Teologia da prosperidade: O mercado da fé e a fé mercadológica

'O nosso Deus não está acima de todos. Ele está no meio de nós manifestando ininterruptamente sua misericórdia para com todos'

O presidente eleito Jair Bolsonaro participou durante campanha de culto ao lado do pastor Silas Malafaia na Assembleia de Deus, na Penha, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. (Foto: Avener Prado/Folhapress)

O presidente eleito Jair Bolsonaro participou durante campanha de culto ao lado do pastor Silas Malafaia na Assembleia de Deus, na Penha, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. (Foto: Avener Prado/Folhapress)

Diálogos da Fé

Por Professor Waldir A. Augusti e Padre Ticão

No século XIX, surgiu nos Estados Unidos uma corrente teológica cujo eixo central era a comercialização da fé cristã a partir da deturpação dos ensinamentos bíblicos. Como diferencial, defendia ardorosamente o acúmulo de riquezas materiais na terra. Estamos falando da Teologia da Prosperidade, identificada, também, como Movimento da Fé ou Confissão Positiva.

Atualmente, a Teologia da Prosperidade se faz presente em todo o mundo, exaltando os privilégios que a riqueza e o dinheiro podem trazer, apresentando-os como “retribuição de Deus” aos fiéis que seguem sua doutrina, substituindo a fé e a devoção divinas por “prósperos empreendimentos”.

Doenças e sofrimentos, ao contrário, seriam frutos da falta de fé e de compromisso.

A Teologia da Prosperidade redefine o neopentecostalismo. Para alcançar seus objetivos, os responsáveis pela disseminação dos ideais da Teologia da Prosperidade, buscam arrebanhar o maior número possível de adeptos, uma vez que por “prósperos empreendimentos”, compreende-se a doação aos “ministérios”, “obras” ou igrejas. Pregadores muito bem preparados constroem e apresentam aos doadores uma analogia simples, porém convincente: ao assumirem o compromisso de se tornar um “empreendedor a partir de uma primeira doação, o fiel estará plantando a semente da prosperidade.

Mas é preciso cuidar dessa semente, regando e cultivando-a com novas doações. Com isso, estão dizendo aos seus seguidores que a responsabilidade pelo sucesso ou o fracasso de seu empreendimento, depende única e exclusivamente de sua fidelidade a Deus, manifestada através de sua fidelidade à “igreja”.

 

A TP que conhecemos hoje teve origem no século XX e se expandiu por todo o mundo através da mídia, alcançando Ásia, África e América Latina. Mas foi a partir da globalização, com a desregulamentação dos mercados e a remodelação do papel do Estado, que o paradigma da TP se intensificou e se disseminou como nunca antes. Aproveitando a dinâmica da reforma dos mercados o crescimento das desigualdades sociais geradas por ela, a TP arrebanhou adeptos convencendo-os a fazer doações financeiras em troca de prosperidade e bem-estar.

Origens

Ao contrário do que muitos pensam, a Teologia da Prosperidade, não se originou na Europa, mas sim os Estados Unidos. A crença de que a TP teria surgido na Europa, baseia-se no fato de que, desde o século XVII, aquele continente vivia forte influência da doutrina calvinista – comprometida com os valores do trabalho e da acumulação de riquezas. Ao homem, cabia a tarefa de trabalhar arduamente para ampliar seu patrimônio, demonstrando sua coragem e fé. Já naquela época, pobreza e doenças eram vistos como frutos da falta de fé e coragem.

A crença no acúmulo de riqueza por meio do trabalho e do esforço faz parte da doutrina calvinista. Para alguns estudiosos e historiadores, a matriz religiosa de natureza calvinista teria influenciado e contribuído consideravelmente com o surgimento do trabalho forçado imposto aos mais pobres por toda a Europa ao longo do século XIX.

Em sua obra A ética protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber (1864-1920) defende o acúmulo de riqueza por meio do trabalho e do esforço, -presente na doutrina calvinista-, como condição indispensável para uma vida feliz. Como uma abrangente visão da ética do trabalho na lógica da produção do capital. Feito este esclarecimento, sigamos em frente.

De acordo com Érico Tadeu Xavier – pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia –, o predecessor da Teologia da Prosperidade foi o pastor batista americano Essek William Kenyon (1867-1948). Curiosamente, Kenyon não apresentava nenhum conhecimento formal de teologia, tendo passado por várias congregações. Quando decidiu abandoná-las, passou a adotar formas distintas de interpretar a relação de Deus com os fiéis. Não tardou para que os ensinamentos de Kenyon ultrapassasse fronteiras. Foram vários os fatores que lhe permitiram divulgar suas ideias, mas o principal foi o desenvolvimento de empreendimentos milionários levados a cabo em nome da fé e amplamente noticiados pela mídia.

