Cresce o número de espíritas progressistas no Brasil

Estamos falando de princípios, de valores e de um compromisso genuíno com a justiça e a transformação social

(Foto: Pixabay)

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“O espírita é reconhecido pelo esforço
que faz para sua transformação moral
e para vencer suas tendências para o mal.”
Allan Kardec

Ser espírita vai muito além de ler livros da Zibia Gasparetto, doar roupas para o bazar do centro, tomar passe, beber água fluidificada ou frequentar as palestras evangélicas.

E não estou falando de rótulos ou caixinhas. Falo de princípios, de valores e de um compromisso genuíno com a justiça e a transformação social.

Ver espíritas em marcha com o atraso, com o preconceito, com a ruptura democrática, com a retirada de direitos e com o ódio e fundamentalismo, me faz acreditar que essas pessoas estão bem distantes dos postulados de Kardec e dos ensinamentos de Jesus, afinal, “se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê”. 1 João 4:20

Kardec foi ainda mais enfático na questão 350 de O Livro dos Médiuns: “De que serve acreditar na existência dos Espíritos, se essa crença não torna o ser humano melhor, mais benevolente e mais indulgente para com seus semelhantes, mais humilde, mais paciente na adversidade?”

Ele entendia que desde que uma pessoa se intitulasse espírita, ela já teria motivos suficientes para iniciar essa transformação e reforma íntima (que é um compromisso consigo mesma), passando a se esforçar para se tornar melhor e contribuir, assim, para o adiantamento da humanidade.

Incomodados/as com essa captura do movimento espírita brasileiro pelos setores mais reacionários e fundamentalistas, espíritas de todos os cantos do País e de fora dele tem se reunido, presencialmente ou virtualmente, para expressar seu repudio às leituras equivocadas e enviesadas que estão fazendo do legado de Kardec.

Parte desse posicionamento está presente no “Manifesto por um espiritismo kardecista livre”, onde mais de 700 espíritas assinaram o documento que ficará na história.

“Lançamos assim um manifesto de um movimento espírita kardecista livre, para demarcar o que nos une (e convidamos aqui o próprio movimento institucional) e o que desejamos como vivência e prática de uma filosofia livre, emancipadora e progressista como é a filosofia proposta por Kardec. Esse manifesto tem a intenção de unir, sem homogeneizar; declarar princípios, sem dogmatismo; propor diálogo sem dissensão.”

Outro posicionamento importante foi lançado durante as eleições presidenciais. O “Manifesto de espíritas progressistas por justiça, paz, democracia e #EleNão” contou com mais de 6 mil assinaturas.

“Espíritas que somos, abaixo-assinados, pertencentes a diferentes ideologias políticas e apoiadores de diversas candidaturas do campo democrático, tornamos pública a nossa posição por eleições livres, democracia plena, Estado de Direito, justiça imparcial, direitos humanos, não-violência, respeito, fraternidade, tolerância e paz entre todos/as. Por esse motivo, nos juntamos a outros/as religiosos/as, mulheres, negros/as, LGBT+, jovens, educadores, intelectuais, artistas e ao povo brasileiro, para dizermos em alto e bom tom: #EleNão, #EleNunca, #EleJamais.”

O espírita, autointitulado “cidadão de bem”, limpinho e cheiroso (como diz aquela jornalista), que dita normas como um general nas entidades que deveriam se conectar fraternalmente, mas ao contrário prega o ódio e a intolerância, sabe que está condenado, e se desespera por isso, porque sabe que afronta as leis divinas e naturais. Porque sabe que a consciência libertadora o inquieta e o aprisiona.

As forças progressistas dentro da doutrina espírita serão o futuro de uma doutrina livre e que cada vez mais estará integrada com o povo e suas conquistas sociais.

O resto é o desespero de quem ainda não entendeu que estamos em uma nova era.

Esta é a verdadeira evolução intelectual e moral do espírito imortal.

Conheça algumas dessas iniciativas de espíritas progressistas:

Associação Brasileira de Pedagogia Espírita (ABPE) é uma entidade sem fins lucrativos, constituída por associados fundadores, efetivos e colaboradores. A ABEP trabalha pela inclusão da espiritualidade na Educação, de forma não proselitista, pela renovação da Educação, que inclua liberdade, amor e ação. Para saber mais: www.pedagogiaespirita.org.br

A Associação Brasileira Espírita de Direitos Humanos e Cultura de Paz (AbrePaz) foi fundada em 10 de dezembro de 2018 (Dia Mundial dos Direitos Humanos), e tem por missão estudar, divulgar e promover os Direitos Humanos, a Cultura de Paz e Não-Violência alinhados ao Espiritismo, entendido este como o conjunto de princípios estabelecidos e desenvolvidos a partir da codificação de Allan Kardec. Para saber mais: https://www.abrepaz.org/

O Coletivo de Estudos Espiritismo e Justiça Social (CEJUS) é um coletivo formado por espíritas de todo o País, muitos/as que saíram ou foram expulsos/as das casas espíritas por suas posições políticas e ideológicas. Ocupa-se em estudar a nova era, as questões sociais e os desafios mundiais a luz da doutrina espírita. Para saber mais: https://www.facebook.com/pg/cejus.com.br/about/?ref=page_internal

 

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É psicólogo, educador, militante pelos direitos humanos e um dos idealizadores do movimento de espíritas pelos direitos humanos.

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