Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Vitor Ramil põe melodia na poesia cotidiana e irônica de Angélica Freitas

O músico, que completa 60 anos, celebra lançamento de álbum que conta com poemas certeiros da conterrânea

Foto: Marcelo Soares/Divulgação
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Ao ler os poemas de Angélica Freitas, Vitor Ramil viu a chance de musicá-los. O músico e a poeta são da mesma cidade, Pelotas, no Rio Grande do Sul, e começaram a ter contatos próximos há cerca de 15 anos.

A primeira gravação de um poema dela saiu no seu último álbum, Campos Neutrais (2017). O escolhido foi Stradivarius, sobre os momentos de um passageiro com seu violino durante a queda de um avião – a poeta é sarcástica e provocadora nos versos.

Agora, Ramil lança Avenida Angélica, com a canção de mesmo nome e mais 16 inéditas, a partir de poesias de Angélica publicadas nos livros Rilke Shake e Um Útero É do Tamanho de um Punho

O álbum lançado em 7 de abril nas plataformas de música, data em que o músico completou 60 anos e um dia antes do aniversário da conterrânea poeta, foi bem registrado em voz e violão.

“As letras dela têm um poder comunicativo”, diz o músico, que também gravou o poema do trabalho de estreia de Angélica, o sonoro Rilk Shake.

Ramil musicou ainda Família Vende Tudo. “É um retrato pungente, sem meias palavras, de uma crise social”, declara o músico sobre a letra, que trata da necessidade da família deixar a casa em meio às dificuldades financeiras.

O músico diz ter atração pela poesia cotidiana e provocadora de Angélica: “é uma poesia muito real e, ao mesmo tempo, sútil”, e explica que fez as melodias e arranjos na medida em que cantava os versos, “encontrando o ritmo, às vezes inesperados”.

Ramil já havia lançado um disco musicando poemas em 2010 (Délibád). O álbum é composto por milongas, com poemas do argentino Jorge Luis Borges e do gaúcho João da Cunha Vargas.

Gravação

O álbum Avenida Angélica foi gravado ano passado no palco do histórico Theatro Sete de Abril, em Pelotas. O lugar precisou ser adaptado para o registro, pois passa por uma longa reforma. Mas, segundo Ramil, a acústica do espaço segue muito boa, apesar da obra.

A gravação das 17 faixas ocorreu num final de semana de agosto, sem barulho de obra e do movimento do centro da cidade. 

A ideia do registro teve início com o show de mesmo nome, Avenida Angélica, que chegou a ter apresentação em Porto Alegre e São Paulo. O projeto havia sido comtemplado pelo programa Natura Musical com shows em mais três capitais, até que veio a pandemia. Assim, o projeto foi adaptado para gravação de álbum.

No dia do lançamento do álbum, foi disponibilizado também um vídeo sobre a gravação. Avenida Angélica deverá ter versão em disco físico, mas em um formato diferente do CD tradicional, com fotos. 

Ano passado, Ramil completou 40 anos do lançamento de seu primeiro disco, o Estrela, Estrela.

Augusto Diniz

Augusto Diniz
Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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