Coronavírus: padre mobiliza a web para ajudar moradores de rua

Julio Lancellotti cria abaixo-assinado para pressionar Prefeitura de SP a fornecer acolhida e álcool gel

Padre Júlio Lancellotti é conhecido por atuar em defesa da população em situação de rua. (Foto: Reprodução/Facebook)

Padre Júlio Lancellotti é conhecido por atuar em defesa da população em situação de rua. (Foto: Reprodução/Facebook)

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Conhecido por sua forte atuação em defesa do povo de rua na capital paulista, o Padre Julio Lancellotti criou uma petição online para pressionar a Prefeitura de São Paulo a proteger os moradores de rua durante a pandemia do coronavírus. Em apenas três dias, ele conseguiu coletar mais de 71 mil assinaturas no abaixo-assinado que pede acolhimento e kits com álcool gel e materiais de higiene para as pessoas em situação de vulnerabilidade nas ruas.

“O que será dessa população e de toda a cidade durante a pandemia do coronavírus?”, questiona Lancellotti no manifesto. Na petição, aberta na plataforma Change.org, o padre destaca que a cidade de São Paulo possui mais de 24 mil pessoas morando nas ruas, sendo que, segundo ele, mais de 50% delas não está em centros de acolhida. Além disso, o abaixo-assinado destaca que algumas ainda têm doenças crônicas ou pré-existentes, como a tuberculose, o que as enquadra no grupo de risco do surto do Covid-19. 

Julio Lancellotti é coordenador da Pastoral Povo da Rua e padre há mais de três décadas. À frente da comunidade de São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, zona leste da capital paulista, oferece acolhida às pessoas marginalizadas pela sociedade, com doações de roupas e alimento. Seu “ativismo” em defesa dos direitos humanos, já lhe rendeu inúmeras ameaças vindas de policiais, além de uma série de ataques nas redes sociais.

“Me dedico ao cuidado do povo de rua, seres humanos descartados pelo sistema. Mesmo sob constante ameaça do braço armado do Estado e daqueles que não toleram os ‘descartados’, sigo nessa luta”, desabafa Lancellotti no abaixo-assinado, pedindo, em seguida, apoio para que as pessoas assinem a petição e, com isso, sensibilizem a Prefeitura. Além de acolher moradores de rua, o padre também já fez serviços com crianças órfãs, portadores de HIV, entre outros. Na Cracolândia, costumava celebrar missas campais.

O pedido

Decidi criar este abaixo-assinado para pedir urgentemente que a Prefeitura Municipal de São Paulo forneça kits com álcool gel e materiais básicos de higiene para destinação aos moradores de rua”, pede Lancellotti. “E que abra espaços públicos que estão fechados para o acolhimento dos que dormem nas ruas, como centros esportivos, onde eles poderão ter acompanhamento de saúde e fornecimento de alimentação”, completa.

O pedido de Lancellotti está embasado por uma recomendação feita pelo Grupo de Trabalho em Prol das Pessoas em Situação de Rua da Defensoria Pública da União. O padre enfatiza que, assim como qualquer outro cidadão, o povo de rua também tem direitos e que “é obrigação do governo oferecer saúde e proteção a todo e qualquer cidadão”. “Acreditamos que a medida é essencial para evitar um surto ainda maior da pandemia em nossa cidade”, diz.

Em sua rede social, o padre costuma pedir doações de materiais de higiene aos moradores de rua acolhidos em sua paróquia. Com a petição, entretanto, espera que esse apoio venha de maneira mais efetiva dos órgãos públicos. “Oferecemos a ‘Casa de Oração do Povo da Rua’, na região central da Capital, para acolher moradores de rua com suspeita do coronavírus e com necessidade de quarentena”, fala no manifesto.

De acordo com Lancellotti, o espaço deve ter capacidade para isolar até 50 pessoas, porém, os órgãos governamentais precisam fornecer materiais básicos de higiene, água potável, alimentação e acompanhamento de saúde. “Precisamos que a Prefeitura, por meio das secretarias municipais de Saúde, Assistência Social e de Direitos Humanos e Cidadania, forneça ao menos o básico para garantir alguma proteção a esse povo”, pede.

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