Unidade, resistência e fé no Líbano

A legitima luta do povo libanês contra a crise criada por forças estrangeiras só terá fim com a unidade de seu povo

Cena da explosão na cidade de Beirute, no Líbano. Foto: Anwar AMRO/AFP

Cena da explosão na cidade de Beirute, no Líbano. Foto: Anwar AMRO/AFP

Diálogos da Fé

Após a explosão no porto de Beirute, há uma verdadeira máquina de distorções e de  “analistas” atacando e insinuando que o Hezbollah teria algum tipo de envolvimento com a explosão.

Em 27 de julho, uma posição militar de Israel em Rwaiset al Alam, nas aldeias ocupadas de Shebaa, sofreu incidentes  e Israel também  acusou  o Hezbollah  de ter feito o ataque, mas o grupo negou a participação e disse que apenas os israelenses estariam envolvidos.

O temor dos sionistas e colonos que viviam na fronteira com o Líbano, de que a resistência respondesse contra o assassinato do combatente  Ali kamel Mohsen, martirizado em um ataque israelense no aeroporto de Damasco no dia 20 de Julho,  levou Israel a agir de forma midiática e desesperada.

 “Tudo o que a mídia inimiga falou sobre uma operação que foi abortada dos territórios libaneses para a Palestina ocupada e que havia mártires e feridos nas fileiras da resistência em um bombardeio perpetrado perto da posição dos ocupantes israelenses nas aldeias de Shebaa não é verdade. É uma tentativa de fazer vitórias fictícias e falsas.¨

 

Após as terríveis explosões que mataram e feriram o povo libanês, Israel tratou de iniciar uma máquina de calúnias na mídia atacando o Hezbollah e dizendo que que ele teria envolvimento direto com o ocorrido.

Foi  o Hezbollah e seus combatentes com o apoio e a participação popular dos filhos do Líbano, camponeses, trabalhadores e  estudantes,   que lideraram  a resistência contra a ocupação israelense no sul do Líbano  e comandou  a   expulsão dos invasores sionistas.

Sayed Hasan Nasrallah veio a público para dizer que nunca houve uma bala sequer do Hezbollah no porto de Beirute, nem no passado nem no presente, nenhum armazém de armas e  nem um depósito de amônia. Ele afirmou que insinuar tal barbaridade é uma calúnia inaceitável e pediu que as autoridades realizem uma investigação e puna os responsáveis.

O Hezbollah em seu primeiro pronunciamento após a explosão pediu a unidade do povo libanês contra a catástrofe que arrasou metade de Beirute  e contra seus inimigos que conspiram contra a resistência heróica do povo libanês que sofre os ataques do imperialismo , dos países europeus dos quais já foi colôni ,  do sionismo e da Arábia Saudita.

Todos esses inimigos do povo libanês queriam arrastar o conflito criado na Síria para dentro do Líbano. Eles temem as bandeiras da resistência e do seu chamado a que o povo se una.

Uma unidade dos muçulmanos xiitas e sunitas do Líbano, unidade dos muçulmanos com os cristãos  e com os drusos. Não deixar que façam do Líbano um campo de intervenções midiáticas  do imperialismo e seus comparsas como fizeram na Síria.

 O presidente  do Líbano, Michel Aoum, não descarta a hipótese de que a explosão possa ter sido causada por negligencia, mas também disse não descartar a hipótese de uma ação externa com míssil ou bomba .

O  povo nas ruas  gritando por revolução pediu a cabeça do primeiro-ministro, Hassan Diab, que renunciou. Esta em meio a catástrofe os indignados contra tantos desgovernos  e políticos corruptos , culminar  que contaram  sempre  com a ajuda da ingerência estrangeira .

A legitima luta do povo libanês contra a crise criada por forças estrangeiras só terá fim com a unidade do povo  e seu caminho é a luta de resistência a qual este povo conhece bem e tem muito a ensinar .

Ainda que os Estados Unidos, França, Israel e Arábia Saudita apostem numa divisão do povo libanês  e lancem uma  campanha midiática contra a resistência libanesa, quando as investigações dentro do Líbano se completarem e o verdadeiro criminoso for desmascarado, o povo libanês vai exigir a  punição dos responsáveis pela explosão que destruiu quase a metade de Beirute  e deixou  158 mortos, 6.000 feridos  e mais de 300 mil desabrigados .

Todo apoio ao povo libanês. Povo que já havia sofrido a guerra civil  de 1975 a 1990 e que reconstruiu o seu país  e continuou lutando contra invasores até culminar na expulsão do exército invasor de  Israel, do sul  do Líbano.

 O povo libanês é de resistência e tem vocação para a unidade  .

Todo apoio à gloriosa resistência  libanesa, aos trabalhadores e movimentos sociais , às organizações de mulheres e à  juventude.

¨Velhos e moços ao apelo da Pátria

Investem, como leões da floresta, quando surgem os  embates ¨

¨Somos todos para a Pátria, para o sublime e pela bandeira.

Somos todos pela Pátria.¨

(  frases tiradas do  Hino nacional libanês )

Pátria livre venceremos!

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Historiadora pela PUC São Paulo. Professora da rede pública de ensino. Foi professora de história islâmica da Universidade Islâmica do Brasil (UNISB) em 2002. Escreve neste espaço às terças-feiras.

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