Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Augusto Diniz | Música brasileira

João Gordo: Vivemos na necropolítica. Eles decidem quem vai viver e quem vai morrer

Banda Ratos de Porão lança álbum crítico à era bolsonarista: ‘Cada letra narro o que está acontecendo de 2018 para cá’, diz o vocalista

Foto: Marcos Hermes/Divulgação
Foto: Marcos Hermes/Divulgação
Apoie Siga-nos no

O grupo Ratos de Porão, para celebrar 40 anos de estrada, lança novo álbum, com o nome de Necropolítica. O vocalista da banda, João Gordo, explica que o título refere-se à degradação social e política dos últimos anos. “Vivemos na necropolítica. Eles decidem quem vai viver e quem vai morrer”, diz.

“O lance de Manaus foi o mais traumático”, afirma. Durante a pandemia, a capital amazonense sofreu com a falta de oxigênio nos hospitais, essencial para manter vivos pacientes vítimas da Covid-19. “As pessoas não tinham insumo para serem intubadas”, lembra.

“O nome (do disco) é perfeito para marcar esta época que estamos vivendo. É um disco fúnebre porque morreram muitas pessoas. Metade delas poderia ter sido salva se não fosse o negacionismo retardado”.

João Gordo conta que as letras das músicas do décimo-terceiro álbum da banda, feitas por ele, foram compostas para extravasar o período difícil da pandemia. Já as melodias foram produzidas pelos integrantes do grupo Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (na bateria). O Necropolítica, no Brasil, será lançado em CD pelo selo Shinigami e em vinil, pela Anomalia.

“O disco parece uma opereta. Ali tá meu ódio“, revela. “Cada letra eu estou narrando o que está acontecendo de 2018 para cá. Está registrado aí para o pessoal ficar sabendo o que aconteceu”.

O grupo, que começou como punk hardcore, recebeu influências de subgêneros do heavy metal ao longo do tempo que estão representadas neste novo disco.

O músico lembra dos primeiros álbuns do Ratos de Porão, todos muito críticos em um período também de crise aguda. “Você pega o (álbum) Brasil, que é um disco de 1989, parece que foi feito agora”.

João se envolveu em três trabalhos solos durante pandemia: um de death metal com a banda Lockdown, um de versões rockabilly de clássicos do punk rock com o Asteroides Trio e o Brutal Brega. Este último é um álbum de memória afetiva dos anos 70 de João Gordo.

Ele conta também como começou o projeto Solidariedade Vegan, iniciativa da mulher, Viviane Torrico, que já distribuiu mais de 180 mil marmitas a moradores de rua nos dois anos de pandemia.

“São Paulo é um acampamento a céu aberto”, resume sobre a quantidade de pessoas morando na rua na maior cidade brasileira. Ele coloca a Cracolândia como exemplo da necropolítica: “A realidade está na rua, está no supermercado. Não fique preso na sua bolha”.

Assista a entrevista na íntegra de João Gordo.

Augusto Diniz

Augusto Diniz
Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

Tags: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.