Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Reprimarização da economia impulsionou o sertanejo, diz sociólogo

Caíque Carvalho lança livro no qual discorre sobre as inter-relações do gênero e o agronegócio

Reprimarização da economia impulsionou o sertanejo, diz sociólogo
Reprimarização da economia impulsionou o sertanejo, diz sociólogo
Livro mostra a conexão entre o agronegócio e o sertanejo universitário – foto: divulgação
Apoie Siga-nos no

O início deste século foi marcado pela reprimarização da economia brasileira, movimento no qual produtos primários, notadamente commodities agrícolas, passaram a ditar as exportações e movimentar bens e serviços pelo país afora. O sertanejo universitário foi impulsionado nesse contexto, depois de um crescimento do estilo musical verificado a partir dos anos 1980, com duplas como Chitãozinho e Xororó e Zezé de Camargo e Luciano promovendo a figura do cowboy brasileiro em um País agrícola em desenvolvimento.

O livro recém-lançado Sertanejo Universitário, Agronegócio e Indústria Cultural, de Caíque Carvalho (Editora Telha) dá o contexto de como essa simbiose se deu. O autor, com mestrado e doutorado em sociologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), é um estudioso no tema.

Em plena expansão das cidades médias, principalmente do Centro-Oeste, o agronegócio demandava mão de obra capacitada, ao mesmo tempo que encorajava a abertura de serviços, como os de ensino superior, nos centros urbanos do interior do país.

A obra relata o recrudescimento do sertanejo nesse novo público universitário, e também aquele instigado a ingressar na faculdade e se inserir no mercado de trabalho na primeira década do ano 2000.

Ao mesmo tempo, o sertanejo larga a temática das relações afetivas para composições de desapego amoroso e a festa, representando um novo tempo de transformação social, agora inserido no ambiente universitário. O autor destaca que as políticas públicas dos primeiros mandatos de Lula contribuíram muito para isso, com a inserção das classes média e baixa no ensino superior.

Caíque Carvalho lembra que os principais artistas do sertanejo universitário, em sua primeira fase, fizeram faculdade, como foi o caso de João Bosco e Vinicius (apontados como pioneiros do subgênero). Alguns deles ingressaram até em cursos ligados ao agronegócio, como Mateus (da dupla com Jorge), que estudou agronomia, assim como Sorocaba (da dupla com Fernando).

O marco do sertanejo universitário, de acordo com o livro, foi a música Ai Se Eu te Pego (2008), interpretada por Michel Teló. O autor narra as nuances da formação do sertanejo universitário, com análise também das letras que marcaram a estética do subgênero.

Os artistas do sertanejo universitário ocuparam as feiras agropecuárias pelo Brasil afora como espaço de circulação musical exclusiva – embora o movimento de participação de sertanejos em eventos desse tipo remonta de meados do século passado.

Mas esse domínio do sertanejo universitário nas feiras agropecuárias, conforme relata Carvalho no livro, reforça a modernidade e a jovialidade do agronegócio ao mesmo tempo que ressalta sua tradição no campo, numa relação simbólica da indústria cultural com o setor econômico.

Sertanejo Universitário, Agronegócio e Indústria Cultural ajuda a entender como se dá a aproximação ideológica neste século do sertanejo com o agronegócio.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo