Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

Libertária e inquieta, Rita Lee foi ela mesma, sem nenhuma forçação de barra

Sua postura, obviamente, atingia em cheio os conservadores – a quem ela tratava com merecido deboche

A cantora Rita Lee. Foto: Yasuyoshi CHIBA/AFP
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Rita Lee partiu deixando uma obra de clássicos definitivos do pop-rock nacional, sem precedentes para uma cantora e compositora do gênero. Tocava corações à sua maneira, oscilando entre o amor e o desejo sexual.

Mesmo para uma artista, Rita tinha um comportamento fora do padrão. Era uma “ovelha negra”, parafraseando um de seus maiores sucessos. Não chegava a ser excêntrica ou afeita a arroubos – era, isto sim, irônica, inquieta e peculiar.

Voz da mulher no rock nacional, Rita Lee foi ela mesma, sem nenhuma forçação de barra. Sua postura libertária e transformadora, obviamente, atingia em cheio os conservadores – a quem ela tratava com merecido deboche.

Rita Lee foi uma das mais bem-vindas existências em nossa música. Ainda dançaremos por muito tempo suas canções.

Discografia e parcerias

Na juventude, Rita chegou a integrar a Tropicália, o movimento que deu uma guinada na música brasileira e forjou uma das gerações mais talentosas de músicos de todos os tempos.

Com Os Mutantes (junto com os irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista) e depois com a banda Tutti-Frutti, ambas de características roqueiras, Rita Lee já enfileirava canções de sucesso, como Ando Meio Desligado (dela com irmãos dos Mutantes), Ovelha Negra (só dela), Agora Só Falta Você (dela com Luis Sérgio Carlini, da banda Tutti-Frutti) e Jardins da Babilônia (dela com Lee Marcucci, da Tutti-Frutti).

Com Roberto de Carvalho, seu companheiro de vida e também talentoso compositor e multi-instrumentista, produziu Atlântida, Nem Luxo, Nem Lixo, On the Rocks, Lança Perfume, Disco Voador, Desculpe o Auê, Alô, Alô Marciano (eternizada por Elis Regina), Pega Rapaz, Mania de Você, Bem-Me-Quer, Saúde, Caso Sério, Banho de Espuma, e por aí vai. 

https://www.youtube.com/watch?v=wSSmcJNLzFI

Rita compôs ainda com Tom Zé, Itamar Assumpção, Ed Mota (a ótima Colombina), Paulo Coelho (Cartão Postal, Arrombou a Festa, Esse Tal de Rock Enrow), Gilberto Gil (Refestança, faixa-título do álbum dos dois).

Sua personalidade tinha simbiose muito forte com suas letras musicais. Cita-se ainda duas outras canções feitas sozinha muito bem construídas – e que caíram também na boca de muita gente: Doce Vampiro e Baila Comigo. 

Depois de 30 álbuns lançados, entre inéditos e de regravações, Rita Lee lançou Reza, de 2012, seu último registro fonográfico. É um disco padrão Rita Lee: dançante, com a sonoridade e o sarcasmo de sempre nas composições. O tom, porém, já era de despedida – já naquela época, ela anunciou sua aposentadoria.

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