Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Mesmo sem valorização, samba de bumbo resiste no Carnaval de Santana de Parnaíba

A tradição paulista tornou-se patrimônio cultural do Brasil, mas ainda aguarda o plano de salvaguarda do Iphan

Mesmo sem valorização, samba de bumbo resiste no Carnaval de Santana de Parnaíba
Mesmo sem valorização, samba de bumbo resiste no Carnaval de Santana de Parnaíba
(Prefeitura Municipal de Santa de Parnaíba)
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Na sexta-feira 28, o centenário Grito da Noite abre oficialmente o Carnaval de Santana de Parnaíba. O som do bloco ecoa pelo centro histórico da cidade da Grande São Paulo, impulsionado pelo toque grave do bumbo – elemento central de uma das tradições culturais mais antigas do Estado.

Além do Grito da Noite, outros blocos que desfilam até a terça-feira de Carnaval, como Galo Preto, Samba do Pé Vermêio, Bloco Abayomi, Berro da Noite do Sexo Forte, Galo Garnisé e Esquenta do Sambão, têm o samba de bumbo como base de seu repertório.

“É um movimento de resistência, porque manter uma cultura popular tradicional é sempre muito difícil”, diz João Mário Machado, pesquisador do samba de bumbo.

“Ainda mais num sistema que não necessariamente valoriza isso. Colocar o bumbo para tocar, sair na rua, é sempre um ato de resistência para poder existir”, complementa.

O samba de bumbo está presente desde os primórdios do Carnaval de Santana de Parnaíba.

Tradição e resistência

Coordenador da Casa de Samba Parnaibano – espaço idealizado por ele e ligado à prefeitura local, que abriga exposições e atividades educacionais sobre o tema –, João Mário também é bumbeiro (tocador de bumbo) do Grito da Noite e auxilia outros blocos a saírem às ruas.

“O samba de bumbo não se restringe ao Carnaval. As comunidades fazem samba o ano todo, promovem suas festas em diferentes lugares”, explica. “Mas, em Santana de Parnaíba, essa cultura se mantém muito viva durante a folia.”

Para ele, é essencial cuidar dos mestres da tradição, responsáveis por transmiti-la oralmente.

“Geralmente, são pessoas pretas e periféricas, que enfrentam inúmeras dificuldades”, ressalta.

Apesar de sua importância histórica e cultural, o samba de bumbo ainda é pouco explorado no município. Segundo João Mário, é necessário desenvolver políticas públicas para garantir sua preservação.

Em 2023, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o samba de bumbo paulista como patrimônio cultural imaterial do Brasil. No entanto, a formalização ainda não trouxe mudanças concretas.

“Agora, aguardamos o Iphan para elaborar o plano de salvaguarda. O registro, por si só, não faz diferença. O essencial é pensar em um plano para preservar a tradição e garantir recursos para sua manutenção”, explica o pesquisador.

No Carnaval de Santana de Parnaíba, há blocos que chegam a reunir 15 bumbos em seus cortejos. Diferente da escola de samba, em que o surdo faz a marcação, no samba de bumbo é o bumbo maior e grave que assume o papel de solista.

Além dos bumbos, os blocos contam com diferentes instrumentos percussivos e entoam seus pontos, versos e sambas, criando uma sonoridade única.

“Preservar a memória do samba de bumbo é garantir sua continuidade e compreensão no futuro”, afirma João Mário.

“Para os mais velhos, esse movimento transforma, traz dignidade e um lugar de pertencimento.”

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