Fora da Faria
Uma coluna de negócios focada na economia real.
Fora da Faria
Feliz dinheiro novo
As festas públicas de Réveillon injetaram 4,5 bilhões de reais nas economias do Rio de Janeiro e de São Paulo
Entrar no Ano-Novo com dinheiro no bolso é o sonho de qualquer brasileiro. Nisso, as festas da virada, a cada ano, se transformam em eventos geradores de receita para diversos setores da economia. As duas maiores, em São Paulo e no Rio de Janeiro, são os exemplos disso.
A Riotur estimou 5,1 milhões de participantes distribuídos nos 13 palcos da cidade, sendo 2,6 milhões só em Copacabana. Foram 12 minutos de fogos com 19 balsas e show de 1,2 mil drones. A prefeitura do Rio avalia um impacto econômico de 3,34 bilhões de reais. A Riotur investiu 21,5 milhões de reais para a produção e a infraestrutura. Foram autorizados a trabalhar 2 mil ambulantes. O Réveillon do Rio foi reconhecido no ano passado como o maior do mundo, título confirmado pelo Guinness Book.
Em São Paulo, os organizadores estimaram um público de 2 milhões na Avenida Paulista. O investimento para o evento foi de 13 milhões de reais, com 6,1 milhões de reais em cachês. Um estudo da Fundação Getulio Vargas, encomendado pela Secretaria Municipal de Cultura, projeta que o Réveillon na Paulista movimente 1,147 bilhão na economia paulistana, com efeitos em hotelaria, alimentação, transporte e comércio. Somados, os dois eventos injetaram na economia mais de 4,5 bilhões de reais.
Ano-Novo chinês
A BYD está comemorando a virada na corrida da eletrificação ao superar a Tesla em escala global, quando se considera o conjunto de veículos eletrificados, o que inclui os 100% elétricos (BEV) e híbridos plug-in (PHEV). A montadora chinesa encerrou o ano com perto de 4,55 milhões de unidades vendidas, puxadas por um equilíbrio raro entre PHEVs e BEVs, que chegaram a 2,29 milhões e 2,26 milhões de unidades vendidas. No mesmo período, a Tesla ficou em torno de 1,6 milhão de entregas, mantendo foco quase exclusivo em modelos totalmente elétricos.
O avanço da BYD não é apenas numérico – ele revela um modelo de negócio. Ao oferecer híbridos plug-in como “ponte” para quem ainda convive com limitações de recarga e custo, a marca ampliou o público da eletrificação e sustentou volumes mesmo em cenários de incentivos mais instáveis. A empresa também se beneficia da integração vertical (especialmente em baterias e componentes), o que ajuda a controlar custos, acelerar lançamentos e disputar preço em vários segmentos, do carro urbano aos modelos familiares.
Para a Tesla, o momento marca uma fase de pressão competitiva maior: mais rivais, guerra de preços e um mercado que deixou de ser “só crescimento” para virar disputa por margens, diferenciação e ritmo de renovação de portfólio. No balanço, 2025 reforçou uma nova realidade: liderança em eletrificação passou a depender menos de aura de pioneirismo e mais de escala industrial, variedade de opções e custo final ao consumidor.
Mercado em jogo
Em 2025, o mercado global de jogos eletrônicos cresceu 7,4%, de acordo com dados divulgados pela consultoria especializada Newzoo. Em valores, o montante chegou a 197 bilhões de dólares. O número foi alcançado, principalmente, pelo desempenho mais forte nos jogos de computadores e mobile. Em setembro, a própria Newzoo trabalhava com uma alta de 3,4%, com o “console” liderando a aceleração.
O resultado que surpreendeu o segmento é fruto de uma junção de fatores como a safra cheia de lançamentos premium, manutenção de fôlego em títulos evergreen (que seguem gerando receita e engajamento) e um impulso extra vindo do ciclo de hardware – com destaque para o Switch 2 da Nintendo, um dos vetores de crescimento do segmento.
Segundo a Newzoo, o mercado brasileiro de jogos eletrônicos gira em torno de 2,7 bilhões de dólares, colocando o País em nono lugar no ranking mundial. A China ocupa a liderança com 53,2 bilhões de dólares.
Fim da picada
Em 2026, a corrida dos remédios contra a obesidade entra numa nova fase: o Wegovy em pílula chega ao mercado como alternativa diária ao injetável. O produto é uma formulação oral de semaglutida (o mesmo princípio ativo do Wegovy e do Ozempic), aprovada nos EUA no fim de dezembro, com lançamento comercial previsto para este início de ano.
A promessa é simples e poderosa: mais conveniência. Em vez de aplicação semanal, a pílula é tomada uma vez ao dia. Outra vantagem é a logística e o armazenamento, tanto nas farmácias quanto em casa. As seringas injetáveis precisam ser transportadas em veículos com a temperatura controlada e armazenadas em geladeiras. A facilidade de distribuição pode ampliar o alcance do produto. A possibilidade de transportar para qualquer local ajuda o consumidor em situações como viagens. •
Publicado na edição n° 1395 de CartaCapital, em 14 de janeiro de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Feliz dinheiro novo’
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