Fora da Faria
Uma coluna de negócios focada na economia real.
Fora da Faria
Desembarque chinês
A Haier é mais uma competidora no acirrado mercado de eletroeletrônicos
A gigante chinesa Haier desembarcou oficialmente no Brasil, reforçando a disputa no acirrado mercado de eletrônicos e eletrodomésticos. Fundada em 1984, em Qingdao, a empresa se consolidou como uma das maiores fabricantes globais do setor, com presença em mais de 160 países, forte atuação na Ásia, Europa e Estados Unidos.
No mercado brasileiro, a Haier estreia com um portfólio de tevês, geladeiras e máquinas lava e seca, além de aparelhos de ar-condicionado, posicionando-se no segmento premium, mas com discurso de preços competitivos diante das marcas consolidadas. A estratégia é clara: usar tecnologia embarcada, design e conectividade para diferenciar os produtos destinados a um público disposto a investir mais em performance e recursos inteligentes.
A empresa anunciou uma meta ambiciosa. Quer figurar entre os três maiores players de eletrodomésticos do País em cinco anos. Para isso, tem estruturado acordos com grandes redes de varejo físico e digital, além de investir em comunicação de massa com celebridades e criadores de conteúdo.
Marcas convocadas
Prepare-se para um desfile de marcas durante a Copa do Mundo, com mais jogos, mais programação, merchandising e impactos. As grandes marcas entram em campo em uma pirâmide comercial que busca atingir 6 bilhões de aficionados em todo o mundo. No topo estão os parceiros globais da Fifa, no meio os patrocinadores da Copa e, na base, os apoiadores regionais, cada camada com direitos, alcance e tíquete bem diferentes. A entidade projeta, para o ciclo de quatro anos, uma receita recorde de em torno de 13 bilhões de dólares, aproximadamente 2,7 bilhões de dólares apenas em contratos comerciais e de patrocínio, num Mundial que será o maior da história e disputado em três mercados-chave, Estados Unidos, México e Canadá. Na cota mais alta, os Fifa Partners associam a marca a todos os torneios organizados pela entidade. Adidas, Coca-Cola, Hyundai /Kia, Visa, Qatar Airways, Aramco e Lenovo formam o núcleo principal do investimento financeiro desse arranjo, com direitos globais de uso de marca, presença garantida em placas e fan fests, associação direta ao logo institucional e à própria taça. Os patrocinadores do torneio são Budweiser, Bank of America, Dove Men+Care, Hisense, Lay’s, McDonald’s, Mengniu e Verizon. Estes compraram o direito especificamente da edição de 2026, com exposição massiva durante o torneio, mas limitada ao evento.
Cazé total
O domínio da tevê aberta na Copa do Mundo está sob pressão como nunca. Em 2026, o Mundial marca a consolidação de um novo arranjo. A CazéTV, plataforma nativa de internet, assume o pacote mais robusto de direitos no Brasil, com transmissão de todos os 104 jogos ao vivo em ambiente digital, enquanto Globo e SBT dividem uma parte menor da oferta. A Globo, que por décadas concentrou quase sozinha a Copa, exibe pouco mais de 50 partidas, espalhadas entre tevê aberta, canais esportivos pagos e streaming próprio, incluindo todos os jogos da Seleção Brasileira. O SBT, em parceria com a N Sports, leva pouco mais de 30 confrontos, também com a Seleção em sua grade. Com a força da CazéTV e a penetração dos celulares em todas as camadas sociais, esta será, seguramente, a copa das telinhas.
Brinde à Moutai
O relatório global Kantar BrandZ de 2026 aponta as marcas de bebidas alcoólicas mais valiosas do mundo e confirma a força crescente das asiáticas nesse mercado bilionário. No topo da lista aparece a chinesa Moutai, seguida por Corona, Budweiser, Heineken e Modelo, que completam o grupo das cinco marcas de bebidas alcoólicas mais valiosas do planeta. Segundo a Kantar BrandZ, a marca chinesa é hoje a bebida alcoólica mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de 74 bilhões de dólares, valor mais de quatro vezes superior àquele da Corona, a segunda colocada. Produzida pela estatal Kweichow Moutai, a bebida é um baijiu, destilado tradicional chinês à base de sorgo. Tem teor alcoólico em torno de 53% e é associada a um processo produtivo complexo, oferta controlada e forte prestígio cultural, elementos que sustentam os preços elevados e a aura de luxo. A Kweichow Moutai tem origem em destilarias locais que ganharam fama no início do século XX e foram reorganizadas após a Revolução Chinesa, transformando-se em uma das marcas mais simbólicas do país. Ao longo das décadas, a bebida passou a ser associada a banquetes oficiais, celebrações de Estado e à diplomacia, o que reforçou seu valor como produto de prestígio dentro e fora da China. •
Publicado na edição n° 1414 de CartaCapital, em 27 de maio de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Desembarque chinês’
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



