Fora da Faria
Uma coluna de negócios focada na economia real.
Fora da Faria
Alta-fidelidade
O vinil domina as vendas físicas dos mercados fonográficos nos EUA e no Brasil
O retorno das mídias físicas no áudio já não é anedota retrô, mas um movimento mensurável. Em 2025, o mercado fonográfico dos Estados Unidos faturou 11,5 bilhões de dólares, e o vinil ultrapassou, pela primeira vez desde 1983, a marca de 1 bilhão de dólares em receita, com alta de 9,3% e 46,8 milhões de discos vendidos. O formato rendeu mais de três vezes a receita dos CDs e concentrou mais de 75% do faturamento físico, enquanto o CD arrecadou quase 312 milhões de dólares com 29,5 milhões de unidades.
O renascimento é puxado por catálogos clássicos e por grandes artistas pop. Dados da Luminate, empresa que sucedeu a Nielsen Music, SoundScan e PMRC, indicam Taylor Swift na liderança das vendas de LPs: The Life of a Showgirl vendeu perto de 1,6 milhão de cópias em 2025, ao redor de 3% de todo o vinil comercializado no país. Em seguida aparecem Man’s Best Friend, de Sabrina Carpenter (292 mil unidades), GNX, de Kendrick Lamar (279 mil) e Hit Me Hard and Soft, de Billie Eilish (192 mil), enquanto Rumours (Fleetwood Mac) e Thriller (Michael Jackson) mantiveram fôlego com 190 mil e 182 mil cópias, respectivamente. O fenômeno não se limita ao vinil. Globalmente, o mercado de fitas foi estimado em 320 milhões de dólares em 2024, com projeção de ultrapassar 500 milhões até 2033.
No Brasil, segundo a Pro-Música, o mercado de música gravada faturou 3,486 bilhões de reais em 2024. O streaming respondeu por mais de 75% da receita, mas o físico voltou a crescer. Os LPs representam entre 70% e 77% das vendas físicas e puxaram alta superior a 30% nesse nicho, enquanto CDs e DVDs seguem em queda. Em 2025, as vendas físicas avançaram 25,6% e seguem abaixo de 1% do total, mas ganham importância estratégica para artistas independentes e selos especializados.
Marcha lenta
A indústria automobilística brasileira começou 2026 em leve aceleração. No primeiro bimestre, foram emplacados 741.629 veículos novos, alta de 5,7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. No acumulado, os automóveis e comerciais leves somaram 333.702 licenciamentos, alta de 1,67% ante o primeiro bimestre de 2025, impulsionados por melhora nas vendas diárias em grandes centros. Motocicletas também sustentaram a expansão, com aumento de dois dígitos em algumas categorias, enquanto caminhões e ônibus abriram o ano em queda superior a 30%, à espera dos efeitos de programas de renovação de frota e da safra do agronegócio para ganhar tração ao longo de 2026.
Cápsula emagrecedora
A aprovação do Foundayo nos EUA marca um novo capítulo na corrida global por remédios contra a obesidade. No início do mês, a FDA autorizou o uso do comprimido oral diário da Eli Lilly, cujo princípio ativo é a orforgliprona, para tratamento da obesidade em adultos. O Foundayo é um agonista de receptor de GLP1, mesma classe de fármacos como Mounjaro e Zepbound, mas em forma de pílula. Pode ser tomado uma vez ao dia, em qualquer horário, com ou sem alimento, rompendo a lógica das injeções semanais.
Os estudos clínicos apresentados mostraram perda de peso média entre 12% e 15% após 72 semanas de tratamento, em comparação ao placebo, com perfil de segurança similar a outros GLP1. A Eli Lilly sinalizou que pretende pedir extensão da indicação para diabetes tipo 2 e levar o produto a dezenas de países. No Brasil, o dossiê está em análise na Anvisa, ainda sem data para chegar às farmácias. Produtos de uso oral tendem a aumentar a adesão ao tratamento, pois facilitam o armazenamento e o transporte.
TV 3.0
O Ministério das Comunicações deve liberar perto de 1,3 bilhão de reais para a compra de kits de recepção no padrão 3.0, formados por conversor (DTV+) e antena, a serem distribuídos gratuitamente a famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único. A ideia é contemplar, em uma primeira etapa, em torno de 1,9 milhão de domicílios antes da Copa do Mundo de 2026, garantindo que essas famílias possam receber sinal 4K com interatividade sem trocar o aparelho. Paralelamente, a Cofiex já autorizou o governo a captar até 500 milhões de dólares (perto de 2,7 bilhões de reais) em financiamento externo para apoiar a implantação da TV 3.0 em infraestrutura de emissoras e redes públicas. A Anatel também anunciou mais 40 milhões de reais para reforçar retransmissoras e projetos piloto em emissoras públicas, como a EBC e a Rede Legislativa. •
Publicado na edição n° 1408 de CartaCapital, em 15 de abril de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Alta-fidelidade’
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