Cartografia do Poder
O que está por trás das agendas do governo, políticos, entidades e empresas. E o que esses encontros – ou a falta deles – revelam
Cartografia do Poder
O jogo antes do jogo das reuniões ministeriais
O poder real se define nos bastidores, onde as agendas revelam quem realmente está no comando e quais são as prioridades estratégicas do governo Lula
No tabuleiro político de Lula, as peças se movem conforme a vontade do rei. E para entender as estratégias, basta observar as agendas. No dia 8 de agosto, aconteceu a segunda reunião ministerial do ano, cercada de preocupações sobre o futuro do governo. Ministros interromperam férias, cancelaram compromissos e correram para o Palácio do Planalto. Faltar a um chamado desses é arriscar perder o lugar no jogo do poder.
Mas como bem dizia Tancredo Neves: “Primeiro, a gente decide; depois, faz a reunião.” O verdadeiro poder se manifesta nos bastidores, onde as pautas são moldadas e as estratégias definidas.
Os titulares do governo
Lula, com uma média de 140 compromissos mensais, deixa claro quem está na linha de frente: Fernando Haddad, da Fazenda, Alexandre Padilha, das Relações Institucionais e Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil. Costa lidera em reuniões com Lula, com 184 encontros, seguido por Padilha, com 161 e Haddad marcando 114.
Essa frequência reflete a centralidade desses ministérios nas questões cruciais do governo. Os três atuam como peças-chave no meio de campo, conectando as diversas áreas do governo Lula e revelando, de forma clara, o foco e a estratégia governamental.
As relações diplomáticas também são prioritárias no governo Lula. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, registrou mais de 70 encontros com o presidente, evidenciando a importância da pauta internacional.
Nem só de titulares é composto um time
Como em qualquer time, há aqueles que jogam menos. O ministro da Pesca e da Aquicultura, André de Paula, foi que menos teve encontros com o presidente Lula, segundo as agendas: apenas cinco. A pasta foi criada como uma tentativa de ampliar a base de apoio do governo em áreas específicas.
O presidente também recebe pouco Celso Sabino (Turismo), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e André Fufuca (Esporte), que assumiram seus cargos na última reforma ministerial do governo, no segundo semestre de 2023, para acomodar os interesses do Centrão. Com uma média de sete encontros com o presidente, contudo, esses ministros ainda estão distantes das decisões centrais do poder.
Fim de jogo
Em um jogo onde presença se traduz em poder, quem está à margem pode acabar perdendo espaço. Como disse Lula na última reunião ministerial: “Se eu tiver que trocar alguém, vou trocar.”
No fim de uma partida, todas as peças se misturam em uma mesma caixa. Mas no xadrez político, a cada eleição, o tabuleiro é reabastecido. E quem era ministro…
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



