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Ciro, FHC e Marina falham com o Brasil

Vanguardas do Conhecimento

Não é novidade para os brasileiros que boa parte dos políticos não age primordialmente por sua consciência, nem pelo bem da maioria da população. Repetidamente, eles provam que agem, sobretudo, com base nos seus interesses pessoais e dos seus partidos, os quais, em regra, conflitam com os interesses do povo.

É evidente que, uma vez na política, surge uma preocupação com a imagem, com aquilo que dá mais votos etc. No entanto, isso precisa ser bem balanceado com os interesses da população, que devem ter maior peso. Ao menos, poucos devem discordar que assim agiria um político honrado e comprometido com o seu país, difícil de encontrar por estas bandas.

Dentre aqueles com um mínimo de consciência, parece ser pouco discutível que as atuais eleições, a serem decididas nesta semana, serão um ponto de transformação do Brasil, que ainda se recupera da maior crise política e econômica da sua história, e de uma consequente convulsão social que pode se agravar quando for colocada em prática a recente promessa do líder nas intenções de voto de prender ou mandar para fora do país seus adversários.

Essa declaração é apenas mais uma das aberrantes afirmações públicas que fez Bolsonaro nos últimos anos. Para além dos seus seguidores lobotomizados, é difícil alguém negar a mente autoritária e superficial do candidato do PSL, que certamente trará consequências bizarras para o país, ainda piores do que as do governo Temer, e ninguém imaginava que seria possível superá-lo na mediocridade.

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A imprensa, os artistas e os intelectuais estrangeiros parecem estar mais preocupados com a situação atual do Brasil do que os políticos do nosso país. Ciro Gomes e Marina Silva, que vociferavam sobre o risco que seria Bolsonaro para o Brasil, simplesmente desapareceram. FHC dá declarações tímidas, sempre preocupado com sua vinculação ao PT.

O fato é que, desde a subida repentina e suspeita de Bolsonaro a partir dos dias anteriores ao primeiro turno de votações, muitos políticos desapareceram do cenário, uma vez que têm medo de serem associados a Haddad, cuja rejeição, que era bem menor, ultrapassou a de Bolsonaro.

Para um democrata de verdade e defensor do país, não é possível calar-se acerca da declaração de Eduardo Bolsonaro sobre fechamento do STF. Aplaudidos por uma horda de ignorantes agressivos, Jair Bolsonaro e filhos difundem ideias que, em uma situação normal, seriam causa para fortes reprimendas e perda de apoio. Mas, não se trata de uma eleição normal.

Num pleito dominado pelas “notícias mentirosas” (fake news) e pelo ódio, é imprescindível que os democratas proeminentes atuem junto ao seu eleitorado para que o país possa vir a ser liderado por um democrata ou, na pior das hipóteses, para que a população tenha mais consciência sobre o que está por vir. Ninguém consciente negaria que o professor Fernando Haddad, que nem é político de carreira, seja um típico democrata progressista e que daria muito mais estabilidade e progresso ao país.

É uma irresponsabilidade o que Ciro, Marina, FHC e outros estão fazendo ao omitir-se neste momento. Não basta dar “apoio crítico” a Haddad ou aconselhar voto contra Bolsonaro. Quem quer realmente o bem do Brasil deveria continuar na imprensa demonstrando as barbaridades do candidato, como fazia no primeiro turno quando tinha o interesse de ir ao segundo.

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Não se trata de apoiar o PT, e ajudar na superação dessa dualidade “petistas e anti-petistas” é um dever dos líderes políticos. Não fosse essa falsa ideia de que o segundo turno consiste em o PT corrupto e o Bolsonaro não corrupto, Haddad estaria à frente nas intenções de voto.

É curioso como Ciro Gomes esperava que o PT desistisse do pleito e o apoiasse, mas ele, amplo conhecido como egóico que só age segundo seus interesses, como prova neste exato momento, iria fazer o mesmo se estivese no lugar dos petistas?

A atitude infame de Ciro de tirar férias no exterior quando se viu fora do pleito, alguém que passou os últimos anos se vendendo como o grande defensor do Brasil, aquele que fala o que pensa e chama a responsabilidade para si, só prova que ele não é exatamente o que vende. As férias não poderiam esperar 3 semanas? A temperatura européia não iria cair tanto neste período.

Marina Silva, que teve votação pífia, deve saber que isso se deve ao fato de ela não ter linha ideológica e programa claro. Marina “samba” para todos os lados sem definir realmente quem é politicamente e o que quer. Foi mais uma que surfou na onda anti-petista nos últimos tempos e prefere não atacar Bolsonaro para não trazer o ódio de seus eleitores a si.

FHC é o que mais tem se manifestado na imprensa, ainda que também de forma tímida se considerarmos a importância do momento atual.

Aparentemente, o lado democrático do país já se prostrou e está aceitando de bom grado a ascensão de um autoritário venerador de torturadores. Ainda há tempo de reverter esse quadro eleitoral, mas muitos políticos parecem estar mais preocupados em não fortalecer o PT do que em defender o lado menos pior (ou um pouco melhor, a depender da perspectiva).

Haddad não chegou ao segundo turno de forma desonesta. A força do PT ainda é inegável, apesar de todos os equívocos grosseiros. Aqueles que perderam no primeiro turno precisam tomar uma posição mais contundente neste momento e atuar ao máximo para que o país não caia nas trevas que certamente será um governo Bolsonaro, considerando que nas sombras o Brasil já estava há muito tempo com a incompetente Dilma e, mais tarde, com o desastroso Temer.

Não é difícil fazer uma leitura do que será um governo Bolsonaro, aprofundando as pautas de Temer, como restrição de direitos trabalhistas e escola sem viés crítico, e indo ainda bem mais fundo em propostas retrógradas como em relação à liberação de armas, redução da maioridade penal, restrições a direitos homoafetivos etc.

Em pouco tempo, muitos estarão contra Bolsonaro, como foi com Temer, mas não darão o braço a torcer, pois, segundo eles, o mal do país é unicamente o PT. O país continuará polarizado, haverá muito barulho por conta das propostas de Bolsonaro, que admite não entender profundamente de quase nada, e continuaremos em instabilidade.

Haddad, apesar de membro do PT, seria muito mais indicado para uma união nacional e uma grande junção de democratas poderia levar a isso, mas quem deveria tomar a frente se omitiu e a história irá cobrar desses líderes titubeantes.

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