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Futebol une as pessoas pelo amor e segrega pelo dinheiro

O preço médio dos ingressos mais baratos no Campeonato Brasileiro aumentou 300% em dez anos, enquanto a inflação no período foi de 90%

Foto: Ricardo Stuckert / CBF
Foto: Ricardo Stuckert / CBF
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No Brasil, a cultura esportiva é algo muito forte. As pessoas vibram, choram e ficam nervosas quando há partidas de seu esporte preferido e, principalmente, se o time ou atleta do coração estiver competindo. Com esse grande apreço pelo esporte, muita gente encontrou nele o espaço para subir na vida, como um “coringa” para a inclusão social. No país do futebol, é esse o esporte que costuma ser a meta para a maioria das crianças.

Assim, muitos meninos crescem com o sonho de se tornarem jogador de futebol. Jogam futebol na rua de casa, no campinho do bairro ou na rua mesmo. O futebol começa sendo uma brincadeira para distrair e, muitas vezes, torna-se a meta de profissão.

Mas é complicado ser amante do futebol quando o ingresso para o estádio é caro. Não há uma ação de possibilitar o acesso de todos que querem acompanhar seu time em sua caminhada. Sendo que, muitas vezes, o ato de ir ao estádio faz com que o torcedor se sinta pertencente da multidão de pessoas que possuem o mesmo amor.

A elitização do futebol brasileiro é uma tendência atualmente, principalmente após a Copa do Mundo de 2014, a Copa das reformas milionárias. Um estudo da Pluri Consultoria aponta que o preço médio dos ingressos mais baratos no Campeonato Brasileiro aumentou 300% em dez anos, enquanto a inflação no período foi de 90%.

Então, ao mesmo tempo que o futebol une as pessoas pelo amor, ele segrega pelo dinheiro. Somente pessoas que possuem uma renda mais alta conseguem arcar com o custo de ir ao estádio e acompanhar seu time, porque além do preço do ingresso, tem o custo da alimentação, que também é alto nesses lugares.

Assim, sem garantir a ida aos jogos, muitas pessoas deixam de assistir a algumas partidas, pelo fato de depender da transmissão da TV. Grande parte da população brasileira possui acesso somente a TV aberta, assim, assiste ao que está passando. Consequentemente, a parcela mais pobre da população, que costuma ver o futebol como momento de lazer, é excluída dos momentos de seu time. Paralelamente a isso, pode-se perceber que há a modernização do futebol, que envolve o alto custo da manutenção dos times e dos estádios, e acarretou uma mudança do perfil do torcedor, já que a fidelidade ao time agora pesa no bolso.

Isso reflete, muitas vezes, no apoio que o time possui da torcida para enfrentar suas fases. Porque, quando a equipe passa por momentos difíceis em campeonatos, é normal ver as arquibancadas mais vazias durante as partidas. Mas será que se o preço não fosse mais acessível não teria mais amantes do time naquele momento demonstrando espírito de luta?

Esse fato também pode provocar afastamento das crianças em relação ao esporte, porque, com a mudança do perfil dos torcedores, aqueles que não se enquadrarem nele podem perder o sentimento de pertencimento. Com isso, pode haver um afastamento e pouco sentimento que una o torcedor ao seu time. Assim, pode haver menos contato com os jogos, o que acarretará em menos conhecimento do futebol por parte dos pequenos.

De fato, é possível perceber que o principal lazer do povo brasileiro está sendo afastado do mesmo. É necessário mudanças ou atitudes por parte da CBF e dos próprios times, para que exista uma integração da população menos favorecida. Isso evitará que uma das maiores diversões do povo brasileiro seja afastada dos mesmos.

Futebol por Elas

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