Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Curta relata os primeiros registros em disco de cânticos de ritual afro-brasileiro
O documentário, centrado no personagem do samba Getúlio Marinho, pode ser visto gratuitamente
Dois discos com o título Macumbas, lançados em 1930, traziam quatro músicas: Ponto de Ogum, Ponto de Inhansan, Canto de Ogum e Canto de Exu. Seus intérpretes eram Eloy Antero Dias e Getúlio Marinho “Amor”.
Getúlio foi retratado no documentário Arruma um Pessoal pra Gente Botar uma Macumba num Disco (20 min.), de Chico Serra. O curta percorreu algumas mostras, como as últimas edições de In-Edit Brasil, Festival do Rio e Festival Visões Periféricas, e agora pode ser visto gratuitamente no Itaú Cultural Play.
O documentário observa que os discos lançados por Getúlio Marinho e Eloy Antero Dias em 1930 são os primeiros registros fonográficos de cânticos de rituais afro-brasileiros, embora o samba que vinha sendo gravado à época já trouxesse diversas referências afros – e o faz até hoje.
O curta dá o devido valor a Getúlio Marinho na história. Ele fez muitas composições, algumas gravadas por nomes como Moreira da Silva – que aparece no filme -, Aurora Miranda e Francisco Alves.
Suas músicas chegaram a fazer sucesso e, entre seus parceiros, além de Eloy, figuravam a nata do samba, como Alcebíades Barcellos, o Bide, e João da Baiana.
Mas Getúlio, nascido em Salvador e radicado no Rio de Janeiro desde criança, foi também percussionista, participava da organização de ranchos carnavalescos – embrião das escolas de samba – e era produtor de uma gravadora, função que o ajudou a impulsionar a gravação de músicas afro-brasileiras naquele período.
Mingo Silva, sambista e integrante do Samba do Trabalhador, participa do documentário e interpreta de forma breve sambas de Getúlio Marinho.
Foi um feito e tanto o que fez o personagem do filme, enfatizando o culto afro-brasileiro em suas músicas, em uma época em que o samba era perseguido. O documentário resgata esse destacado personagem de nossa história.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Álbum reúne obra inédita do Mestre Manelim com toque de viola na sua essência
Por Augusto Diniz
‘Pequenas Impressões sobre o Caos’ de Breno Ruiz retrata a cidade em meio à angustia
Por Augusto Diniz
Walter Firmo: ‘Fiz um arquivo fantástico de uma sociedade invisível, que era negra’
Por Augusto Diniz



