Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

‘Minas’, de Milton Nascimento, faz 50 anos; relembre o espetacular disco

‘Fé Cega, Faca Amolada’, ‘Ponta de Areia’ e ‘Paula e Bebeto’ integraram o repertório do artista por décadas

‘Minas’, de Milton Nascimento, faz 50 anos; relembre o espetacular disco
‘Minas’, de Milton Nascimento, faz 50 anos; relembre o espetacular disco
Foto: Cafi
Apoie Siga-nos no

O álbum Minas (1975), de Milton Nascimento, que completa 50 anos em 2025, é intrincado. O cantor usa sua voz como instrumento e tem coro (de adultos e crianças), música incidental, arranjos ousados, a voz aguda de Beto Guedes e temas críticos. O disco, o sétimo de estúdio da carreira do mineiro, é espetacular.

Na primeira faixa, a instrumental Minas (Novelli), com a potente voz de Milton repetindo apenas sons, além de um coro de crianças abrindo e fechando com Paula e Bebeto (Milton e Caetano Veloso) somente na vocalização. É um início poderoso.

Em seguida, Fé Cega, Faca Amolada (Milton e Ronaldo Bastos), uma crítica sutil à ditadura. Beto Guedes faz sua segunda participação no disco, realizando um contraponto vocal com Milton na emblemática canção.

Em seguida, a belíssima Beijo Partido, de Toninho Horta, que faz violões e guitarras no disco, com arranjos impecáveis e variações sonoras. Depois, um coro abre Saudade dos Aviões da Panair (Milton e Fernando Brant), uma conversa com memórias do encerramento nebuloso da companhia área pelo regime militar. Nessa gravação, mais uma vez o coro infantil vocaliza incidentalmente Paula e Bebeto.

Gran Circo (Milton e Marcio Borges), a quinta faixa, é o “pão e circo” metaforicamente empregado em uma instrumentação um tanto sinistra. Na sexta faixa, Ponto de Areia (Milton e Fernando Brant), sobre uma ferrovia que existiu e “ligava Minas ao porto, ao mar (na Bahia)”. A canção tem dramaticidade e coro infantil fazendo vocalização.

Em Trastevere (Milton e Ronaldo Bastos), mais dramaticidade, com destaque aos arranjos dissonantes e a uma letra conflitante entre o moderno e o antigo. A seguir, Idolatrada (Milton e Fernando Brant), com referência à mulher e novo coro de crianças vocalizando a canção Paula e Bebeto, e Leila (Venha ser Feliz), dedicada a Leila Diniz.

Na décima faixa, a música Paula e Bebeto na íntegra, feita para um casal amigo de Milton. É uma canção de dois gênios: Milton e Caetano. Fechando o disco, Simples (Nelson Angelo), uma referência à infância.

A produção é de Ronaldo Bastos e os arranjos são de Wagner Tiso. Minas é um antológico álbum, com sonoridade e instrumentação inusuais e modernas, que marcou a carreira de Milton Nascimento após o sensacional Clube da Esquina (1972). As canções do trabalho Fé Cega, Faca Amolado, Ponta de Areia e Paula e Bebeto integraram o repertório do artista por décadas.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo