Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
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Rashid se reconecta à cultura hip hop: ‘Perdemos o senso de contracultura’
Em novo disco, o rapper clama por reaproximação com os princípios em que o rap se baseia
O novo álbum de Rashid, Cumulonimbus, não foi lançado à toa no último 11 de agosto. A data é o marco do nascimento do hip hop em Nova York e o dia nacional do movimento no Brasil. O rapper aproveitou o momento para chamar a atenção sobre a necessidade de o gênero se reaproximar do conceito presente em suas origens.
“O disco é um puxão de orelha para olharmos para as bases de nossa cultura hip hop, que fez a gente ser do tamanho que é”, afirmou Rashid em entrevista a CartaCapital.
Na última década, segundo ele, o rap — um dos elementos do hip hop — se expandiu e artistas despontaram. “Mas ele cresceu tanto que colocou a gente distante do que são, de fato, os valores e os princípios que trouxeram a gente até aqui. Ficamos como artistas pop”, resume. “Tivemos que agradar muita gente e perdemos o senso de contracultura, que é a nossa base.”
Cumulonimbus, o sexto álbum de estúdio do rapper, veio com a proposta de iluminar o contexto em que o rap surgiu, com papel transformador e de resistência, além de apontar a necessidade de manter o movimento aceso. O resultado é exitoso em 15 faixas carregadas de significados.
Cumuloninbus tem várias participações de peso: Emicida, Projota, Luedji Luna, Kamau, Rael, Paula Lima, MC Neguinho do Kaxeta, Jota Ghetto, Slim Rimografia e Flavia K.
O disco começa com uma citação instrumental à música Paula e Bebeto, de Caetano Veloso e Milton Nascimento. O trabalho também faz referência a Olha Bem, de Gonzaguinha.
As faixas oscilam entre provocações, argumentos, motivações, lembranças e críticas sociais, com diversas camadas instrumentais de um artista que alcança a maturidade musical depois de cerca de 20 anos de carreira. “Sinto agora a necessidade de me comunicar com os interessados e as interessadas pelo rap.”
A faixa Defensores da Arte do Gueto sintetiza o conceito do trabalho de convidar as pessoas a se juntarem novamente para ações em torno dos elementos da cultura hip hop.
Para Rashid, é necessário olhar não apenas para aqueles que estão sob os holofotes do rap, mas para os que mantêm viva a cultura nas batalhas de rima e nos shows do gênero, valorizando a experiência coletiva do movimento. “Precisamos olhar esse lugar, porque a gente se transformou em uma máquina industrial.”
Assista à entrevista de Rashid a CartaCapital:
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