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Qual o segredo do sucesso do futebol feminino norte-americano?

A seleção feminina dos Estados Unidos é mais bem-sucedida e gera mais dinheiro que a masculina

(Foto: Arquivo pessoal)
(Foto: Arquivo pessoal)

A qualidade do futebol apresentado pelas jogadoras norte-americanas chama atenção para a modalidade e quebra a fala machista de que “mulher não sabe jogar futebol”. A seleção feminina dos Estados Unidos é mais bem-sucedida e gera mais dinheiro que a masculina. A hegemonia do país no esporte, principalmente pelas mulheres, gera um questionamento de qual seria o segredo.

As categorias de base são um dos pilares da hegemonia. Além disso, o investimento na categoria permite que sempre ocorra uma renovação de qualidade, permitindo que o futebol permaneça de alto nível.

O diferencial do país é que desde muito cedo as meninas têm a possibilidade de praticar o esporte e, quando mais velhas, têm a possibilidade de utilizá-lo como uma forma de conseguir uma bolsa na universidade. Esse elo entre esporte e educação é um dos principais motivos para a qualidade do futebol feminino, já que a sua prática em alto nível garante a permanência na universidade. Esse modelo atrai atletas do mundo todo, principalmente brasileiros e brasileiras. Segundo dados da pesquisa Selo Belta 2019, da Associação das Agências Brasileiras de Intercâmbio, em 2018 três mil indivíduos embarcaram para cursar a graduação com bolsa parcial e/ou total devido ao esporte.

Ana Caroline Lopes, jogadora que defendeu o Botafogo no último campeonato brasileiro de futebol feminino série A-2, ganhou uma bolsa para uma das universidades norte-americanas e está fazendo uma vaquinha online para conseguir o dinheiro necessário para o seu primeiro ano. A possibilidade de conciliar as duas áreas, esporte e estudos, foi o que contou na decisão dela.

Esse também foi o caso de Maíra Abreu de Campos, de 25 anos. “Fui para os Estados Unidos primeiramente pela oportunidade de continuar jogando o esporte que amo. Além disso, tive a oportunidade de fazer minha faculdade, o que ajudou muito na minha decisão”, diz.

O elo esporte e educação é fundamental para esse desenvolvimento da modalidade nos Estados Unidos. “Muitas atletas visam uma bolsa estudantil para a faculdade e são raros os atletas profissionais que não têm faculdade completa. Numa boa faculdade, as atletas têm tudo pago: o meio de transporte para jogos, alimentação em bons restaurantes e estadias em hotéis. No Brasil sabemos que as atletas têm que arcar com todas essas coisas na maioria das vezes”, narra Maíra. “O gasto nos EUA também é grande, mas é recuperado a partir do momento em que elas ganham uma bolsa e não precisam pagar pelos quatro anos na faculdade que é absurdamente cara.”

Além disso, o incentivo ao futebol feminino começa desde cedo. “Nos EUA há ligas e clubes para as meninas desde os três anos de idade. Tem competições e jogos que estimulam a competição.”

Maíra também teve dificuldades. O estilo de jogo norte-americano é diferente do brasileiro. “Nos EUA, as meninas não são tão habilidosas quanto as brasileiras, mas são mais disciplinadas e focadas. No Brasil raramente temos uma estratégia tática. Temos as formações em que jogamos, nada mais. No jogo americano tínhamos estratégias tanto ofensiva quanto defensiva: o que fazer com a bola, o que fazer quando perder a bola e como pressionar o oponente para recuperar a bola”, conta. “O futebol feminino tem tentado se adequar a isso hoje. Os treinadores precisam trabalhar mais para construir uma estratégia tática, mas as meninas em campo precisam ser disciplinadas.”

A jogadora aprovou a experiência. Hoje, além de fluente no inglês, é assistente-técnica e preparadora de goleiros na Cairn University e está no segundo ano de mestrado. Trabalha também com o Torch Sports ministry como assistente e preparadora de goleiras. Maíra pretende continuar sua carreira como treinadora e fazer o que puder para ajudar o desenvolvimento do futebol feminino no Brasil.

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