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Os melhores livros de 2017

A Redoma de Livros por Clarissa Wolff

Chegou a hora de listas dos livros que marcaram 2017. Aqui é a minha.

Ficção estrangeira

O VENDIDO, Paul Beatty
Editora Todavia, 320 páginas, R$ 54,90
Tradução de Rogerio Galindo

Paul Beatty usa um humor cáustico para tratar de questões de raça nesse livro que foi escrito para incomodar. Nele, seguimos o protagonista em sua saga para reinstaurar a segregação racial no distrito fictício de Dickens, na Califórnia, e aceitar um escravo. Primeiro estadunidense a vencer o Man Booker Prize, em 2016, Beatty traz uma série de referências que vão de Tolstoi a Kanye West e faz um trabalho incrível, que realmente merece o título de melhor livro do ano.

AS GAROTAS, Emma Cline
Editora Intrínseca, 336 páginas, R$49,90
Tradução de Sergio Flaksman

Tendo como pano de fundo uma versão ficcionalizada do culto de Charles Manson, o livro segue Evie Boyd, agora na meia idade, refletindo sobre o passado adolescente no fim dos anos 60 na Califórnia – quando a década da paz e amor dava lugar para um medo generalizado com o surgimento de cultos e serial killers. Sem tomar os crimes como ponto central, Cline constrói uma narrativa sobre feminilidade, adolescência e a dicotomia de culpa e inocência em um mundo em que as coisas não são apenas preto e branco. 

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Ficção brasileira

PRETÉRITO IMPERFEITO, B. Kucinski
Companhia das Letras, 152 páginas, R$39,90

Uma história sobre vício onde, diferente de Christiane F. e outros adictos que narraram a própria história em uma tradição literária já consolidada – casos de Bill Clegg e James Frey -, o viciado aqui não tem voz nenhuma. Sua história é contada por seu pai, o narrador, que se vê obrigado a cortar todos os laços com o filho que escolheu para si. É um livro de autoficção com uma narrativa sensível e furiosa, ainda que extremamente racional.

ENQUANTO OS DENTES, Carlos Eduardo Pereira
Editora Todavia, 96 páginas, R$39,90

Antônio é cadeirante, negro e gay, mora no Rio de Janeiro e agora precisa voltar para a casa dos pais contra sua própria vontade. No trajeto entre sua casa e a balsa que o leva ao encontro do pai militar e rígido com quem não fala há 20 anos, ele passeia pelo seu passado e cada um dos pontos que o trouxeram até aqui, refletindo sobre sua infância, sobre seus relacionamentos, sobre a transformação em cadeirante e sobre sua relação com a cidade. Uma grande estreia literária.

Não-ficção

MINDHUNTER, John Douglas
Editora Intrínseca, 384 páginas, R$39,90
Tradução de Lucas Peterson

Aqui acompanhamos John Douglas, agente do FBI dedicado à análise comportamental, enquanto entrevista os maiores serial killers da história dos Estados Unidos (Ed Kemper, Charles Manson, Ted Bundy e dezenas de outros) para entender a mente humana e solidificar o uso de perfis psicológicos pela agência. Com uma narrativa fluida, fácil de ler e bastante comercial, ele traz dados, conta causos e disserta sobre questões de natureza humana, culpa inerente e as interferências do meio na formação de assassinos.

FOME, Roxane Gay
Editora Globo, 372 páginas, R$ 39,90
Tradução de Alice Klesck

Uma autobiografia forte que consegue utilizar o individual como forma de avaliação do social. Aqui, as nossas relações com nosso corpo, com a indústria da beleza (e da magreza), com a objetificação sexual e com o ser mulher são colocadas em cheque quando a autora conta a sua própria trajetória por esses territórios.

Hors concurs

OS DIÁRIOS DE SYLVIA PLATH
Biblioteca Azul, 824 páginas, R$89,90
Tradução de Celso Nogueira

Relançados neste ano em uma edição belíssima, é um mergulho na mente de uma das maiores artistas que o século XX encontrou.

O CONTO DA AIA, Margaret Atwood
Editora Rocco, 368 páginas, R$44,50
Tradução de Ana Deiró

Faz todo sentido que esse seja o livro mais vendido do ano na gigante Amazon: além da adaptação para televisão pelo Hulu, a história conversa de forma lúcida e assustadora com o momento político mundial de cerceamento de direitos das mulheres. Emocionante e muito pesado, é talvez um dos livros mais obrigatórios do ano.

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