Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Não é verdadeiro o discurso de que a favela venceu só porque um ascendeu, diz o rapper Roger Deff

Com seis álbum lançados, o artista persiste no rap de contestação e reflexão: ‘Nossos problemas não estão resolvidos’

Não é verdadeiro o discurso de que a favela venceu só porque um ascendeu, diz o rapper Roger Deff
Não é verdadeiro o discurso de que a favela venceu só porque um ascendeu, diz o rapper Roger Deff
Foto: Flávio Charchar
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No rap desde a metade dos anos 1990, o mineiro Roger Deff lançou três discos com a banda Julgamento e três álbuns solo: Etnografia Suburbana (2019) – a faixa-título fez parte da trilha sonora da novela Volta por Cima -, Pra Romper Fronteiras (2021) e Alegoria da Paisagem (2023).

Deff relatou a CartaCapital que o rap fez parte de sua adolescência, em um momento em que esteve afastado da escola — à época, sentiu um desejo renovado de conhecer discos e livros. Atualmente, é mestre em Artes pela Universidade do Estado de Minas Gerais, com estudos sobre o hip hop.

“A minha pretensão é que alguém se sinta tão afetado como fui (pelo rap)”, afirmou. “A minha formação do hip hop vem da escola clássica, assim como o diálogo com elementos da música brasileira que fazem parte dela.”

A banda Julgamento se inspirava no grupo americano de hip hop Public Enemy. Havia, segundo Deff, “uma questão política” — elemento que não se perdeu na fase solo, mas que é acompanhado por traços mais pessoais.

“Fui tratar de meu território, da minha quebrada, que tem mais a ver com minha formação como indivíduo, nesse lugar de sujeito periférico, negro, que transita pela cidade e, ao mesmo tempo, constrói narrativas no ambiente acadêmico.”

É preciso insistir nessa temática, enfatiza, porque os problemas das comunidades não se resolveram e a população negra ainda sofre com a exclusão.

“O discurso de que a favela venceu só porque uma pessoa ascendeu não é verdadeiro”, resume. “Vou sempre celebrar o fato de um irmão ocupar espaços que eram impensáveis para nós. Celebro essa vitória, mas isso não resolve uma questão coletiva.

Ele acredita ser direito do artista escolher os temas que abordará em suas canções. Ou seja, entende que não é uma obrigação estar “engajado”, porque isso inviabilizaria a liberdade de criação. Por outro lado, considera importante o rap não perder a tradição de falar sobre seus territórios e seus problemas não resolvidos.

Agora, com seu mais recente álbum, Alegoria da Paisagem, Deff apresenta um trabalho ainda mais pessoal. “Fiz em um momento de tratar a periferia enquanto paisagem que não é vista, é inviabilizada.”

Assista à entrevista do rapper Roger Deff a CartaCapital:

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