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Oswaldo Cruz e o Dia Nacional da Saúde

O médico deixou um legado que se expressa no trabalho de excelência da fundação que leva o seu nome

Foto: Wikimedia Commons Foto: Wikimedia Commons
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Por Chico D’Angelo*

O dia 05 de agosto, no calendário de efemérides brasileiras, é o Dia Nacional da Saúde. A data é uma referência ao aniversário de nascimento do Dr. Oswaldo Cruz (1872), sanitarista que liderou as campanhas para a erradicação da febre amarela, da peste bubônica e da varíola no país.

Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Oswaldo Cruz morou em Paris entre 1897 e 1899, estudando microbiologia, soroterapia e imunologia, no Instituto Pasteur, e medicina legal no Instituto de Toxicologia. Retornando da Europa, participou da comissão de Eduardo Chapot-Prévost que estudou a mortandade de ratos e o surto de peste bubônica na cidade de Santos.

Radicado no Rio de Janeiro, foi diretor do Instituto Soroterápico Federal, na Fazenda de Manguinhos. O objetivo inicial da instituição era o de pesquisar e fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica. Desde então é rigorosamente impossível se contar a história da saúde pública no Brasil sem falar nas pesquisas e vacinas desenvolvidas em Manguinhos.

Ao combater a febre amarela como chefe da Diretoria Geral de Saúde Pública do Rio de Janeiro, Oswaldo Cruz lidou com a descrença de médicos e da população. A maioria achava que a doença se transmitia pelo contato com as roupas, suor, sangue e secreções de doentes. Ancorado na ciência, Oswaldo Cruz defendia que o transmissor da febre amarela era um mosquito.

Em 1904, os constantes surtos de varíola levaram o sanitarista a sugerir a lei da vacinação obrigatória. Os jornais lançaram uma campanha contra a medida, o congresso também manifestou-se contra e uma liga contra a vacinação chegou a ser criada. No dia 13 de novembro, estourou a rebelião contra a vacina obrigatória. Depois de uma semana, o governo sufocou a rebelião, mas a obrigatoriedade da vacina foi revogada.

Mesmo lidando com a oposição aguerrida, Oswaldo Cruz foi bem sucedido: em 1907, a febre amarela estava erradicada do Rio de Janeiro. No ano seguinte, 1908, em uma nova epidemia de varíola, a população procurou os postos de vacinação.

A saga do médico não parou por aí. Oswaldo Cruz liderou uma expedição a 30 portos marítimos e fluviais de Norte a Sul do Brasil para estabelecer medidas sanitárias com regras internacionais, foi protagonista da reforma do Código Sanitário do Brasil e reestruturou todos os órgãos de saúde e higiene do país na Primeira República.

Com a equipe do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), nome que o Instituto Soroterápico passou a ter em 1908, fez o levantamento das condições sanitárias do interior do país, comandou o duro combate à malária durante a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, na Amazônia, e a febre amarela na região.

Falecido precocemente, com apenas 44 anos, Oswaldo Cruz deixou um legado que se expressa no trabalho de excelência da fundação que leva o seu nome, a Fiocruz. Em um momento em que o governo federal exibe o descaso criminoso com a saúde diante da crise sanitária causada pela Covid19, o apoio aos pesquisadores brasileiros na luta contra a pandemia é urgente e necessário. São eles os verdadeiros heróis da batalha cotidiana pela ciência e pela vida nos nossos duros dias.

* Chico D`Angelo é deputado federal (PDT-RJ).

Redação Projeto Brasil

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