O Islã condena o racismo

O conceito de comunidade islâmica, sociedade islâmica, não se baseia em laços de sangue, território, nem cor da pele

Foto: PxHere / Creative Commons

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Diálogos da Fé

Para a doutrina islâmica, o racismo é visto como um sistema de dominação que não considera os direitos humanos e busca justificar a usura e a escravidão de força de trabalho, a colonização de terras e até a eliminação física das pessoas que não se submetem a servir a um tirano. O racismo tem suas bases no sistema de divisão injusta de classes sociais, divididas em “superiores e inferiores”, e proclama uma “inferioridade natural” aos povos feito escravos e até um suposto designo divino.

O Islã, ao contrário,  advém da ideia de comunidade humana, sem distinção de sexo, cor e tribo, como mensagem divina de todos os profetas e também do profeta Mohammad(s.a.). O Islã traz a mensagem de que não há nenhum tipo de superioridade de um povo sobre outro povo. O conceito de comunidade islâmica, sociedade islâmica, não se baseia em laços de sangue, território, nem cor da pele, mas em consciência humana. O Islã nega qualquer privilégio ou superioridade de raça.

O profeta Mohammad disse: “Nenhum árabe é melhor que um “não árabe”, e nenhum “não árabe” é melhor que um árabe”. Está escrito no Alcorão Sagrado: “Ó, humanos, temei a vosso Senhor, que vos criou de um só ser, do qual criou a sua companheira, e de ambos fez descender inumeráveis homens e mulheres…” (C.4 – V.1); “Ó, humanos, em verdade, nós vos criamos de macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado de vós, ante Deus, é o mais temente…”(C.49 – V.13) Para o Islã, toda forma de racismo ou de orgulho tribal ou nacional é uma modalidade de ignorância e barbárie.

O Islã sempre congregou em suas fileiras diversos povos, línguas, diferenças culturais, tudo superado pela fé e na unidade combatendo ideias inimigas que se apresentam como democráticas e salvadoras, mas que oprimem seu próprio povo e são uma verdadeira ameaça para toda a humanidade.

Os assassinatos por asfixia como o de George Floyd e de outros afrodescendentes tem semelhança aos que os soldados israelenses praticam para asfixiar os palestinos. Os racistas e o racismo de hoje vêm sendo treinados no mundo todo pelo sionismo. Não é de se admirar encontrar cada dia mais agências privadas de segurança no mundo inteiro, oferecendo treinamento para vigias, com método israelense, sem falar nas polícias que também treinam com o método Mosad, que inclui estrangulamento com o joelhos no pescoço da vítima. Cães covardes, feras assassinas, que vão dos EUA aos territórios ocupados, ignorantes e violentos, defendendo a supremacia do ódio sobre o direito e a liberdade das pessoas.

As consequências de um mundo dominado econômica e politicamente por ideias racistas, colonialistas e que ignora os direitos humanos com a intenção de extrair nada mais que lucro econômico, mesmo que através da opressão mais violenta, está fadado em breve ao fracasso, pois essas ideias estão se chocando com uma massa de seres humanos que necessitam tomar seus destinos nas próprias mãos para terem mínimos direitos civis conquistados e preservados, sem serem pisoteados por policiais estranguladores a mando de dirigentes capitalistas, racistas, xerifes e empresários que assinam a carta branca para matar negros e comunistas brancos também, além de árabes, que têm sempre a imagem associada ao terrorismo.

O que mais pode se esconder atrás de uma cortina de mentiras hipócritas de como a sociedade é construída? A ideologia dominante comanda através de mentiras e muitos cadáveres. Só nos EUA, 700 afrodescendentes foram assassinados desde 2017 pelas forças policiais. O racismo é imoral.

O Islã surgiu combatendo a idolatria, o racismo e o machismo. Um movimento abolicionista na época em que havia escravidão na cidade de Meca e o Islã fazia um chamado que atraia a todos os despossuídos vivendo à margem daquela sociedade. E quando o Islã foi governo em Medina, comprou alforrias e proibiu o trafico de escravos.

As consequências histórica do conceito de sociedade islâmica, dessa nova concepção de comunidade humana, conseguiu criar um conceito de unidade que até hoje os inimigo do islã  tentam quebrar, enquanto o islã segue propondo uma comunidade humana liberta dos sistemas injustos de dominação e ignorância que são uma ameaça a toda a humanidade. Milhares de pessoas que não suportam mais as injustiças têm saído, apesar da pandemia, para protestas contra o racismo e gritar a plenos pulmões que vidas negras importam e que basta de racismo, capitalismo e covardia.

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Historiadora pela PUC São Paulo. Professora da rede pública de ensino. Foi professora de história islâmica da Universidade Islâmica do Brasil (UNISB) em 2002. Escreve neste espaço às terças-feiras.

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