Fashion Revolution

O desafio de manter a tradição do artesanato dos povos originários

O modelo foi se transformando em uma solução ‘barata’ para os grandes ateliês couture e de alta moda

Créditos: EBC
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O artesanato está atrelado à expressividade e ao registro cultural de um povo, e, em tempos de Hiper Fast Fashion, o desaceleramento se posiciona como antagônica ao mundo globalizado. 

Esse modelo foi se transformando em uma solução “barata” para os grandes ateliês couture e de alta moda que exploram o hemisfério sul e esvaziam a descendência antepassada construída pela mãos de muitos. Essa arte, aos olhos eurocêntricos, ainda é vista como algo “novo”.

As marcas dão visibilidade, mas, mesmo com remuneração justa e transparente, pairam no ar questionamentos: como haverá perpetuidade do legado para as gerações futuras? Qual contrapartida ficará para as comunidades a fim de fortalecer a transmissão hereditária?

Há, no entanto, uma pequena resistência de artesãos jovens que, com o advento das redes sociais, conseguem difundir as técnicas. O tramar e tecer não são apenas o ato, mas a conexão geracional do mais velho que ensina o mais novo, e que se relaciona com sua origem.

Se olharmos para o Brasil Colonial e pensarmos na travessia dos navios negreiros da África ao Brasil, perdemos boa parte de onde descendemos.

A arte de fazer manualmente continua perpetuando e alimentando famílias, mesmo sendo vítima de racismos e preconceitos enraizados no País.

Nosso registro cultural contido no artesanato sempre fomentou o que hoje chamamos de economia criativa, mas foi mais uma das embalagens que estruturas brancas fomentaram a fim de aumentar a rentabilidade em cima de artigos que possam agregar autoridade aos discursos vazios de uma indústria de produção que cria soluções para dores nem sempre existentes, boa parte ainda sem responsabilidade nos impactos ambientais e sociais.

A discussão de um Brasil profundo, que conta suas histórias com outros protagonistas, faz com que reflitamos sobre a genuinidade e especificidades de um povo, levando em consideração um País invadido que massacrou e acuou os seus originários. 

Fica a proposição: como levar adiante as tecnicidades atreladas à uma geração de renda e mantendo-as perpétuas?

Rafael Silvério

Rafael Silvério
Formado pela Faculdade Santa Marcelina em Desenho de Moda (2013) e pós-graduado pela UNIP em Negócios Internacionais e Comércio Exterior (2016)

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