Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
1º álbum do eterno baluarte Monarco faz 50 anos com o melhor do samba de raiz
A inconfundível voz do sambista e músicas como ‘O Quitandeiro’, ‘Tudo, Menos Amor’ e ‘Lenço’ se destacam em um disco admirável
Hildemar Diniz, o Monarco, lançaria seu primeiro álbum solo em 1976. O disco, que leva o seu nome, é uma aula de samba ligado às raízes, daqueles feitos por compositores para serem apresentados em encontros de sambistas na quadra da escola, fora do carnaval. Essa prática foi comum na criação do samba moderno, dos anos 1930 até o início da década de 1970.
A escola de samba à qual Monarco se ligou foi a Portela, agremiação com a qual manteve uma relação umbilical até sua morte, em 2021, aos 88 anos.
Com sua voz grave e aveludada, Monarco apresenta no primeiro disco composições muito próximas do seu dia a dia, além de sambas de amor construídos com versos curtos, precisos e bem alinhados.
O álbum abre com “O Quitandeiro” (Monarco e Paulo da Portela), que aborda os preparativos para um pagode, com direito a 30 litros de uca — cachaça, como diz a letra. A Velha Guarda da Portela, criada havia poucos anos à época e da qual Monarco era integrante, participa da gravação.
Em seguida vêm os sambas de amor traído “Ingratidão” (com José Mauro) e “Desengano”, única faixa de outro autor no disco: Aniceto da Portela, então o mais antigo compositor da escola.
A faixa seguinte já fala de amor correspondido: “Amor Verdadeiro” (só de Monarco), com versos diretos e luminosos: “Mas Deus / que é bom e justiceiro / me deu um amor verdadeiro / pondo fim no meu sofrer.”
Na sequência, a clássica “Tudo, Menos Amor” (com Walter Rosa), em que o autor, agora ferido, recusa qualquer sentimento amoroso. A sexta faixa é o belíssimo samba-exaltação “Mangueira e Suas Glórias” (só de Monarco), homenagem à escola rival, a Mangueira.
Em “Duelo Fatal” (também só de Monarco), surgem as vivências do morro: dois “valentes” morrem numa disputa por amor na favela. Quando a polícia chega, todos se calam, como dizem os versos: “E assim é o morro / não existe delator.”
Em “Amor Fiel” (Monarco), o poeta popular aparece em plena forma:
“Eu te avisei / com bastante antecedência / pra não cair na iminência / de errar / mas se você errou, meu bem / foi porque quis / não há razão / pra dizer que és infeliz
Salve mestre Monarco, o eterno baluarte do samba!
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