Juventude latino-americana e caribenha apresentará manifesto na COP-26

Resultado de meses de trabalho, o documento cobra medidas dos governos sobre a mudança climática; quase 40 mil pessoas apoiam a iniciativa

Cartaz em manifestação pede mais atenção à ecologia e menos ego - (Foto: Markus Spiske/Pexels)

Cartaz em manifestação pede mais atenção à ecologia e menos ego - (Foto: Markus Spiske/Pexels)

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Assim como a ativista Greta Thunberg, a juventude latino-americana e caribenha está mobilizada para cobrar providências dos líderes mundiais contra a crise climática. Jovens representantes de mais de 30 organizações — incluindo duas jovens brasileiras — levarão à 26ª edição da Cúpula do Clima, em Glasgow, na Escócia, uma declaração com um pedido de compromisso aos governantes da América Latina e do Caribe. 

A COP26, como é chamada, reunirá os principais líderes do mundo para o debate, terá início no próximo domingo 31, estendendo-se até o dia 12 de novembro. Depois de marcar presença na Pré-COP 26, que aconteceu em outubro, na Itália, o grupo formado por jovens de diversos países da região, como Brasil, Argentina, Honduras, Uruguai e El Salvador, apresentarão no encontro, no dia 5, os seis objetivos que definiram na declaração.

Popi Avila, coordenadora-geral de comunicação da Eco House, organização argentina responsável pela coordenação regional do grupo, conta que a juventude levantou sua voz de forma clara e contundente no processo de elaboração e apresentação do documento. 

“Esta Declaração da Juventude é de extrema importância para o futuro climático da América Latina, pois inclui as demandas dos jovens da região, que são os que sofrerão as consequências das decisões tomadas na COP26”, explica a integrante do movimento. 

O documento conta com apoio popular. A Conferência Regional da Juventude da América Latina e do Caribe sobre Mudança Climática (RCOY LAC) reuniu quase 40 mil assinaturas em uma petição como demonstração de apoio à iniciativa. O abaixo-assinado está hospedado na plataforma Change.org e possui versões em português, espanhol e inglês. 

“Os cientistas do mundo já emitiram seu alerta vermelho para a humanidade. A região da América Latina e do Caribe é altamente vulnerável aos efeitos da mudança climática e é urgente que a população esteja informada, consciente e preparada para se adaptar a estas consequências, não deixando ninguém para trás”, destaca o grupo no texto da petição. 

A declaração das organizações baseia-se em três eixos principais: educação e conscientização; descarbonização da economia; e mudanças no uso do solo. Entre os seis pontos de compromisso pedidos pelos jovens da região estão a proteção de pelo menos 30% dos ecossistemas terrestres e marinhos até 2030; a redução dos subsídios de combustíveis fósseis e das emissões de gases de efeito estufa; e a neutralidade de carbono até 2050.   

Segundo o grupo, o documento colaborativo “representa os interesses, opiniões e demandas da juventude sobre questões relacionadas à mudança climática e a emergência atual que os países do mundo e da região estão passando”. Os jovens enfatizam, ainda, que a declaração foi promovida por meio de um processo participativo “sem precedentes”.

“A declaração foi escrita de maneira aberta e participativa por mais de 300 jovens. E atualmente conta com o apoio de mais de 40 mil pessoas, graças a uma petição na Change.org, onde os cidadãos latino-americanos são convidados a se unir a esta declaração. A iniciativa tem tido uma grande repercussão e esperamos que continue assim. A América Latina quer um desenvolvimento sustentável e os jovens não se cansarão de lembrar disso”, diz Popi. 

Outros pontos que as organizações esperam obter como compromisso por parte dos governantes incluem a assinatura e ratificação do Acordo de Escazú; que 50% do financiamento internacional seja destinado à implementação de planos nacionais de adaptação focalizados na redução da vulnerabilidade e no aumento da resiliência; e que se atinja uma transição justa para o desenvolvimento, visando reduzir a pobreza e gerar empregos “verdes”.

Além da apresentação da declaração, o grupo que representa a juventude latino-americana e caribenha vem realizando uma série de eventos virtuais e presenciais para expressar sua voz e propostas para o enfrentamento das mudanças no clima. O documento baseia-se em informações científicas e visa fazer um chamado para uma ação coletiva. 

Brasil na COP26: pressão sobre a Amazônia 

Com as mudanças climáticas, o planeta Terra está ficando mais quente e sofrendo com alagamentos e incêndios florestais. Na COP26, os países participantes deverão apresentar seus planos e metas para a redução das emissões de gases que provocam esse efeito estufa. 

O encontro é considerado determinante para o enfrentamento das mudanças climáticas. Nele, os líderes globais vão debater as metas com as quais se comprometeram no Acordo de Paris, em 2015. A expectativa é de um acordo que garanta a neutralidade de carbono até 2050.

Parte da Amazônia inverteu papel: mais emite que absorve CO2 (Foto: Imazon)

Nesta semana, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) publicou um estudo revelando que parte da floresta amazônica está emitindo mais gás carbônico (CO2), do que absorvendo. A mudança de padrão é reflexo do desmatamento e da mudança climática. 

Feita a seis dias da Conferência de Glasgow, essa divulgação sobre o bioma aumenta a pressão em relação aos compromissos e anúncios dos líderes brasileiros. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, em setembro, o presidente Jair Bolsonaro elogiou a legislação ambiental brasileira, disse que o desmatamento estava em queda e parte da Amazônia, intacta. Na COP26, o Brasil será representado pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite.

 

Com índices crescentes de desmatamento, a Amazônia e o combate ao desmatamento no bioma estão no centro da atenção de qualquer discussão sobre mudanças climáticas. A preocupação é mundial, como mostra outra campanha hospedada pela plataforma Change.org. A mobilização, que representa a maior petição já criada no Brasil e a segunda com mais assinaturas em todo o mundo, engaja 6 milhões de apoiadores em diversos países. 

Criada em 2018, a campanha pela proteção da Amazônia alerta justamente para o problema da emissão de carbono decorrente do desmatamento e o consequente aquecimento global. “Estudos apontam que o desmatamento insustentável da floresta poderá ocasionar redução das chuvas e assim, o aumento da temperatura na região e no mundo”, destaca. 

Ambas as mobilizações esperam pressionar os tomadores de decisão mundiais para que a conferência termine com o compromisso de ações capazes de impedir o colapso climático, em vez de apenas “blá blá blá”, como apontou a ativista Greta na Pré-COP26. 

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