Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Fausto Fawcett: ‘O caos urbano piorou com as redes sociais’
No novo projeto, ‘Animakina’, o escritor e músico mira o “trem fantasma da atualidade”
O escritor, compositor e cantor Fausto Fawcett lançou, entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990, discos e livros marcados por narrativas poéticas, exageradas e febris sobre o cotidiano, a cidade e seus submundos.
A música Rio 40 Graus — composta por ele, Laufer e Fernanda Abreu, que a gravou em 1992 — condensava bem esse olhar de observador da realidade: beleza e caos lado a lado, numa cidade atravessada por contrastes, desejos, violência e “comandos” do submundo.
Hoje, Fawcett avalia que aquele retrato do Rio deixou de ser apenas uma crônica local para se tornar uma fotografia mais ampla do País.
“As temáticas do meu trabalho são as de um ambiente urbano em caos, que, para mim, tem graus de complexidade e labirintos de situações”, afirma ele, em entrevista a CartaCapital.
Fausto lembra que, já no início da carreira, tocava em feridas urbanas e políticas. Havia, porém, uma “mundanidade” e certa boemia atravessando aquelas narrativas. “Tinha um lance erótico e prazeroso que entrecortava essa visão já crítica”, diz.
Agora, suas letras entram de vez na era da internet e das redes sociais, com seus efeitos sobre a vida coletiva. Para ele, as pessoas parecem cada vez mais “desinformadas” no ambiente virtual. “Você pega a rede social e todo mundo virou existencialista sensacionalista”, provoca.
Seu próximo livro, Animakina, previsto para o segundo semestre, nasce justamente desse olhar atento para a vida digital. Fawcett conta que vem reunindo anotações a partir de observações feitas nas redes sociais. “Tem curiosidades ali, além de idiotice. Tem besteirol divertido e informações — por incrível que pareça”, afirma.
Antes mesmo de chegar às livrarias, Animakina já dá nome ao espetáculo de imersões audiovisuais que o artista apresenta ao lado de Paulo Beto, nas guitarras e programações; Mari Crestani, no baixo, saxofone e vocais; e Jodele Larcher, responsável pelas projeções visuais ao vivo.
No palco, Fausto impõe seu canto falado em um repertório que reúne canções dos trabalhos Favelost e Robôs Efêmeros, além de músicas inéditas. “É um espetáculo de rapsódia e crônicas urbanas, com pitadas de delírio”, define.
As composições mais recentes partem justamente dessa investigação sobre o comportamento nas redes sociais. Para Fawcett, esse universo se tornou “uma espécie de trem fantasma da atualidade”.
No início do ano, o artista lançou ainda o disco Pesadelo Ambicioso, em parceria com o trio Chelpa Ferro. O projeto nasceu como exposição, em 2021, e depois virou livro, em 2023.
Copacabana, bairro onde vive no Rio de Janeiro, segue como um campo fértil para suas reflexões sobre os contrastes do País. “O bairro continua um local interessante em termos sociológicos”, observa.
Assista à entrevista:
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