Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Pupillo exalta os 30 anos do Afrociberdelia: ‘Utilizar a cultura como matéria-prima’

O produtor e ex-músico do Nação Zumbi lança seu 1º álbum, mostrando habilidade em reunir diferentes elementos musicais em um só trabalho

Pupillo exalta os 30 anos do Afrociberdelia: ‘Utilizar a cultura como matéria-prima’
Pupillo exalta os 30 anos do Afrociberdelia: ‘Utilizar a cultura como matéria-prima’
O músico Pupillo. Foto: Lola Magalhãez/CartaCapital
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O músico Pupillo começou como baterista do Nação Zumbi – liderado por Chico Science – logo depois do lançamento do Da Lama ao Caos (1994). Foram anos impactantes na música brasileira. Ele foi até 2018 com o a banda, quando decidiu mergulhar na carreira de produtor e acabou se tornando um dos melhores do ramo. Agora, Pupillo lança seu primeiro álbum solo.

“O Nação Zumbi me proporcionou toda a minha trajetória”, diz em entrevista a CartaCapital. Ele conta que ao acompanhar de perto a produção no Rio de Janeiro do segundo álbum da banda com Chico Science o deixou fascinado. “Foi daí que despertei o interesse em produzir e abrir outras frentes de trabalho que não fosse só o meu instrumento ou a composição”, conta.

Para Pupillo, o álbum Afrociberdelia, que completa 30 anos de lançamento, é um marco por estabelecer uma conexão forte entre a música brasileira e a música de do País. “A gente utiliza a nossa cultura como matéria-prima, e acha uma maneira dessa matéria-prima se conectar com o restante do mundo”, explica.

O músico lembra que na época o Nordeste havia colocado artistas da cultura popular, como Lia de Itamaracá e Metre Salustiano, no ostracismo, “com muita dificuldade para manter aquela cultura viva”. Mas, de acordo com Pupillo, “o movimento [Manguebeat] chega com a força de resgatar essa autoestima” quando passa a utilizar elementos da cultura popular.

O músico considera essa etapa de sua carreira importante e que contribuiu tanto na sua carreira de produtor como na construção de seu primeiro disco – que leva o seu nome Pupillo –, lançado recentemente, com 12 faixas instrumentais, reunindo com maestria elementos do forró e de bandas de pífano até o jazz e hip-hop. O trabalho conta com participações de Céu e Carminho, do pianista Amaro Freitas, do guitarrista Davi Moraes e do baixista Alberto Continentino.

O artista conta que o álbum é um extrato de suas memórias. “Esse disco não é só um recorte de minha vivência como músico, mas aquela criança e adolescente que viveu a cultura de Pernambuco na rua”, ressalta. “É um disco de um músico que vem do Nordeste, então a presença é forte desse Nordeste”, complementa.

A obra expressa a qualidade excepcional de produtor que Pupillo alcançou. Cita-se que ele já produziu nomes como Gal Costa, Erasmo Carlos e Nando Reis – e toca hoje nas bandas de Marisa Monte e Arnaldo Antunes.

Com interesse em mostrar trabalhos que perdurem ou tragam efeito de longo prazo para o ouvinte, ele acha que a cultura do single torna a música efêmera. “É difícil [com single] para alguns artistas, mesmo aqueles como milhões de acessos, construir uma obra que fique. O álbum cumpre essa função”, destaca.

Ele vê uma geração na música muito talentosa, mas na hora que desperta para arte, já se apressa em querer lançar uma música. “Sou dá época que se fazia demo (uma gravação caseira com músicas para demonstração) e se tocava em lugares vazios onde só iam os amigos. Mas era uma carreira que quando se consolidava, se perpetuava. O álbum ajuda a contar uma história”, ressalta.

Assista à entrevista de Pupillo a CartaCapital:

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