Através desse modus operandi, espaços foram se abrindo para que a TP na sociedade, especialmente nos meios que se colocavam –ainda que veladamente-, contrários aos ensinamentos e exigências cristãs que repelem o acúmulo de riquezas nas mãos de alguns em
detrimento da miséria de milhares.

A dinâmica da TP lhe permite reformular seu plano de ação de acordo com as mudanças ocasionadas pela sociedade consumista sempre que julgar necessário, sendo esta uma das principais características da fé de mercado. Voltando à E. W. Kenyon, sabe-se que ele teria sido altamente influenciado por seitas metafísicas como Ciência da Mente, Ciência Cristã, Novo Pensamento. Esses movimentos ganharam projeção internacional ao disseminarem a ideia de que “tudo que dizemos se torna realidade”, realçando o “poder da mente”.

Este “poder mental” preconiza que a fé em Jesus Cristo exige, obrigatoriamente, a busca pela riqueza material e a boa saúde. Toda falta ou enfraquecimento da fé provoca o surgimento da miséria e das doenças sendo esses, frutos do pecado. Todo sofrimento é interpretado como falta de fé.

Segundo afirma Paulo Romeiro em sua obra Super Crentes, são várias as maneiras para se interpretar a ‘confissão positiva’. Porém, a mais difundida e mais significativa, refere-se literalmente a “tornar existente tudo que declaramos e confessamos com nossa boca”, visto ser a fé uma confissão.
Entretanto, foi o também americano Kenneth Erwin Hagin (1917-2003) o maior divulgador da Confissão Positiva;, sendo considerado o precursor do Movimento Palavra da Fé. Hagin tinha um defeito cardíaco congênito e leucemia. De acordo com seu próprio testemunho, Hagin afirmava ter sido visitado por Jesus Cristo e curado em 1933. Seu testemunho tornou-se a base de diversas pregações , onde ensinava “ser preciso declarar a cura antes de vê-la”. Hagin declarava que antes de sua cura, “parecia um morto vivo indo à escola e que muitas pessoas lhe aconselhavam não ir às aulas. Contudo, afirmava Hagin, como já havia levantado de um leito de morte contrariando a medicina da época, permanecia “declarando que estava curado”. Nesse sentido, é considerado precursor da Palavra da Fé. Hagin foi também um dos primeiros pastores protestantes a escrever sobre a diretrizes que se tornaram o fundamento do movimento carismático.

Na base de sua doutrina, estão, dentre outros elementos, a cura física: é vontade de Deus que um crente seja curado fisicamente; prosperidade financeira: é sempre vontade de Deus que cada um seja financeiramente abençoado por meio da fé; fé e autoridade: Hagin acreditava que o crente, através da sua posição em Cristo, tinha autoridade sobre os elementos deste mundo e do mundo satânico. Pela fé, o crente pode exercer a autoridade de Deus para mudar situações impossíveis (Mc 11, 22-24). Fé é uma questão de crença na palavra de Deus, que implica uma expressão vocal de sua vontade e a confissão da mesma.

O presente

Atualmente, inúmeros pregadores seguem a linha desenvolvida por Hagin. No Brasil, a TP ganhou fôlego com a fundação da Igreja Universal do Reino de Deus  por Edir Macedo. Na esteira das reformas neoliberais o Brasil, a TP ganhou mais estímulo, vigor e amplitude traduzindo-se na abertura de milhares de igrejas e conquista de milhões de adeptos. Sob a influência direta de Hagin, figuram, dentre outros, o Missionário R. R. Soares, a Apóstola Renê Terra Nova e o pastor André Valadão.

Com as mudanças proporcionadas pela globalização, os maiores expoentes da Teologia da Prosperidade alçaram voos mais altos. Era a hora de mostrar suas propostas e doutrinas através da grande mídia. De início, os horários utilizados para usas transmissões eram a alta madrugada, quando a maior parte dos ouvintes estavam dormindo. Com o correr do tempo, a audiência dos “televangelistas” aumentou e com ela, a necessidade de ocupar o horário nobres. Uma verdadeira guerra pelos melhores horários foi declarada. Comprados a preços exorbitantes, os espaços no Rádio e na TV tornaram-se, inclusive, fonte de altos ganhos para as emissoras. O próximo passo a ser dado veio logo. Por meio de campanhas esmeradas, líderes religiosos partiram para um investimento maior: ter a sua própria emissora de rádio e/ou TV.

