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House of Mãe Joana: amor e ódio apimentam o episódio da semana

A Banana Republic Original Series (ou o resumo semanal do hospício, porque este Brasil deixou de ser sério faz tempo)

Damares Alves seleciona currículos de pretendentes, mas alerta: não está no Tinder.  “Ainda” ..
Damares Alves seleciona currículos de pretendentes, mas alerta: não está no Tinder. “Ainda” ..
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É clichê, mas costuma funcionar. Amor e ódio apimentam o episódio desta semana. Enquanto a ministra Damares Alves reúne currículos de pretendentes, no Tinder e em outras paragens, Alexandre Frota e Joice Hasselmann se desentendem com Eduardo Bolsonaro, após o trainee de embaixador escalar o seu time dos sonhos no PSDB. O papai Jair deu um novo significado à palavra golpe. O governador mineiro Romeu Zema, por sua vez, denunciou a conspirata da Constituição de 1988 contra a classe política. A libertação de Lula também resultou em efusivas declarações de afeto, de Steve Bannon ao deputado Coronel Tadeu. Love is in the air, cabra da peste!

Para o presidente, em 1964, o Brasil não sofreu um golpe militar

Ao comentar a crise na Bolívia, onde o presidente Evo Morales foi forçado a renunciar pelas Forças Armadas, Jair Bolsonaro tratou de esclarecer que não se trata de um golpe de Estado:

“A palavra golpe é usada muito quando a esquerda perde, né? Quando eles ganham, é legítimo. Quando perdem, é golpe”.

Bolsonaro é coerente em seus desvarios. Quando ainda era um histriônico e inexpressivo deputado, o ex-capitão celebrava todos os anos, em 31 de março, o golpe de 1964. Ou melhor, a “revolução”. Golpe foi só para a esquerda derrotada…

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo, descobriu quem “conspira contra a classe política”. Engana-se quem aposta as fichas nos movimentos de “renovação política” ou na operação Lava Jato, o problema está no livrinho que Ulysses Guimarães apresentou em 1988:

“A Constituição transformou o Brasil num país um tanto quanto ingovernável, com tantas exigências, com tantas exceções, que fica difícil você ser um bom gestor”

Recentemente, o deputado federal Capitão Augusto, do PL, um dileto aliado de Bolsonaro e do ministro Sérgio Moro, também demonstrou o seu apreço à Constituição:

A publicação do Capitão Augusto

Libertado de um sequestro de 580 dias, o ex-presidente Lula responsabilizou o “lado podre” da Justiça por sua temporada no cárcere, após uma condenação por “atos indeterminados” e sem provas. Mesmo votando contra a prisão após condenação em segunda instância, o que permitiu a soltura do petista, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, sentiu o golpe:

“O Judiciário e a Justiça são feitos para a pacificação social. Se alguém quer se valer da Justiça para uma luta social, não vai conseguir. A Justiça não tolerará uma crise institucional e saberá agir a tempo e a hora”

O engraçado é que o ministro silenciou diante do ataque do deputado Coronel Tadeu, do PSL, partido que elegeu Bolsonaro:

“Não vejo a hora do Lula morrer. Não é discurso de ódio e sim de paz. O histórico desse sujeito não deixa saudades”

Gandhi e Martin Luther King teriam muito a aprender… 

Outro inconformado com a libertação de Lula é Steve Bannon, estrategista da campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos e um dos principais ideólogos da extrema-direita mundial. Em entrevista à rede britânica BBC, Bannon não escondeu o temor da Jararaca:

“Agora que está livre, Lula vai virar um imã para a esquerda global se intrometer na política brasileira. Ele é o ‘poster boy’ da esquerda globalista”

Ainda que a Terra seja plana, o mundo segue em misteriosas voltas. E não é que Olavo de Carvalho, ex-astrólogo e ideólogo do bolsonarismo, finalmente achou um ponto de convergência com Toffoli, um de seus alvos preferenciais no Judiciário?

“O Toffonhonho tem razão. O problema não é o STF.  Faltou acrescentar: o problema é quem manda no STF, o Foro de São Paulo”

Quem diria, o Foro de São Paulo agora controla o STF. Se tivesse chegado antes, talvez o tribunal tivesse barrado o impeachment de Dilma e as arbitrariedades da Lava Jato.

Filho 03 do presidente, trainee de embaixador, líder do PSL na Câmara e incansável garoto-propaganda de CartaCapital, Eduardo Bolsonaro está em clima de campanha, atacando pelo Twitter os potenciais adversários do papai em 2022:

Dudu “ataca”

Enxotada da liderança do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann, do PSL, da escalação para ser cheerleader:

“Quando acho que o moleque fez todas as asneiras possíveis, ele surpreende! Quero ver com que cara o filhote, líder do caos, vai pedir votos no PSDB para o papai aprovar projetos PARA O BRASIL atacando o governador de SP @jdoriajr! PSDB tem 32 votos, seu inconsequente! Que Burrice ilimitada”

O capitão Alexandre Frota, ex-ator pornô e ex-PSL, também não gostou da provocação ao seu novo partido, o PSDB:

“Como você vê, embaixador, aí não tem corrupto e ninguém faz rachadinha como sua famîlia fez. Outra: você deveria estar preocupado em trabalhar, tirar as fraldas, deixar de ser mimado e frouxo. Você precisa crescer deixar de ser mentiroso. Doria não está em campanha como seu pai”

Durante um evento em Brasília, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, voltou a dizer que está à procura da metade de sua laranja, bate coração.

“Estou entrando no Tinder para achar um marido. Eu posso, sou uma jovem senhora quase idosa”

De acordo com o Correio Braziliense, um senhor da plateia se candidatou ao posto, e Damares não escondeu a empolgação:

“Pega o currículo dele, assessoria”

Pouco depois, nas redes sociais, desapontou os pretendentes com a revelação de que tudo não passou de uma brincadeira:

“Todo mundo confundiu. Eu não estou no Tinder, ainda!”

O aplicativo de paquera não perde por esperar.

Fred Melo Paiva

Fred Melo Paiva Editor-executivo online de CartaCapital, correspondente das Notícias do Hospício e apresentador da série O Infiltrado (History).

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