O trabalhismo e a esquerda

'A tradição trabalhista está na origem das reformas de base pensadas por Celso Furtado e propostas por João Goulart'

O economista Celso Furtado, em 1983. Imagem; Reprodução/TV Cultura

O economista Celso Furtado, em 1983. Imagem; Reprodução/TV Cultura

Projeto Brasil

Por Chico D’Angelo*

A história das lutas de esquerda no Brasil não pode ser contada sem o trabalhismo; sobretudo aquele que, inspirado em alguns princípios getulistas sobre o papel do estado como propulsor do desenvolvimento e da inclusão da classe trabalhadora no processo civilizatório brasileiro, ganhou contornos sociais cada vez mais profundos com João Goulart e Leonel Brizola.

 

 

A tradição trabalhista, afinal, está na origem das reformas de base pensadas por Celso Furtado e propostas por João Goulart. Está também na resistência ao golpe de 1961, com a cadeia da legalidade formada por Leonel Brizola; e do encampamento de empresas que atuavam como cartéis lesivos ao interesse público, que Brizola realizou quando governou o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro.

Não se conta, também, a história da luta por uma educação pública, universal e de qualidade no Brasil, sem a referência ao trabalhismo. Nesse sentido, é importante mencionar Darcy Ribeiro, figura fundamental do trabalhismo que, no final da ditadura militar, voltou do exílio e filiou-se ao recém criado PDT, para acompanhar Leonel Brizola na retomada das lutas que o golpe de 1964 tentou aniquilar.

Pensando a necessidade da escola integral, recuperando o legado do grande educador Anísio Teixeira, concebendo a escola como um espaço criativo e libertador, Darcy ousou comprar a briga contra os barões da educação privada e os agentes do sucateamento do ensino público, imaginando a escola como o grande espaço de inclusão social em um país desigual. Foi essa a base dos Cieps.

É crucial lembrar também que o trabalhismo foi vanguarda na luta contra o racismo. Abdias do Nascimento, figura maior da luta contra o racismo e senador e deputado federal pelo PDT, gostava de lembrar que com ele, a pauta de defesa e afirmação do negro pela primeira vez era representada por um negro na Câmara Federal.

O meu compromisso, como parlamentar do PDT, é absolutamente vinculado à tradição de esquerda do trabalhismo brasileiro, aquela que fundamentou a Carta de Lisboa de 1979 (documento em que os trabalhistas, liderados por Leonel Brizola, clamaram pela reestruturação do trabalhismo como uma corrente democrática e de esquerda no processo de desmonte da ditadura militar).

Meu campo de ação permanece o mesmo em que atuei ao longo da minha trajetória como militante social e parlamentar; estou ao lado dos compromissados com a luta pelo socialismo. Na militância partidária, defendo o PDT de Brizola, Darcy e Abdias do Nascimento: soberania nacional, justiça social, saúde e educação públicas, combate firme ao racismo e a todas as formas de intolerância.

 

*Chico D’Angelo é deputado federal (PDT-RJ)

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