Os produtos ofertados nessas campanhas eram diversos, mas o principal era a promessa de ganho e crescimento financeiro. Para conquistar novos fiéis e manter os já comprometidos, testemunhos de pessoas que haviam dado o “passo certeiro” de se tornar “dizimista colaborador” passaram a ser gravados e mostrados em larga escala.Todos eles haviam conquistado riquezas após terem passado por grandes dificuldades. O tão sonhado carro
novo, o apartamento de grande porte, a empresa de sucesso dentre outros bens, haviam se tornado realidade.

Mas era preciso ir além. Os cultos e pregações são aprimorados trazendo à tona questões relacionadas a doenças e coisas ruins “causadas
pelo demônio”, curas milagrosas e exorcismos são gravados e apresentadas na TV, seguidos pelos testemunhos daqueles que haviam sido curados ou libertos das garras do demônio. Obviamente, a condição para que o ouvinte ou telespectador alcançasse a mesma graça, residia na necessidade de se tornarem fiéis.

Esses fenômenos religiosos se repetiam –e continuam se repetindo= O Brasil figura neste rol como sendo uma das nações com maior número de líderes e seguidores da Teologia da Prosperidade e do neopentecostalismo. Está posta a Fé Mercadológica,

Brasil

Nosso país possui centenas de rádios e TVs de cunho religioso: católicas, protestantes, evangélicas e pentecostais. A programação segue certo padrão: transmissão de atos religiosos (cultos, missas, orações); escolas de evangelização; programas musicais; programas de entrevistas com lideranças religiosas; apresentação de testemunhos e outros. Mas em todas elas, a mercantilização da fé se faz presente.

Este caráter mercadológico não se resume ao pedido de doações. Nele está inserida a venda de variados produtos destinados a auxiliar o fiel em sua busca e vivência religiosa, que vão de sabonetes a vassouras; de martelos a pares de meia; de orações “ungidas” a amuletos para se ter em casa ou portar junto ao corpo; de água benta “trazida”do Rio Jordão e engarrafada pela igreja a óleos milagrosos; de CDs a DVDs; de pequenos jornais e livros extensos; de camisetas com estampas religiosas a cruzes com areia da terra santa, etc., etc., etc. Estes são apenas exemplos da imensa gama de mercadorias religiosas ofertadas no mercado da fé.

No encalço desses, figuram propagandas impressas, amplamente distribuídas, do tipo: “Se você está sofrendo com desemprego, dificuldades financeiras, caminhos fechados, depressão, vontade de se suicidar, solidão, casamento destruído, desunião na família, vícios de álcool e drogas, doenças incuráveis, dores constantes, insônia, desejos homossexuais, perturbações espirituais causadas por bruxaria, macumba, inveja ou olho grande, má sorte no amor, desânimo total, obesidade, etc., venha até nós. Sim! Nós temos a solução para você! Em nome de Jesus, você e sua família serão libertados
e curados.”

Todos esses –e outros-, investimentos alcançam o imaginário das pessoas que alimentam o desejo de conquistar um status social. Mas isso não é tudo. Diversos fatores levam as pessoas a ingressarem em igrejas de cunho conservador alicerçadas no neopentecostalismo e vinculadas à TP.

O discurso fundamentalista

Discursos fundamentalistas, moralistas e de visão político-social ultraconservadores e de extrema-direita, passaram a povoar o imaginário como sendo a saída para os problemas sociais. A religião passa a ser vista como melhor alternativa para solução dos problemas familiares e pessoais, e para o Estado. Um dos fatores que contribui para isso é a falta de segurança vivida e sentida pela imensa maioria da população, que não acredita mais nas instituições, sentindo-se abandonada à própria sorte.

Não tendo a quem recorrer em suas necessidades, buscam socorro no transcendente.

Nesta busca, deparam-se com propostas de grandes transformações com soluções práticas e rápidas para seus problemas apresentadas pela neopentecostalismo e a Teologia da Prosperidade. Neste sentido, o uso da grande mídia tornou-se primordial para alcançar um número cada vez maior de possíveis seguidores.

Discursos recheados de termos como “profetizar”, “determinar”;”coragem”,”fé”; e “vencer”; bombardeiam os ouvidos dos novos seguidores, que agora já estão prontos para se tornarem novos empreendedores.

De acordo com os ensinamentos da Teologia da Prosperidade, pobreza, doença e infelicidade não são problemas a serem sanados no mundo espiritual, mas imediatamente, pois Cristo teria evangelizado os pobres para que estes saíssem da pobreza e aos doentes para que fossem curados. Entre os adeptos da TP, há a crença de que os fiéis que não assumem como verdade a necessidade de “tomarem posse das promessas divinas” estão contaminados por satanás e por isso são assolados pela miséria, a pobreza, a doença e a infelicidade.

Mas o que acontece se o fiel proceder de acordo com os ensinamentos e ainda assim não alcançar a graça proferida por suas palavras?

