Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Banda de Pau e Corda faz 50 anos sem se desligar da sonoridade de sua formação

Sérgio Andrade, único remanescente da composição original, diz que o Quinteto Violado foi a grande referência

Foto: Divulgação
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Sérgio Andrade se lembra de que quando assistiu pela primeira vez ao Quinteto Violado, no efervescente começo dos anos 1970, ficou encantado. O impacto foi tão grande que, pouco tempo depois, surgiu a Banda de Pau e Corda.

Segundo o cantor e compositor, único remanescente da formação original da Pau e Corda, quem sugeriu o nome da banda foi Toinho Alves, um dos fundadores do Quinteto Violado e falecido em 2008.

“O nome remetia à instrumentação que a gente tinha na época e aos grupos de pau e corda que saem até hoje nos carnavais do Recife”, conta Andrade.

A instrumentação inicial da banda envolvia percussão, sopros, violão e viola. “Nesse contexto, a flauta e a viola entraram porque a gente tinha exatamente essa influência do Quinteto. Só que a gente começou a utilizar a viola e a flauta de uma forma diferenciada, fazendo essa conexão dos dois instrumentos, além dos vocais.”

“Esse diálogo que existe entre a viola e a flauta desde o primeiro disco é uma característica muito forte da banda”, diz o músico. A flauta em questão é a de pífano (embora também usem a flauta transversal), uma marca dos grupos de Caruaru.

Desde aquela época, a banda mantém a coerência, mesmo atravessando vários momentos da indústria da música.

“Viemos da década de 1970, que foi uma época de ouro para a música popular brasileira. Ao longo desses 50 anos a gente vem construindo essa história, galgando-a com muito afinco, sempre focando no trabalho que a gente iniciou na década de 70, que foi mais intuitivo, compondo com o coração.”

Para comemorar seus 50 anos, a Banda de Pau e Corda lançou o álbum Entre a Flor e a Cruz (Biscoito Fino). O trabalho tem inéditas e regravações, com várias participações: Lenine, Fagner, Juliana Linhares, Padre Fabio de Melo e Marcos Valle.

Além de Sérgio Andrade, a Banda de Pau e Corda é formada atualmente por Júlio Rangel (viola), Sérgio Eduardo (contrabaixo), Zé Freire (violão), Yko Brasil (flauta transversal e pífano) e Alexandre Baros (bateria e percussão).

O trabalho foi produzido mais uma vez por José Milton – que acompanha o grupo desde o primeiro álbum, de 1973 -, em parceria com Alexandre Baros. Os arranjos são de Zé Freire, Zezinho Franco e Waltinho – este é irmão de Sérgio e fundador da banda.

“A gente sempre fez um trabalho muito verdadeiro, buscando as inspirações dentro da gente, sem se preocupar com os modismos”, diz Sérgio Andrade. “A gente passou por muitas fases da música brasileira, sempre buscando nossos espaços.”

Assista à entrevista de Sérgio Andrade, vocalista da Banda de Pau e Corda, a CartaCapital:

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