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O filósofo que provou a existência da alma

Vanguardas do Conhecimento

Gottfried Willhelm Leibniz (1646-1716) foi um pensador alemão que se debruçou sobre diversas áreas: matemática, física, lógica, filosofia, direito, música…Diz-se que ele sabia sobre tudo o que se podia saber no seu tempo e ainda mais.  

Apesar de não ser tão conhecido quanto outros sábios da mesma época, a exemplo de Isaac Newton (1643-1727), as suas descobertas não são menos importantes. Leibniz e Newton teriam, inclusive, desenvolvido independentemente, ao mesmo tempo, o cálculo diferencial e o cálculo integral, ambas expressões criadas por Leibniz em trabalho publicado antes daquele de Newton.  

Dentre os muitos temas metafísicos estudados por Leibniz estão: como o corpo físico humano é “animado” e as supostas coincidências gritantes que acontecem em nossas vidas, clamando a nossa atenção para a existência de algo maior.

Um dos conceitos desenvolvidos por ele e que influenciou diversos pensadores foi o de sincronicidade, estudado por Carl Jung, que o cita algumas vezes em “Sincronicidade: um princípio de conexões acausais”.

A sincronicidade fala da ideia de que nem tudo é causal e mecânico, algo que fora desenvolvido nos últimos 120 anos em diversas ciências, como a física e a biologia. Leibniz e Jung defendiam que nem tudo seria causal, pois há muitas situações que ocorrem aparentemente como um acaso, mas que estão “acausalmente” conectadas com as demais.

Leibniz foi influenciado por Blaise Pascal (1623-1662) em muitos temas e um deles quebrava com a própria base do pensamento moderno, que era a crítica à lógica formal engessada do cartesianismo e à visão das coisas em dualidades. Leibniz não via mente e corpo como entes separados, nem entendia que é possível um ser tão complexo como o humano constituir-se apenas de mente e corpo.

Em sua obra “Monadologia”, publicada em 1720, Leibniz trabalhou o conceito de mônada, que vem sendo hoje crescentemente estudado pela filosofia espiritualista. É claro que ele não comprovou cientificamente a existência da alma segundo a forma como alguns veem a prova científica, mas, se entendermos que matemática é ciência e que as provas na matemática são realizadas, não raro, de forma meramente lógica, talvez seja possível afirmar que Leibniz produziu prova científica.

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Quando se fala na prova científica da alma, comete-se um engano – às vezes inconsciente, às vezes consciente – acerca do que seria ciência e prova científica. Parte-se do pressuposto de que ciência é apenas aquilo material, que se vê, que se toca, estrangulando toda ela a apenas um dos seus vieses.

Nem mesmo física e biologia trabalham hoje como antes. A física clássica, para a qual Leibniz deu contribuições marcantes com seus avanços em função, cálculo e outras áreas, era muito mais material do que é a física quântica, que trabalha com o invisível a olhos nus, falando de humanos compostos de matéria e energia, de interligação entre tudo e todos etc.

Se a própria ciência do século XIX for estudada a fundo, sem preconceitos, com base em muitos dos maiores nomes da humanidade, como William Crookes (1832-1919), inventor do radiômetro, será muito difícil alguém negar que os humanos são “animados” por uma alma.

Crookes publicou diversos artigos científicos sobre estudos minuciosos que fez com médiuns, tendo, inclusive, registrado em foto o que ele alegava ser a materialização de um espírito desencarnado. Basta pesquisar com seriedade.

Diversos outros célebres estudiosos, dentre eles alguns vencedores do Prêmio Nobel, investigaram o “invisível”, quase sempre com o objetivo de provar que espíritos, plasma e outros objetos de estudo não existiam, mas terminaram convencendo-se do contrário.

Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof, Paul Gibier, César Lombroso, Charles Richet (Nobel de Medicina), Alexis Carrel (Nobel de Medicina) foram apenas alguns dos que encontraram evidências fortes sobre a existência de um mundo invisível ainda pouco explorado pela ciência até hoje por medo e preconceito.

Criador da máquina de multiplicar, Leibniz, por sua vez, dispondo à época de tecnologia ainda parca, fez como Sócrates, Platão e outros sábios da humanidade que defenderam a existência da alma, ou seja, usou sua genialidade para argumentar logicamente a respeito do assunto com base em suas observações empíricas, contando com insights fabulosos.

Apesar de alguns negarem hoje a existência da alma baseados no argumento de que não há prova científica, sem pesquisar sobre o assunto empiricamente nem estudar sobre ele com mais atenção, boa parte dos maiores sábios da humanidade reconheceram a sua existência com grande vigor, pois, em sua maioria, além dos argumentos sólidos, viveram alguma experiência espiritual.

Leibniz afirma que a mônada é a substância simples que entra nos compostos, pois tudo o que é composto precisa ter partes e, então, haverá uma parte elementar, mais simples. Hoje a física ainda busca a partícula elementar, não a tendo encontrado, mas já se sabe que ela é muito menor do que antes se imaginava, invisível aos olhos humanos.

As mônadas seriam os “verdadeiros Átomos da Natureza”. Apesar disso, não seriam elementos básicos todos iguais, pois nada é completamente igual. Se podemos perceber cada mônada, é lógico que tenham qualidades semelhantes e distintas.

Segundo Leibniz, as mônadas também evoluem, como todo ser criado. Sendo assim, é preciso uma causa primeira “inteligente”, perfeita e absoluta que as faça evoluir, e ele disse isso antes mesmo de Allan Kardec, que publicou seus livros no século XIX.

As almas seriam substâncias com percepções mais distintas do que as mônadas e dotadas de memória. Todos os seres têm alma, para Leibniz, ideia hoje defendida pela filosofia espiritualista mais avançada, porém as almas humanas se distinguiriam pela maior capacidade de conhecer a si mesmo e a Deus.

Para aqueles que querem estudar seriamente os temas espirituais, sem acreditar ou desacreditar prematuramente devido aos seus pré-conceitos, Leibniz é um autor fantástico: complexo, ousado, um homem muito à frente do seu tempo e atual até hoje. 

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