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‘Futebol depois da louça lavada’ está (ufa!) no passado

A Rede Globo, com a transmissão de domingo, alcançou média de 18,5 pontos de audiência, com pico de 21

(Foto: CBF)
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Um evento espetacular que transcende o futebol e vai além do jogo dentro de campo. A Copa do Mundo de futebol provoca uma junção de sensações no torcedor, que vibra a cada segundo, chora, dá pitacos mesmo do outro lado da televisão. No Brasil, é perceptível que o futebol e os eventos esportivos são um marco cultural.

Mas e quando falamos sobre o futebol feminino? Sobre a Copa do Mundo de Futebol Feminino? É perceptivo que o futebol, no Brasil, quando praticado pelo gênero feminino, não possui o mesmo tratamento (e espaço) nos meios comunicativos, por diversos fatores. O futebol masculino teve sua primeira aparição no Brasil no final do século 19, enquanto o feminino foi proibido até 1979.

O futebol feminino teve registros na mídia durante a década de 70 até a de 80, de forma tímida e parcial. As notícias eram marcadas por uma visível incredulidade quanto ao futebol das mulheres. A reportagem publicada pelo Jornal do Brasil identifica tal fato, possuindo como manchete “O futebol depois da louça lavada”. Dessa forma, pode-se perceber que a prática era ridicularizada pela mídia. Posteriormente, a mídia apresentou a atleta como ideal de beleza. Esse fato inibiu ainda mais a prática esportiva e dava visibilidade à beleza e sensualidade feminina. Na década de 1990, as narrativas produzidas pelos meios de comunicação dissertavam sobre o padrão estético superar as técnicas das jogadoras.

A Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2019 teve início na última sexta-feira 7. O primeiro jogo da seleção brasileira aconteceu no domingo 9, e, pela primeira vez na história, os jogos estão sendo transmitidos em rede aberta. Além de vermos um progresso no tratamento que vem sendo dado a esse esporte, há também um progresso na procura da própria população pela transmissão do jogo, isso porque a Rede Globo, com a transmissão, alcançou média de 18,5 pontos de audiência, com pico de 21.

A vitória do time brasileiro sobre a Jamaica pode promover outra reflexão, dessa vez a respeito do incentivo dado para a seleção. É nítido que, além de mais visibilidade da mídia, a seleção masculina recebe maior dinheiro e maior investimento. E isso não se resume apenas aos salários superiores dos jogadores, mas também sobre o interesse das marcas de patrocinarem a modalidade quando praticada pelo sexo feminino. Só que, apesar dessa realidade, o time feminino foi quem conseguiu a vitória no primeiro jogo da Copa do Mundo, enquanto há um ano, em 2018, a equipe masculina empatou em 1×1 contra a Suíça.

Além disso, pode-se notar que, no time feminino, não há uma dependência de uma jogadora. Mesmo sem Marta em campo e vindo de um cenário de nove derrotas, as meninas conseguiram controlar a partida, ter maior posse de bola e marcar 3×0.

Portanto, pode-se notar que as meninas não foram à França a passeio e possuem muito talento e jogo para mostrar para a população brasileira. Nota-se, também, que há um progresso no tratamento feito pela grande mídia, o que pode ajudar no rompimento com o preconceito histórico e passando a valorizar mais a prática esportiva, conquistando um destaque sem as submeter a um papel inferior ao masculino.

CartaCapital
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