Política

Mandetta critica postura de Bolsonaro e pede que a ciência seja ouvida

Em entrevista à Globo, o ministro da Saúde diz que o brasileiro não sabe se escuta ele ou o presidente

Ministro Mandetta e presidente. Foto: Isac Nóbrega/PR/Fotos Públicas
Ministro Mandetta e presidente. Foto: Isac Nóbrega/PR/Fotos Públicas

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro, que diversas vezes relativizou os efeitos do novo coronavírus,  e pediu que a ciência e a disciplina sejam pautadas no combate a pandemia.

“Eu espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única, unificada. Por que isso leva para o brasileiro uma dubiedade: ele não sabe se escuta o ministro da Saúde, se ele escuta o presidente, quem é que ele escuta”, afirmou.

O ministro concedeu uma entrevista neste domingo 12 ao Fantástico, da tv Globo. Sem citar Bolsonaro, Mandetta criticou pessoas que estão indo até padarias e supermercados causando aglomerações, exatamente como tem feito o presidente na última semana.

“Quando você vê as pessoas entrando em padaria, entrando em supermercado, fazendo filas uma atrás da outra, encostadas, grudadas, pessoas fazendo piquenique em parque, isso é claramente uma coisa equivocada”, disse o ministro.

O chefe da pasta também criticou quem defende que o vírus é um complô da China contra o mundo, tese defendida por bolsonaristas e até pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub “Muita gente que gosta da internet, que vê na internet alguma fake news dizendo que isso é uma invenção de países para ganharem vantagem econômica. Outras pessoas porque (acham que) existe um complô mundial contra elas. Como se tivesse alguma solução, com passe de mágica e que não precisasse que ninguém fizesse sacrifício”, afirmou.

Mandetta afirmou que o pico da contaminação no país está prevista para os meses de maio e junho. “A gente imagina que os meses de maio e junho serão os sessenta dias mais duros para as cidades. A gente tem diferentes realidades. O Brasil a gente não pode comparar com um país pequeno, como é a Espanha, como é a Itália, a Grécia, Macedônia e até a Inglaterra. Nós somos o próprio continente. Sabemos que serão dias duros. Seja conosco ou qualquer outra pessoa. Maio, junho, em algumas regiões julho, nós teremos dias muito duros”, disse.

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