O dinheiro

Nestes casos, as lideranças do neopentecostalismo atribui a culpa única e exclusivamente ao seguidor, afirmando ser ele um indivíduo de “pouca fé” incapaz e exercer sua posse das bençãos por não conseguir associar espiritualidade com bens materiais, boas condições de saúde e felicidade, e por esta razão não merece a salvação. Para nós este é um ato de profunda crueldade.

O Criador fica “preso” às promessas que fez: Cabendo ao homem pagar o dízimo, ter fé em Deus e profetizar as bênçãos que deseja para sua vida, ao Criador cabe cumprir com tudo que prometeu; o homem tem direitos e deveres para com Deus, e Deus tem “obrigações” a cumprir.

Estamos diante de uma ousadia exacerbada em relação ao Criador, pois compromete e diminui a autoridade da divindade. Não obstante, insere a própria TP em contradições complexas. Ao serem questionados, esses líderes respondem tratar-se de uma autoridade que o fiel exerce contra o Diabo para que seja possível obter as bençãos prometidas por Deus. Em outras palavras: para que o devorador de benção não prejudique o acúmulo das benesses materiais do fiel. Contudo, aqui podemos observar que a autoridade de Deus é comprometida duplamente.

Os pastores neopentecostais e demais líderes da TP manifestam com muita transparência o interesse pelo dinheiro. As longas pregações feitas nos cultos das Igrejas Universal do Reino de Deus e Internacional da Graça de Deus, com abordagens relacionadas ao dinheiro e às ofertas, com o intuito de convencer os fiéis a concretizarem o pagamento do dízimo e a fazerem ofertas em troca de prosperidade, felicidade, libertação do Diabo e saúde.

Diante das críticas, os propagadores da TP tentam justificar dizendo que a prática do pagamento do dízimo é voluntária, quando na verdade, essas
lideranças não conseguem ocultar a verdadeira face de suas práticas. Basta acompanhar as reportagens feitas sobre isso para se chegar a esta conclusão.

O que é vencer?

Mas o que significa vencer sob a ótica destas igrejas e seus líderes? Ser um vencedor, seria conquistar bens materiais numa religião mercadológica que prega o individualismo e o egoísmo como base para tal vitória? Vencer é ter dinheiro suficiente para atender aos apelos do mercado de consumo que coloca TER acima do SER como solução para todos os problemas? Ora, quem é de fato o vencedor aqui?

O mercado da fé que estimula o consumo fortalecendo o neoliberalismo e o capitalismo selvagem que condena milhares à fome e a miséria, ou o crente que sucumbe aos seus apelos em nome da fé e busca o acúmulo de bens?

Cristo veio para todos e não para determinados grupos. A vitória em Cristo e com Cristo é para todos. Os verdadeiros vitoriosos em Cristo, são aqueles e aquelas que entenderam que a partilha, a solidariedade e a caridade são os eixos de uma sociedade onde todos sejam vistos e respeitados como irmãos e filhos de um mesmo.

Pai que ama incondicionalmente a todos os seus e não privilegia ninguém.

A história humana está repleta de exemplos de homens e mulheres que alcançaram a Santidade. E o mais belo a se observar em suas jornadas é o fato de que a grande maioria deles e delas –se não todos-, abraçaram a pobreza e o amor ao próximo como regra para suas vidas. Foram muitos os que se desfizeram de seus bens e doaram o dinheiro arrecadado para ser utilizado por todos que necessitassem. O maior exemplo desta conduta está em Atos dos Apóstolos 4, 32-35. É claro que Deus, em sua sabedoria e poder está acima de nós. Mas Ele não se mantém nesta posição como pai inquisidor que busca culpas em seus filhos para castiga-los ou virtudes para premiá-los. Não!

O nosso Deus não está acima de todos. Ele está no meio de nós manifestando ininterruptamente sua misericórdia para com todos. Misericórdia esta que teve sua manifestação suprema na encarnação do Verbo, Jesus Cristo. Cristo venceu o mundo do egoísmo, do individualismo, do pecado, da miséria, da fome e da dor. Com Ele e Nele, também nós alcançaremos a vitória contra todos esses e outros males.
Vencer o mundo com Cristo, por Cristo e em Cristo é trabalhar pela construção do seu Reino em nosso meio. Reino de Justiça e de Paz, de Amor e Compaixão, de Esperança e Partilha. Reino onde todos sejam vistos como iguais e não haja explorados e exploradores. Reino onde o bem-comum seja norteador de ações em prol da humanidade. Reino onde predomine a Teologia do Amor e não a da Prosperidade.

Shalom!

*O texto acima não expressa, necessariamente, a opinião de CartaCapital

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