Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Em novo livro, Geraldo Carneiro relembra encontros e fala da bipolaridade

Compositor imortal relata vivências com parceiros notáveis, como Astor Piazzolla, e faz revelações da inquieta juventude

Em novo livro, Geraldo Carneiro relembra encontros e fala da bipolaridade
Em novo livro, Geraldo Carneiro relembra encontros e fala da bipolaridade
Foto: Divulgação
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Se fosse somente um letrista de música, mesmo com grandes parceiros, Geraldo Carneiro talvez não se tornasse um personagem tão lembrado na cultura e nas artes. Mas, com um trabalho diversificado nas letras, de poeta a roteirista, e um dos membros da Academia Brasileira de Letras, o compositor conseguiu ir além – com toda justiça. 

O seu livro recém-lançado, Folias de Aprendiz (editora História Real; 272 pág.), conta algumas passagens da infância e da juventude e revela o rumo diversificado tomado por Carneiro.

Natural de Belo Horizonte, se estabeleceu no Rio de Janeiro aos 3 anos. Seu pai era secretário particular do então presidente Juscelino Kubitschek. Ainda moço, sua casa já era frequentada por Jacob do Bandolim e Silvio Caldas, amigos da família.

A leitura de grandes autores acompanhou o inquieto mineiro. Amigo de classe, Eduardo Souto Neto – conhecido como autor do chamado tema da vitória na Fórmula 1, mas que fez muito mais do que isso – foi seu primeiro parceiro musical. Compuseram, por exemplo, Choro de Nada, com várias gravações de peso.

As andanças no Leblon e adjacências são cheias de histórias hilárias de bares e encontros. Carneiro guardou uma lista de recordações em meio a alguns porres. Andava próximo de jornalistas, como Carlinhos Oliveira, e escritores, como João Ubaldo Ribeiro. A amizade com Millôr Fernandes foi generosa e profunda. 

A proximidade com Egberto Gismonti, que rendeu muitas composições e produção de disco do maestro, colaborou com a profundidade e erudição musical e poética de Carneiro. 

Já a amizade com Astor Piazzolla possibilitou trabalhos dramático-musicais mais extensos e atuação no exterior. Com o argentino, ele relata intrincado relacionamento. 

A internação psiquiátrica tem descrição já no começo do livro. Ele conta os momentos que antecederam a entrada na clínica. “Chorei por todas alegrias e tristezas da vida inteira”. Teve problemas de indisciplina na escola, tratados no livro, talvez como reflexo do transtorno. 

Como não poderia deixar de ser, Carneiro é divertido no livro. Um personagem agradável, que em junho último completou 70 anos.

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