Além da intolerância religiosa, é preciso combater o ódio à ciência

‘Partindo do princípio de que a intolerância nos priva de um oceano enorme de conhecimento, pergunto: e aí, vamos superá-las?’

O presidente Jair Bolsonaro, em campanha pelo uso da hidroxicloroquina. Foto: Reprodução/Facebook

O presidente Jair Bolsonaro, em campanha pelo uso da hidroxicloroquina. Foto: Reprodução/Facebook

Diálogos da Fé

Dia 21 de janeiro é celebrado como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Brasil. Tive o privilégio de participar de manifestações e eventos que lembraram o combate à intolerância.

Como seguidor de uma das religiões que mais sofrem com intolerância, sinto-me na obrigação de estar ao lado dos oprimidos e marginalizados por suas opções religiosas. Além de um dever religioso, é uma questão humanitária.

Estima-se que há 1,5 milhão de muçulmanos no Brasil. Talvez por isso,   os casos de intolerância religiosa contra os muçulmanos são raros ou isolados. Ainda assim, as maiores vítimas são as mulheres.

No Brasil, quando falamos sobre intolerância religiosa, logo pensamos nas religiões de matriz-africana, que enfrentam a demolição de seus templos e perseguição a seus seguidores. Mas por que isso acontece?

Há pequena luz no fim do túnel. Iniciaram-se no mundo todo os movimentos de imunização contra a Covid-19. Isso, é claro, não aconteceu do nada. A vacina que imuniza não desceu do céu, tampouco foi revelada por alguém. Há o esforço e O investimento de milhares de cientistas que, desde os primeiros dias da pandemia, correm para socorrer a humanidade. No Brasil, a vacinação começou apenas em 18 de janeiro.

Existe uma epidemia maior do que a da Covid-19, que acompanha o ser humano desde sempre: a intolerância.

A base dos casos de intolerância religiosa, afirma-se, é a falta de conhecimento sobre a religião e a crença do outro. A ignorância, uma das maiores inimigas do ser humano, faz com que sejamos hostis um com o outro. Ela também vence quando ignoramos a ciência, que é a base de todo o desenvolvimento humano.

Muitas vezes, nos isolamos da ciência por medo de sair da zona do conforto e mudar de ideia. Hoje, existem movimentos intolerantes contra a vacina, baseados nas diferenças políticas e no pouco conhecimento que temos da ciência.

Somos intolerantes com aquilo que nos trará benefícios pelo simples fato de ter uma posição política, religiosa ou social diferente dos produtores das vacinas ou daqueles que as apoiam. Ou seja, abrimos mão de nós mesmos em favor de nossas diferenças.

Partindo do princípio de que a intolerância nos priva de um oceano enorme de conhecimento, pergunto: e aí, vamos superá-las?

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Cientista da religião, mestre e doutorando em Ciência da Religião pela PUC-SP. Membro do Centro de Estudos das Religiões Alternativas e de Origem Oriental no Brasil-CERAL da PUC-SP e do Grupo de Trabalho Oriente Médio e Mundo Muçulmano-GTOMMM da USP.

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