobre Toffoli e, com base na papelada, requereu a suspeição do juiz.

Há muitos fios desencapados no curto-circuito em Brasília. •


Bala de festim

A investigação sobre Lulinha “não vai encontrar nada”, diz o advogado Marco Aurélio de Carvalho

O filho do presidente é vítima de “vilania”, afirma Carvalho – Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil

A quebra do sigilo bancário de Fábio Luís da Silva, filho de Lula, não trouxe nada de comprometedor no caso das fraudes previdenciárias. Ao menos, naquilo vazado pela CPI do INSS, uma das responsáveis pelo pedido. Não há pagamentos feitos por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Daí, a defesa de Lulinha pretende solicitar ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o arquivamento do caso. A pedido da Polícia Federal, o juiz havia autorizado a quebra do sigilo do primogênito do presidente. “A bala de prata da oposição é de festim. A investigação não vai encontrar nada contra o Fábio, vai servir para desfazer todas as dúvidas sobre ele”, diz Marco Aurélio de Carvalho, conselheiro jurídico de Lulinha.

CartaCapital: O presidente Lula pediu ao filho que preste esclarecimentos públicos sobre o caso?
Marco Aurélio de Carvalho: De fato, o presidente falou com seu filho algumas vezes e transmitiu o desejo de que Fábio viesse a público para esclarecer toda e qualquer dúvida que ainda pudesse pairar sobre sua conduta na vida pessoal e profissional. Ele sabe que o filho já foi vítima de vilanias e injustiças e acredita na presunção de inocência, mas acha que o melhor remédio, nesse caso, é a transparência.

CC: E o que Fábio pretende fazer?
MAC: Ele orientou seus advogados a manifestarem em juízo a sua disposição voluntária, espontânea e efetiva de colaborar com a Justiça no esclarecimento dos fatos. Antes mesmo da quebra do seu sigilo, Fábio já tinha apresentado ao ministro André Mendonça essa disposição de colaborar. E isso foi antes, bem antes, do pedido da Polícia Federal de quebra do sigilo.

CC: Depois da quebra do sigilo bancário, as informações vazadas não apontaram vínculos com o “Careca do INSS”. Qual era a relação do Fábio com ele? Ou não havia relação?
MAC: Ele conhece e esteve circunstancialmente com o Antunes, mas não tinha relação profissional, nunca teve nem pretendia ter. Isso vai ficar claro conforme os esclarecimentos forem apresentados ao ministro André Mendonça. Importante dizer que o Fábio nunca recebeu dinheiro do “Careca do INSS”, seja por questões relacionados ao INSS ou por qualquer outra.

CC: Quem pagou a viagem do Fábio a Portugal em junho de 2024? A PF encontrou um localizador de passagens válido para ele e a empresária Roberta Luchsinger, que fez negócios com Antunes.
MAC: O Fábio pretende apresentar esclarecimentos ao ministro André Mendonça. Ele esteve de fato no mesmo voo (que o “Careca”). Mas, repito: o Fábio pode afirmar de forma categórica que nunca recebeu dinheiro de Antunes nem tem qualquer tipo de relação direta ou indireta com os fatos apurados na CPI do INSS. Ele já foi vítima de todo tipo de vilania num passado recente: lhe atribuíram a propriedade de uma Ferrari de ouro, de uma fazenda com milhares de cabeças de gado, de um conjunto grande de ações da JBS, de fazendas na Região Norte. Ele recebe com indignação mais esta tentativa de afetar a sua honra.

Publicado na edição n° 1404 de CartaCapital, em 18 de março de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Briga de foice’

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo