Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Biografia de Marcos Ariel relata período de auge da cena instrumental
O pianista é um dos próceres do gênero no país
O Festival Internacional de Jazz São Paulo-Montreux, realizado em 1978 e 1080 na capital paulista, acabou tornando-se um marco na música ao reunir nomes brasileiros, como Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti, e estrangeiros, de Stan Getz a Dizzy Gillespie. Na mesma época, seria realizado o Rio Jazz Monterrey Festival, com a presença de Pat Metheny, John McLaughlin, Airto Moreira, entre outros.
A realização desses eventos foi muito impulsionada por uma efervescência da música instrumental – especificamente do jazz fusion – vivida no eixo Rio-São Paulo naquele período, com vários músicos brasileiros se destacando nos palcos.
Marcos Ariel foi um deles. Ele lançou seu primeiro álbum solo naqueles anos: o Bambu (1981). O trabalho saiu de forma independente, após o músico peregrinar por grandes gravadoras atrás de uma estrutura maior sem sucesso, e faixas do disco chegaram a tocar em algumas rádios numa época em que o “jabá” (pagamento à emissora para execução de uma música) não estava sacramentado.
O instrumentista havia começado tocando flauta em rodas de choro em botecos no Rio de Janeiro onde nasceu, mas se consolidou como pianista ao acompanhar uma dupla de gaúchos que fez um enorme sucesso nos anos 1980: Kleiton e Kledir.
E veio o segundo álbum, O Malabarista (1983), no mesmo ano em que assumiria a direção artística do Jazzmania, casa que ao lado do Mistura Fina e People, no Rio, estabeleceriam na cidade uma cena de música instrumental por alguns anos.
O Piano Brasileiro e Marcos Ariel (Editora Jaguatirica; 166 páginas), livro-biográfico recém-lançado, assinado pelo próprio pianista e pelo jornalista Miguel Sá, relatam essas e outras histórias da vida de Ariel e de como caminhou uma parte do movimento da música instrumental brasileira nas últimas décadas do século passado.
Ariel tem uma impressionante discografia de 35 álbuns, a maioria produzida com a dificuldade típica de quem vive de música instrumental, mas com inegável qualidade.
O músico faz parte de uma geração de ótimos instrumentistas, como os guitarristas Victor Biglione e Ricardo Silveira, o saxofonista Zé Nogueira, os percussionistas Marcelo Costa e Robertinho Silva, o baterista Pascoal Meireles, entre alguns outros.
Instrumentistas virtuosos da música brasileira como Moacir Santos, Dom Um Romão, Laurindo de Almeida, Airto Moreira e Dom Salvador haviam se mudado para o exterior na onda da bossa nova nos anos 1960 e início de 1970. A geração de Ariel chegou a estudar lá fora, na importante Berklee College of Music, nos Estados Unidos, mas voltaram, aponta o livro.
O pianista somente se conectaria com o exterior, especificamente com Los Angeles, no final dos anos 1980. No período não muito longo que permaneceu ligado à cidade americana para gravar e lançar seus trabalhos, teve um encontro com Moacir Santos, radicado nos Estados Unidos desde 1967.
O livro relata que o maestro contou “chorando” a Ariel que quase se tornou taxista no Rio de Janeiro, mesmo após lançar um dos discos instrumentais brasileiros mais importantes de todos os tempos: Coisas (1965). Mas Moacir Santos acabou se mudando para os EUA após fazer trilha para um filme lançado por lá.
O músico Marcos Ariel voltaria a tocar flauta nas rodas de choro na Lapa do Rio quando aquela importante cena musical estava começando, na segunda metade dos anos 1990. Ariel chegou a montar um grupo no contexto da geração Lapa – no livro, chamada de geração Semente numa referência ao bar de música ao vivo Semente, principal ponto de encontro de artistas daquele movimento musical.
Hoje, com 50 anos de carreira, Marcos Ariel se apresenta desde 2023, às terças-feiras, no Beco das Garrafas, em Copacabana.
Os relatos sobre uma fração de como a cena da música instrumental brasileira caminhou nos últimos tempos é o maior valor da obra em meio à falta de referências literárias sobre o movimento no país. O livro O Piano Brasileiro e Marcos Arielé o primeiro da coleção Música Brasileira, uma parceria da Escola Música e Negócios e a editora Jaguatirica.
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