Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Djavan preserva estilo em novo disco e usa a natureza para se posicionar
Cantor e compositor lança seu 25º álbum da carreira
Natureza e amor são assuntos recorrentes na obra de Djavan. No seu 25º disco, não foi diferente. No entanto, desta vez, o músico também alerta para temas que causam apreensão nos últimos anos.
Um exemplo é na canção Beleza Destruída, gravada com Milton Nascimento, em que o artista trata da devastação da floresta. A letra: “Ver indígenas e bichos implorando pra existir/ Faz tão mal, faz tão mal/ Mas o homem cego por dinheiro, só saber dizer/ Dizimar, dizimar/ Ver tanta beleza destruída/ Encolhendo a própria vida, sim, é o fim/ Pra quem hoje o fruto do não conta/ Logo vai ter conta pra pagar pra viver”.
Outra canção de óbvia relação com esses tempos obscuros é Num Mundo de Paz: “Deixar que o vento leve/ E o amor se encarregue de tudo/ E que a gente volte a rir de tudo/ E que a vida seja longa e tudo/ Num mundo de paz”.
No novo disco, Djavan segue com uso de palavras destoantes – e populares – para encaixar a rima, para imediatamente depois caminhar por versos poéticos mais sofisticados.
As melodias sinuosas e arranjos primorosos seguem o padrão Djavan. O cantor e compositor não precisa provar nada. Já é um dos grandes da história da MPB. As canções são sempre boas para se entrar pelos ouvidos, e o álbum D não perde isso.
Destaque do disco é a gravação do samba Êh, Êh!, feita em parceria com Zeca Pagodinho (trata-se da única canção do álbum em que o alagoano divide parceria). A música já havia sido gravada por Alcione. E também a música que fecha o álbum, Iluminado, em que o músico reúne a família para uma canção descontraída e por um futuro melhor.
Djavan é bem-vindo, sempre cuidadoso e sonoro.
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