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Gabriel Andrade, do Coala, vê o mercado de festivais ainda em acomodação
A 12.ª edição don evento acontece nos dias 12 e 13 de setembro; entre as atrações, Maria Bethânia, Criolo e Emicida
O Coala Festival chega à 12.ª edição em um momento de acomodação do mercado de festivais. Depois de quatro anos com três dias de programação, o evento volta a ocupar dois dias — 12 e 13 de setembro — no Memorial da América Latina, em São Paulo.
A mudança, segundo Gabriel Andrade, fundador e curador do Coala, tem relação com a volta do “velho normal” depois da explosão de eventos no pós-pandemia.
“O mercado está voltando para uma normalidade. No pós-pandemia surgiram muitas coisas”, afirmou Gabriel, em entrevista ao programa Sobre Tom, de CartaCapital.
De 2022 a 2025, quando o Coala foi realizado em três dias, havia uma demanda maior por esse tipo de evento.
Em 2026, avalia o curador, o cenário já é outro: o setor começa a se acomodar depois de anos de expansão acelerada.
Para Gabriel, parte dos festivais que surgiram nesse período nasceu sem uma identidade suficientemente clara para se sustentar.
“Quando se coloca um produto no mercado, precisa ser único. No Coala a gente conseguiu manter esse DNA desde o começo”, afirma. “Para conseguir construir uma marca e se manter, além de tomar muita porrada e perder dinheiro, tem que ter um ponto de vista que una uma galera em volta daquilo.”
O ajuste, porém, ainda está em curso. “Ao mesmo tempo que é uma pena que várias iniciativas deixaram de existir, isso era esperado também”, diz.
A conta ficou ainda mais apertada com a multiplicação de shows em estádios, turnês nacionais e apresentações de artistas estrangeiros no Brasil.
“Isso inflaciona tudo: custo dos artistas e de fornecedores. O que aconteceu foi que as margens ficaram achatadas e ficou difícil a conta fechar”, explica Gabriel sobre a curta duração de parte dos festivais surgidos nos últimos anos.
Ele cita o C6 Fest como exemplo de evento que encontrou uma fórmula própria e conseguiu, em sua avaliação, atingir seus objetivos com uma direção artística bem definida.
É nesse ambiente mais competitivo que o Coala tenta preservar sua marca: uma programação centrada na música brasileira, equilibrando nomes consagrados, encontros pouco óbvios e artistas em ascensão.
No sábado, 12, a programação do palco principal começa com Zeca Veloso e segue com Buraka Som Sistema, Cícero com participação de Duda Beat, Marcos Valle com Ana Frango Elétrico, Emicida, com o show do disco Racional VL 2 – Mesmas Cores & Mesmos Valores, e Maria Bethânia.
No domingo, 13, sobem ao palco Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro, Duquesa, Luedji Luna com participação do Fat Family, João Gomes, Seu Jorge e Criolo, que celebra os 15 anos do álbum Nó na Orelha.
Pelo segundo ano, o festival também ocupa o auditório Simón Bolívar, além do palco principal ao ar livre. A ideia, segundo Gabriel, é reservar o espaço fechado para apresentações que pedem outra atmosfera.
“No auditório a gente traz experiências de música que não fariam tanto sentido no palco principal, com shows mais contemplativos”, explica.
A programação terá um espetáculo por dia: Rubel & Orquestra, em 12 de setembro, e Tom Zé, 90 Anos, no dia 13.
Entre as atrações do palco principal, Gabriel destaca o Buraka Som Sistema, grupo luso-angolano. “Deve ser um show surpreendente”, diz.
A presença do grupo também aponta para uma frente que o Coala pretende aprofundar. Desde 2024, o festival tem uma edição em Portugal e tenta ampliar as conexões entre artistas de países de língua portuguesa.
“Hoje no Brasil está difícil fazer uma curadoria original, e essa ponte que a gente está fazendo com Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique talvez deixe o festival mais interessante no futuro”, afirma.
O movimento ajuda a explicar uma das tensões permanentes da curadoria: crescer sem diluir a identidade que fez o festival chegar até aqui.
“À medida que o festival cresce, vai se tendo uma pressão comercial maior. É sempre um balanço de uma programação que tenha potencial comercial, mas que não perca a identidade, o charme.”
Essa busca também aparece fora dos nomes principais. Além dos DJs que ocupam os intervalos entre os shows, o domingo terá, antes da apresentação de João Gomes, um encontro entre o cantor baiano Rom Santana, conhecido como o “Príncipe do Bixiga”, e Edmilson dos Teclados.
“Fazia tempo que queria fazer alguma coisa com essa galera que está movimentando a cidade”, afirma Gabriel.
Em um mercado que tenta reencontrar seu tamanho depois da euforia do pós-pandemia, o Coala aposta justamente no que seu fundador considera indispensável para sobreviver: uma programação capaz de crescer sem perder o ponto de vista.
Assista à entrevista de Gabriel Andrade a CartaCapital:
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