A Redoma de Livros por Clarissa Wolff

9 escritores de nova antologia da Amazon indicam livros nacionais

Segundo volume da Coleção Identidade será lançado em Paraty na programação paralela da Flip

O segundo volume da Coleção Identidade, da Amazon, será lançado em Paraty na programação paralela da Flip 2019, com 30 contos de autores de três agências literárias (Riff, MTS e Villas-Boas & Moss).

Conversei com Mateus Baldi, curador da antologia da Agência Riff, e pedi para que escritores convidados (eu inclusa) indicassem um livro da literatura nacional. Veja as indicações abaixo.

Carlos Eduardo Pereira, autor de Enquanto os dentes (Todavia, 2017): “Janelas Irreais – um diário de releituras, do Felipe Charbel, que saiu ano passado pela Relicário. É um romance com pegada de ensaio com pegada de diário de leituras, um livro que fala de reencontros com obras e como essas releituras podem dizer de quem já fomos, e de como podemos travar nossas relações interpessoais pelo filtro da literatura.”

https://youtu.be/04ssh7tsxXs


Clarissa Wolff, autora de Todo mundo merece morrer (Verus, 2018): “Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, da Elvira Vigna, é sem dúvidas um dos melhores livros em língua portuguesa. Com uma narrativa feroz e sem medo de zombar da masculinidade, ele discute poder e fragilidade em uma história sensacional.” 


Giovana Madalosso, autora de Tudo pode ser roubado (Todavia, 2018): “Neve negra, do Santiago Nazarian. Uma história de terror ambientada num gélido e improvável cenário do sul. Devorei o livro em um dia. É uma mostra de que boa literatura e entretenimento podem sim andar juntos.”

https://youtu.be/ikBikg6Ietc


Henrique Rodrigues, autor de Previsão para ontem (Cousa, 2019): “Leila, de Tino Freitas (texto) e Thaís Beltrame (ilustrações) – trata-se de uma das formas mais criativas de lidar com a difícil temática do abuso sexual. As soluções de narrativa, tanto no texto quanto nas ilustrações, são tão bem resolvidas que afastam o texto de um mero panfleto informativo – como ocorre muitas vezes em livros desse tipo – e provocam um tipo diferente de espanto em cada leitor, de todo gênero e idade. Detalhe: o livro seria ilustrado pela Elvira Vigna, que faleceu em 2017; Thaís Beltrame substituiu à altura.” 


Juliana Leite, autora de Entre as mãos (Record, 2018): “Menina a caminho, do Raduan Nassar. Dá ao leitor a chance de visitar um ‘lugar literário’, um continente de ambivalências, de ternura e violência, de inocência e avidez (de tranças nos cabelos, animais na praça, doces no balcão e lâminas afiadas). A um só tempo, texto e leitor são lançados em um percurso, um movimento relativamente curto, mas de extensão imaginária infinita. Ao ler esse belíssimo fruto da literatura brasileira, todos coincidimos em uma pequena vida cujo mistério é puro regalo da palavra.”


Leonardo Villa-Forte, autor de O princípio de ver histórias em todo lugar (Oito e Meio, 2015): “Indico um livro que recebeu Menção Honrosa no Prêmio Nacional de Ficção de 1973 do Instituto Nacional do Livro: Sombras de reis barbudos, do autor goiano José J. Veiga. Esse romance curto, atualíssimo, tem ares de memória, soa como fábula e toca de forma aguda em temas como poder e cumplicidade. O narrador, em primeira pessoa, é um jovem de 11 anos. Ele nos conta o que aconteceu depois da chegada do Tio Baltazar à cidade onde vive. É o tio rico, que, para inveja do pai do narrador, vem abrir a ambiciosa Companhia Melhoramentos de Taiara. No início a cidade prospera, mas aos poucos a empresa vai sufocando liberdades, jogando habitantes uns contra os outros, até mesmo dentro das famílias. As coisas ficam sombrias. Somos cativados pelo olhar atento e fabulador do jovem para quem tudo importa, ainda que a realidade de certas situações graves lhe seja vedada.”


Mateus Baldi, curador da antologia Tragédias brasileiras, da Coleção Identidade (Amazon, 2019): “Tudo pode ser roubado, da Giovana Madalosso, é um triunfo da narrativa e da boa história descompromissada. Sua protagonista, cujo nome não conhecemos e sabemos apenas do apelido Rabudinha, flana por São Paulo enquanto pratica pequenos furtos. É seguramente a melhor protagonista feminina da literatura brasileira recente e uma espécie de Lisbeth Salander tupiniquim. Um livraço para ser devorado em dois dias, no máximo. Não à toa, convidei Giovana Madalosso para participar da antologia — precisamos de escritoras assim na maior quantidade de espaços possível.”


Paula Gicovate, autora de Este é um livro sobre amor (Guarda-Chuva, 2014): “As meninas foi meu livro de formação e continua me acompanhando desde que o li a primeira vez. O romance é uma aula de escrita com as narrações alternadas entre as amigas Lia, Ana Clara e Lorena, foi publicado em 73, mas poderia ter sido ontem: tempos sombrios na política, a força da amizade entre as mulheres, e a potência das paixões.”


Pedro Guerra, autor de Avenida Molotov (Quelônio, 2018): “Maior que o mundo, do Reinaldo Moraes. O livro é um caldeirão de ingredientes que se temperado com uma cerveja do lado faz você virar a noite lendo. Tem vadiagem, palavrão, sexo, escatologia, drogas, tudo isso numa linguagem que nem parece escrita, e sim conversa de boteco. E ainda tem um personagem bem representativo dos nossos dias: um cara atropelado pelo tempo.”


Serviço

Coleção Identidade: www.amazon.com.br/colecaoidentidade

Lançamento na Casa Paratodxs em Paraty

Dia 12/07, às 16h

Assine nossa newsletter

Receba conteúdos exclusivos direto na sua caixa de entrada.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fonte confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!