Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
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‘Realeza’: Daúde lança álbum com Lia de Itamaracá, referência da ciranda
Após parceria em shows, a cantora e a cirandeira apresentam um disco unindo tradição e modernidade
A cantora Daúde se refere como “realeza” a Lia de Itamaracá, que há sete décadas canta e dança a ciranda, uma manifestação cultural do Nordeste da qual emergiu como principal representante.
“Enxergo na Lia meus antepassados”, resumiu, em entrevista a CartaCapital. Com mais de três décadas de carreira, Daúde tem um contato intenso com Lia há quase 10 anos, com participações mútuas em shows. Faltava dar o próximo passo.
Surgiu, então, a ideia de um disco em parceria, recém-lançado pelo Selo Sesc com o nome de Pelos Olhos do Mar. Entre as inéditas, Santo Antônio da Boa Fortuna, de Emicida, é uma oração que liga passado e futuro. Já um pout-pourri de cocos com Bar do Hermínio (Dona Celia do Coco), Galo Cantou (Selma do Coco) e Xô, Xô, meu Sábiá (domínio público) resgata as tradições.
Daúde lembra que desde o início da carreira canta coco embolado, além de manter um olhar atento aos grandes mestres das tradições brasileiras, como Lia, Clementina de Jesus, Patativa do Assaré e Nelson Sargento.
A canção de Agnaldo Timóteo A Galeria do Amor entrou no disco por uma “questão afetiva”, segundo Daúde, mas não distorce o repertório, por dialogar com a liberdade musical.
Completam o álbum As Negras (Chico César), Florestania (Russo Passapusso), Quem é? (Maurilio Lopes e Silvinho), Eu Vou Pegar o Metrô (Catia de França, Lourival Lemes e Tania Alves), Pelos Olhos do Mar (Otto), Bordado (Karina Buhr) e Se Meu Amor Não Chegar Nesse São João (Baracho).
A produção de Pelos Olhos do Mar é de Pupillo e Marcus Preto, que montaram um trabalho com unidade, apesar dos compositores de estilos diferentes em cada faixa. Daúde e Lia de Itamaracá contribuíram muito, porque acima de tudo há cumplicidade, intimidade, afinidade e altivez.
Assista à entrevista de Daúde a CartaCapital:
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