Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Relançado com novas gravações, único disco ao vivo de Cazuza segue atual

O álbum ‘O Tempo Não Para’ apresenta agora na íntegra o show do cantor, com a emblemática música ‘Brasil’

Foto: Reprodução
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O show foi um importante acontecimento naquela época. Cazuza retornava aos palcos para uma turnê depois de ser diagnosticado como portador de HIV. 

As apresentações começaram em pequenos palcos, como o Aeroanta, na capital paulista, e foram ganhando corpo na medida em que Cazuza e banda percorriam o País.

Quando o espetáculo chegou para uma temporada no extinto Canecão, no Rio de Janeiro, foi uma catarse. Uma gravação ao vivo foi feita e imediatamente lançada, tendo enorme sucesso – Cazuza morreria quase dois anos depois do registro. 

Só que o álbum continha apenas dez das 17 músicas do repertório da apresentação. Além disso, mudaram a ordem de entrada das canções.

No último dia 4, quando Cazuza completaria 64 anos, foi relançado o álbum na íntegra, com as músicas na ordem que foram apresentadas e as declarações do artista durante o show.

O álbum já tinha vários clássicos, como Vida Louca Vida (Bernardo Vilhena e Lobão), Ideologia (Frejat e Cazuza), O Nosso Amor a Gente Inventa (Rogerio Meanda, João Rebouças e Cazuza), Todo O Amor que Houver Nessa Vida (Frejat e Cazuza), Codinome Beija-Flor (Reinaldo Arias, Cazuza e Ezequiel Neves), Exagerado (Ezequiel Neves, Leoni e Cazuza), O Tempo Não Para (Arnaldo Brandao e Cazuza) e Faz Parte do Meu Show (Cazuza e Renato Ladeira).

Das sete novas gravações que entraram no relançado disco, mais dois clássicos: Preciso Dizer que Te Amo (Dé, Bebel Gilberto e Cazuza) e Brasil (George Israel, Nilo Romero e Cazuza). As outras canções, também composições de Cazuza, mostram o lado blues do cantor.

O álbum, o único ao vivo de Cazuza, apresenta um artista maduro, cantando bem, influente, sem meias palavras, com canções de amor, comportamentais, de rebeldia e política. 

A faixa Brasil, que entrou no relançamento, é exemplo de sua inquietação, embora tivesse nascido num berço de classe alta: “Brasil!/ Mostra a tua cara/ Quero ver quem paga/ Pra gente ficar assim/ Brasil!/ Qual é o teu negócio?/ O nome do teu sócio?/ Confia em mim”.

Identificação com a juventude

Cazuza tinha enorme comunicação com os jovens da época, naquele período de redemocratização do País, que permaneceu ao longo tempo. O cantor é muito ouvido até hoje. 

Segundo Ney Matogrosso, que participou de um evento virtual de relançamento do álbum, o disco é atualíssimo. Para ele, Cazuza “estaria indignado” hoje com a situação política que vive o País.

Lucinha Araújo, sua mãe e protetora de sua obra, e que também participou do evento virtual, comentou que Cazuza “sairia algemado” se fosse proibido de se manifestar politicamente, como ocorreu no festival Lollapalooza recentemente.

Diretor artístico da turnê que virou álbum, Ney Matogrosso conta que o show estava praticamente pronto quando Cazuza lhe mostrou a música O Tempo Não Para. A canção acabou dando significado e nome ao projeto, lembra.

Faz Parte de Meu Show, que encerra o espetáculo e por certo uma das canções mais belas em letra e melodia já feitas pós-ditadura, Nilo Romero, baixista e diretor musical do espetáculo, conta que a música era um rock, mas após passar pelas mãos do maestro e arranjador Waltel Branco foi dada “uma cara de bossa nova”. 

Participaram ainda das gravações do álbum ao vivo Christiaan Oyens (bateria), Ricardo Palmeira (guitarra), Luce Oliveira (guitarra e vocais), Widor Santiago (saxofonista), João Rebouças (teclados e vocais) e Jurema Lourenço e Jussara Lourenço (vocais).

O relançamento do álbum O Tempo Não Para (Universal Music) já está disponível nas plataformas de música. A canção Blues da Piedade (“Agora eu vou cantar pros miseráveis/ Que vagam pelo mundo derrotados” são as palavras de abertura da canção) inserida no novo disco, ganhou um clipe dirigido por Barbara Coimbra com imagens do show e intervenções visuais. Assista aqui.

Augusto Diniz

Augusto Diniz
Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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