Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Roberta Oliveira: ‘Ser sagrado no terreiro é uma coisa, mas ir para a rua e falar é ato de rebeldia’

A cantora exalta a religiosidade no samba em novo disco, com composições de Capri, Adilson Bispo, Guiga De Ogum, Douglas Germano e Chico Saraiva

Roberta Oliveira: ‘Ser sagrado no terreiro é uma coisa, mas ir para a rua e falar é ato de rebeldia’
Roberta Oliveira: ‘Ser sagrado no terreiro é uma coisa, mas ir para a rua e falar é ato de rebeldia’
Foto: Divulgação
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Pejí – o Altar Sagrado do Samba é o álbum que a cantora e compositora Roberta Oliveira acaba de lançar. Segundo ela, “o samba vem de muito longe, nasceu com nossos ancestrais”.

“A gente queria mostrar isso na diversidade, distribuída nessas faixas com arranjos diferenciados, para dizer que samba, orixá e ancestralidade funcionam na mesma vertente”, diz a CartaCapital.

Ela explica que pejí é um altar, um lugar sagrado onde se depositam as oferendas. “Quando a gente diz ‘pejí’, a gente fala do que tem de mais importante de entrega desse lugar.”

O disco tem composições inéditas de autores conhecidos do samba, como Roberto Capri, Adilson Bispo, Guiga De Ogum e Douglas Germano, além de novos nomes do samba paulistano, como Sil Oléa, Aninha Batucada, Aloysio Letra, Anderson Soares e Daniel Arruda.

Roberta Oliveira também assina duas canções: uma em parceria com Chico Saraiva, outra com Rodolfo Stocco. Os arranjos do álbum são de Matheus Nascimento, Felipe Siles e João Nascimento.

O registro fonográfico, já disponível nas plataformas de música, sai pelo Cuíca Música, selo novo que neste ano já lançou, entre vários projetos, dois outros grandes discos: Ao Sul do Mundo, do pianista chileno radicado no Brasil Samuka Cartes, e No Terreiro: No Tempo da Balança, do Conjunto no Terreiro.

“O repertório, para mim, tem que arrepiar. Se não me arrepiar é porque não bateu”, conta Roberta Oliveira sobre o processo de seleção das 12 músicas que entraram em Pejí – Altar Sagrado do Samba.

O disco exalta a religiosidade no samba, que tem relações fortes e ligadas à origem do gênero. O trabalho explora o ritmo do samba na sua variante mais próxima à cultura afro-religiosa.

“Quando eu era pequena, não podia pendurar roupa de santo no varal. O povo ia lá e dava um sacode na gente. Isso não mudou. Ser sagrado dentro do terreiro é uma coisa, mas ir para a rua e falar abertamente, depois de tantas pessoas terem sofrido com isso, é um ato de rebeldia.”

“Eu sou de Campinas, a última cidade a libertar os escravos no mundo. Não gostava de samba. Foi tirada toda a minha cultura. Não me reconhecia. A gente precisa deixar o mundo mais crítico. A gente não pode ter medo de contar essa história”, afirma. “Este trabalho representa muitas pessoas que vieram antes de mim.”

Roberta Oliveira comanda desde 2013 a roda de samba Samburbano, que acontece no último sábado do mês, de forma gratuita e aberta ao público no Largo da Santa Cecília, no centro de São Paulo.

Em 2010, a cantora apresentou um EP, intitulado Roberta Oliveira & O Bando de Lá. Em 6 de setembro, Roberta Oliveira lançará no Sesc 24 de Maio, na capital paulista, o álbum Pejí – o Altar Sagrado do Samba.

Assista à entrevista de Roberta Oliveira a CartaCapital:

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