House of Mãe Joana: palmas para Odorico Bolsonaro e o filho zero à esquerda

A Banana Republic Original Series (ou o resumo semanal do hospício, porque este Brasil deixou de ser sério faz tempo)

Cadê a Damares, que nessa hora não desceu da goiabeira?

Cadê a Damares, que nessa hora não desceu da goiabeira?

Blogs,House of Mãe Joana,Humor

Sinopse. Neste episódio, Bolsonaro vai à ONU, certamente uma referência a outro personagem da teledramaturgia brasileira, Odorico Paraguaçu, cuja fala em frente ao prédio das Nações Unidas circula fartamente na internet. No núcleo genocida da novela, Wilson Witzel está “satisfeito com o resultado que vem sendo alcançado”: já são cinco as crianças mortas por maconheiros psicopatas. Para relaxar, Silvio Santos convida o público a apreciar um desfile de meninas da categoria sub-10, e apontar qual delas tem as melhores pernas e o colo mais bonito. Enquanto a “sórdida” Fernanda Montenegro queima na fogueira de Alvim, o esquilo, o vereador federal tripudia com os “calcinha encravada”. 

A agência de checagem Aos Fatos analisou 11 pontos do discurso de Bolsonaro na ONU. Apenas dois são verdadeiros: 90% dos médicos cubanos deixaram o Brasil e venezuelanos fugiram para cá. O resto é “falso”, “insustentável” ou “inconsistente”. Mas, no Twitter, Sérgio Moro fez questão de reafirmar seu desprezo aos fatos: 

“Discurso assertivo na ONU, pontos essenciais, soberania, liberdade, democracia, abertura econômica, preservação da Amazônia, oportunidades e desenvolvimento para a população brasileira”.

A que o jornalista Fábio Pannunzio, ex-Band e recém-embarcado no bote comunista em que viajam Reinaldo Azevedo e Rachel Sheherazade, entre muitos outros, respondeu:

“Puxa-saco! Não foi nada disso. Foi um vexame esse discurso reacionário, extemporâneo e tão cheio de teorias da conspiração. Moro, ou você realmente é um mentecapto ou é  o funcionário do Bolsonaro mais desprovido de senso crítico entre toda essa turma de narizes vermelhos”. 

Mas, senhores, por que a discussão? Conforme ensina o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Felipe Garcia Martins, é só chamar o João.

“Nas questões do clima, da democracia, dos direitos humanos, da igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, e tantas outras, tudo o que precisamos é isto: contemplar a verdade, seguindo João 8:32, ‘conheceis a verdade, e a verdade vos libertará’.”

A culpa é do Witzel, mas, para o Witzel, quem mira na cabecinha é Marcelo D2

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, fez duas declarações sobre o assassinato da menina Ágatha, alvejada pelas costas no Complexo do Alemão:

“Eu estou satisfeito com o resultado que vem sendo alcançado. Esse é um caso isolado”.

“Aqueles que usam substâncias entorpecentes de forma recreativa, façam uma reflexão. Vocês são responsáveis pela morte da menina Ágatha: vocês que usam maconha e cocaína e dão dinheiro para genocidas.”

No Twitter, o cantor Marcelo D2, do Planet Hemp, ajudou o governador a elaborar melhor seu pensamento:

“Se não tivesse traficante, ele não estava matando crianças. Por que ninguém pensou nisso antes? É só falar pros caras parar de traficar, porque senão o governador vai matar criança!”

Alvim, o esquilo, tentou queimar Fernanda Montenegro

A revista de literatura Quatro Cinco Um trouxe em sua capa a atriz Fernanda Montenegro como uma bruxa prestes a ser queimada em uma fogueira de livros. O dramaturgo Roberto Alvim, diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, desaprovou a cena. Em seu Facebook, Alvim, o esquilo, começou assim:

“Um amigo meu, bem-intencionado, me perguntou se não era hora de mudar de estratégia e chamar a classe artística pra dialogar. Não. Absolutamente não”.

E foi se diminuindo num crescendo:

“A foto da sórdida Fernanda Montenegro como bruxa sendo queimada em fogueira de livros, publicada hoje na capa de uma revista esquerdista, mostra muito bem a canalhice abissal destas pessoas”.

Ao final, quase propôs, bem, a fogueira:

“Temos, sim, que promover uma renovação completa da classe teatral brasileira. É o único jeito de criarmos um renascimento da Arte no Teatro nacional. Porque a classe teatral que aí está é radicalmente podre e com gente hipócrita e canalha como eles, que mentem diariamente, deturpando os valores mais nobres de nossa civilização, propagando suas nefastas agendas progressistas, denegrindo nossa sagrada herança judaico-cristã, bom – com essa corja. Não há diálogo possível (sic)”

E. Ponto final.

Assim como Witzel, Silvio Santos dá sinais de que precisa ser interditado. No domingo 22, ao apresentar crianças com menos de 10 anos num surreal “Concurso Miss Infantil”, no SBT, convidou o público a julgar seus atributos físicos:

“Vocês no auditório vão ver quem tem as pernas mais bonitas, o colo mais bonito, o rosto mais bonito, e o conjunto mais bonito”.

Também no SBT, o programa Domingo Legal mantinha na tela uma tarja com a seguinte pergunta: “Qual das candidatas vai conquistar o coração do Guilherme?” Enquanto isso, as pretendentes participavam de uma disputa para ver quem passava melhor duas camisas de homem.

House of Mãe Joana tem como um de seus grandes protagonistas o vereador federal Carlos Bolsonaro, o zero à esquerda de número 2. No episódio desta semana, 02 atesta ser “fato” o intercurso anal sem manifestação de dor. 

“Governo Bolsonaro investe em mais recursos para pesquisas de verdade e não aqueles padrões que ensinam como queimar a rosca sem sentir dor!”

O 02 parece não ter lidado bem com pesquisas e estudos, sobretudo da língua portuguesa:

“Os militantes vão perdendo recursos de doutrinação para que o brasileiro que leva a sério os estudos possa dar resultados e tire nosso país na condição de chacota internacional em pesquisas (sic)” .

E a bolha vai se tornando impenetrável. De modo que é preciso tratar certas tuitadas de Carluxo como rebentos dadaístas:

“Ver os ‘calcinha encravada’ e os ratos se rasgando não tem preço! Imaginem seus representantes rebolando na ONU”.

Este repórter foi ao Google buscar pistas sobre os tais “calcinha encravada”. Infelizmente, só havia links para o XVideos.

 

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Editor-executivo online de CartaCapital, correspondente das Notícias do Hospício e apresentador da série O Infiltrado (History).

Compartilhar postagem