Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Artistas nacionais apostam em turnês comemorativas em 2026; veja o calendário
A lógica repete o que se viu em 2025: grandes efemérides convertidas em megashows, com datas em estádios e casas de grande porte
O marketing voltará a falar alto no showbiz brasileiro em 2026. Mesmo com um calendário apertado — atravessado por uma Copa do Mundo ampliada, com quase dez dias extras no meio do ano, e pelas eleições de outubro —, o país deve viver uma nova temporada intensa de turnês comemorativas de artistas nacionais. A lógica repete o que se viu em 2025: grandes efemérides convertidas em megashows, com datas em estádios e casas de grande porte, apostando na memória afetiva e no apelo popular.
A lista é extensa e atravessa gerações. De veteranos consagrados a artistas que consolidaram carreira nas últimas décadas, o fio condutor é o mesmo: celebrar trajetórias, discos ou ciclos criativos em espetáculos pensados para grandes plateias.
O pernambucano Alceu Valença abre a fila com a turnê 80 Girassóis, em comemoração aos 80 anos que completará em 2026. A estreia está marcada para 14 de março, no Rio de Janeiro, na Farmasi Arena. O encerramento acontece em Belo Horizonte, no Mineirão, justamente no primeiro fim de semana da Copa do Mundo — uma aposta de risco calculado.
Já Djavan celebra cinco décadas de carreira com a excursão Djavanear – 50 anos. Só Sucesso. A estreia ocorre em 8 de maio, em São Paulo, no Allianz Parque. A turnê percorre o país até dezembro, com show final em Maceió, sua cidade natal.
No samba, Diogo Nogueira comemora 20 anos de carreira com a turnê Infinito Samba, que começa em 1º de março, no Rio de Janeiro, também na Farmasi Arena. Até agora, há dez apresentações confirmadas. A última, em 20 de junho, no Parque de Madureira, servirá de base para a gravação de um audiovisual.
O rock nacional entra em cena com o reencontro do Barão Vermelho em sua formação clássica. A turnê Barão Vermelho Encontro – Pro Mundo Inteiro Acordar reúne Roberto Frejat, Dé Palmeira, Guto Goffi e Maurício Barros. Inicialmente, estão previstas duas datas: 30 de abril, no Rio de Janeiro, e 23 de maio, em São Paulo. Os shows contarão com a participação especial de Ney Matogrosso.
Também em clima de celebração, o Titãs marca os 40 anos de Cabeça Dinossauro, disco fundamental da banda, símbolo de crítica social e energia punk. A formação atual — Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto — inicia o projeto em 28 de março, em São Paulo, no Espaço Unimed. A turnê segue até 18 de julho, com encerramento em Curitiba.
Guilherme Arantes celebra meio século de carreira com a turnê 50 Anos-Luz, a partir de 7 de março, também em São Paulo. A temporada passa por 11 cidades e termina em 30 de maio, em Santos.
Entre os nomes mais contemporâneos, Liniker inicia em julho, no Allianz Parque, em São Paulo, a turnê Bye Bye Caju, que se despede do álbum Caju (2024), um dos mais premiados de sua trajetória. Estão previstos ainda shows no Rio de Janeiro, Belém e Salvador, até novembro.
Esse modelo de celebração ganhou força no pós-pandemia, tendo como marco os shows do Titãs com a formação clássica, em 2023. No mesmo período, também se destacaram as apresentações conjuntas de Caetano Veloso e Maria Bethânia, além da turnê de Gilberto Gil, que se despede dos palcos com Tempo Rei – Última Turnê, encerrada em março de 2026.
O teste de fogo para essa fórmula virá no próprio contexto do ano: uma Copa do Mundo que tradicionalmente paralisa o país e eleições que prometem mobilização intensa. Entre datas apertadas, disputas por atenção e grandes investimentos, 2026 se desenha como um laboratório decisivo para o futuro dos megashows nacionais.
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