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Por que ainda há a supremacia masculina no futebol feminino?

A falta de representação feminina também está presente na CBF, que não possui nenhuma mulher em sua diretoria

(Foto: CBF)
(Foto: CBF)

No campo do esporte, é possível perceber distinções nas modalidades em relação ao gênero praticante. Existem alguns que são vistos, socialmente e culturalmente, como masculinos e, outros, feminino. Assim, no mundo atual, é perceptível que existe a diferença entre homens e mulheres no esporte e que isso é gritante se for observar o investimento e patrocínio.

O futebol é um dos esportes com maior distinção de gênero. Isso até por uma questão histórica, que as mulheres eram proibidas de praticar o futebol e hoje muita gente ainda possui esse pensamento. Sendo que, o futebol, no Brasil, é muito presente, mas prioritariamente o masculino.

No último domingo 23, a seleção feminina de futebol foi eliminada da Copa do Mundo, que acontece na França, pelo time da casa, um dos favoritos ao título. A equipe, que antes era uma das mais fortes da modalidade, estava, antes do torneio, há nove jogos seguidos sem ganhar.

Ao analisar o time, pode-se ver jogadoras experientes e com talento. Marta, por exemplo, se tornou a jogadora com mais gols em Copa entre homens e mulheres. Formiga foi a primeira jogadora a participar de 7 Copas do Mundo. Isso sem citar o restante das jogadoras que também possuem ótimas conquistas e números.

Mas, se podemos encontrar questões positivas na seleção, por que ainda não há a valorização e por que houve a desestruturação do time?! Por trás da queda do time feminino, é possível encontrar o comando masculino, desde a CBF à equipe técnica, que só possui uma mulher, atendendo a determinação da FIFA de que deve haver pelo menos uma representante feminina nas comissões.

O atual técnico da seleção, Vadão, é quem está a frente do time na pior série de derrotas dele nessa modalidade. Durante a Copa do Mundo, foi possível perceber que houveram improvisações de posições, além de um desajuste tático. No último jogo da fase de grupos, por exemplo, foi possível ver um recuo do time brasileiro após ter marcado um gol contra a Itália, mas, caso tivesse feito outro gol ou ido para frente, o time poderia ter enfrentado a China, algo mais fácil. Com isso, é possível perceber a exigência de que o time brasileiro consiga jogar contra qualquer seleção, mas sem o ideal preparo. Já no jogo contra as francesas, a estratégia foi de fechar espaços, mas isso fez com que atacantes tivessem que voltar para ajudar a controlar as jogadas, além de não haver uma criação de jogadas no meio-campo. Além disso, na prorrogação, as jogadoras estavam bem desgastadas e sem forças de garantir a classificação ou a disputa por pênaltis.

É possível perceber que há uma tolerância em relação ao atual técnico, Vadão, que continua à frente da equipe mesmo diante de um cenário ruim. Mas, isso não aconteceu com a antecessora, Emily Lima, que foi a primeira mulher a comandar a seleção, e não conseguiu completar nem um ano no comando da equipe.

A falta de representação feminina também está presente na CBF, que não possui nenhuma mulher em sua diretoria. Isso faz com que as mulheres não recebam o apoio necessário e nem a própria representação. Sendo que isso pode afastar mulheres do próprio esporte por não se sentirem pertencente a esse espaço.

A partir desse cenário, pode-se perceber que ainda há o comando dos homens em relação ao futebol feminino. Só que isso, como evidenciado a cima, tem desqualificado a seleção. Então, até onde vai a supremacia masculina, inclusive dentro de práticas esportivas femininas?

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